O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), foi alvo de vaias durante discurso em um evento com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outras autoridades, nessa terça-feira (20/1), no município de Rio Grande, na Região Sul do estado. Assim que foi chamado ao palco, Leite enfrentou resistência de parte da plateia.

Diante das manifestações, o governador reagiu de forma direta. “Este é o amor que venceu o medo? Não, né? Então vamos respeitar”, afirmou, em sua primeira resposta às vaias. Na sequência, destacou que participava do evento no exercício de seu papel institucional e defendeu a cooperação entre diferentes esferas de governo.

“É importante que possamos ter a compreensão que somos diferentes, pensamos de maneira diferente, a gente não precisa pensar igual”, disse. “Se vocês desejam união e reconstrução, não simplesmente hostilizem quem pensa diferente”, continuou o governador, ao pedir que o público respeitasse o caráter institucional da cerimônia. Segundo ele, atitudes como as vaias alimentam ressentimentos e aprofundam a radicalização política.

“Aqui é um ambiente institucional, é o presidente da República, não é um comício eleitoral. É o governador do estado eleito pela mesma população que escolheu o presidente. O que essa postura faz é incendiar na outra metade ainda mais ódio, rancor e mágoa”, declarou.

Lula esteve no Rio Grande do Sul pela primeira vez em 2026 para participar da cerimônia de assinatura de contratos para a construção de cinco navios.

Críticas a Leite

Eduardo Leite é alvo recorrente de críticas de setores da esquerda por seu histórico político. Em 2018, apoiou publicamente o então candidato Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. Já em 2022, no embate entre Lula e Bolsonaro, Leite se manteve neutro, embora seja identificado como um político de centro-direita.


Outro ponto frequentemente lembrado por críticos ocorreu durante a pandemia da covid-19. À época, Leite confirmou ter ligado para o então governador de São Paulo, João Doria, à época no PSDB, para repassar um pedido de um ministro do governo Bolsonaro para que o início da vacinação contra a covid fosse adiado. São Paulo acabou sendo o primeiro estado a iniciar a imunização no país.

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Em entrevista, Leite afirmou que não solicitou o adiamento. “Em nenhum momento pedi adiamento da vacinação. O ministro me ligou. Eu liguei para o meu colega de partido e colega governador e relatei o telefonema que recebi, para cumprir a praxe. E dei, inclusive, razão a Doria para iniciar a vacinação”, disse à época.

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