O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que vai entrar com uma representação no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) contra Wallace Alves Palhares, presidente da escola de samba Acadêmicos de Niterói, por intolerância religiosa. A agremiação homenageou o presidente Lula (PT) na Marquês de Sapucaí, no último domingo (15/2).
Uma das alas do desfile foi batizada de “Neoconservadores em conserva” e retratou um grupo que atua em oposição ao presidente da República e que vota contra pautas defendidas por ele, como o fim da escala 6x1, conforme descrição da própria escola.
Elementos foram usados nas cabeças dos componentes da ala: um fazendeiro, representante do agronegócio; uma perua, representante de uma mulher de classe alta; os defensores da ditadura militar; e os grupos religiosos evangélicos.
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Em nota divulgada à imprensa, o parlamentar disse que a fantasia de latas de sardinha representou “os cristãos como se fossem algo a ser descartado”, o que “ultrapassou o limite da crítica política e entrou no terreno perigoso do preconceito religioso”.
“A Constituição garante liberdade religiosa. A Lei 7.716/89 pune atos de discriminação por motivo de religião. Por isso, protocolarei representação no Ministério Público do Rio de Janeiro contra o presidente da escola de samba, na condição de autor intelectual do desfile, para que os fatos sejam apurados com o rigor da lei. Carnaval é cultura. Fé é direito fundamental. Já a intolerância religiosa é crime”, destacou o deputado.
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Nikolas também fez menção à nota de repúdio feita pela Seção da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ), que afirmou que o desfile cometeu preconceito religioso contra cristãos. Para a seção fluminense, a ala feriu o direito fundamental de liberdade religiosa e representou uma “afronta direta à ordem constitucional e aos compromissos internacionais assumidos pelo país”.
No comunicado, a OAB-RJ também reiterou “o compromisso intransigente com a defesa da liberdade religiosa, com a promoção da convivência pacífica e respeitosa entre os diversos credos e com o combate firme e permanente a toda forma de intolerância e discriminação”.
Depois do desfile, a Acadêmicos de Niterói declarou sofrer perseguição política e que, “mesmo pressionada, não se curvou”. Conforme nota divulgada pela agremiação, foram feitos “ataques de setores conservadores e, de forma ainda mais grave, de gestores do carnaval carioca".
A escola relatou ainda que "houve tentativa de interferência direta na nossa autonomia artística, com pedidos de mudança de enredo, questionamentos sobre a letra do samba e outras ações que buscaram nos enquadrar e nos silenciar".
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Políticos da oposição também criticaram a ala e usaram a inteligência artificial (IA) para ironizar o desfile. O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), foi um dos que entraram na “trend” ao publicar uma foto da própria família dentro de uma lata, acompanhada da frase: “Conservador por Jesus Cristo”.
