EM ENTREVISTA

Falcão cobra pedido de desculpas de Mateus Simões: 'É o mínimo'

Em entrevista exclusiva, presidente da AMM afirma que crise com o vice-governador poderia ter sido encerrada de forma diferente

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O prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios, Luís Eduardo Falcão (sem partido), respondeu às declarações do vice-governador Mateus Simões (PSD) e afirmou que o conflito político só poderia ter sido encerrado com um pedido público de desculpas, o que, segundo ele, nunca ocorreu. Em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, Falcão disse que o episódio "extrapolou o campo institucional", atingiu sua família e escancarou uma postura de desrespeito aos municípios do interior de Minas Gerais.

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A manifestação ocorre após Simões afirmar, em nota, que as acusações feitas contra ele pela deputada estadual Lud Falcão (Podemos) e reiteradas por Luís Eduardo Falcão teriam como objetivo ganhar visibilidade política. O vice-governador disse ainda que optou inicialmente por não se pronunciar para não dar protagonismo ao caso e acusou os envolvidos de instrumentalizar uma pauta sensível, a dos direitos das mulheres.

Falcão, no entanto, reconstrói o histórico da relação com o governo estadual e contesta a versão apresentada por Simões. Segundo ele, o desgaste começou ainda no processo de eleição da AMM, quando decidiu disputar a presidência da entidade que representa 837 dos 853 municípios mineiros.

“É preciso analisar o histórico. Fui filiado ao Novo em 2015, apoiei o governador e o vice muito antes de chegarem aos cargos. Fui convidado a disputar a presidência da AMM e levei isso ao governador e ao vice. O governador recebeu bem, o vice não. Levei a candidatura adiante e percebi o governo trabalhando contra minha candidatura”, afirmou.

De acordo com Falcão, após assumir a presidência da associação, a AMM passou a adotar uma postura mais firme na cobrança de responsabilidades financeiras do estado, especialmente em relação a serviços que, segundo ele, vêm sendo bancados indevidamente pelos municípios. “A AMM começou um trabalho firme, independente e respeitoso, cobrando que o estado pague suas próprias despesas com polícia, bombeiros, Emater, Hemominas. Isso foi entregue ao governo há quatro meses, sem resposta”, disse.

  

O estopim da crise ocorreu após um pronunciamento público de Mateus Simões, em tom irônico, ao mencionar o apoio de municípios do interior à Polícia Militar. Em resposta, Falcão publicou um vídeo criticando a fala do vice-governador e relatando a realidade de Patos de Minas no suporte às forças de segurança. “O vice não gostou das cobranças e fez um pronunciamento debochando dos municípios. Isso me chateou muito. Fiz um vídeo respeitoso”, afirmou.

Segundo o presidente da AMM, a reação de Simões foi desproporcional e atingiu diretamente sua esposa, a deputada estadual Lud Falcão. “Ele não gostou e, em vez de ligar para mim, ligou para minha esposa, deputada estadual, de forma extremamente desrespeitosa, aos gritos, exigindo que eu ligasse pedindo desculpas, sob ameaça de retaliação. Ela ficou assustada. Nunca tinha sido tratada assim”, relatou.

A deputada afirmou publicamente ter sido ameaçada pelo vice-governador e o classificou como machista, agressivo e desequilibrado. O caso gerou reação na Assembleia Legislativa, com manifestações de solidariedade, inclusive da líder da bancada feminina, deputada Lohanna França (PV).

Falcão afirma que, ao recusar a exigência feita por Simões, passou a sofrer retaliações políticas. “Eu não aceitei. Nenhum de nós aceita. Houve retaliações no dia seguinte, exonerações. Isso é lamentável”, disse. Para ele, o episódio revela um padrão preocupante na relação entre o estado e os municípios, marcado por dependência financeira e medo de represálias. “Prefeitos reagiram com solidariedade, mas muitos têm medo. Municípios são submissos financeiramente ao estado”, afirmou.

Diante desse cenário, Falcão diz que a AMM pretende acionar o Tribunal de Contas para apurar gastos que considera indevidos por parte das prefeituras com serviços que deveriam ser custeados pelo governo estadual. “O Tribunal de Contas será acionado para levantar esses gastos indevidos. Essa situação é insustentável. O município não pode continuar pagando por serviços do estado”, declarou.

Apesar do embate, o presidente da AMM afirma que não busca conflito e reforça que a crise poderia ter sido encerrada com um gesto simples do vice-governador. “Da minha parte, sempre foi respeitosa. Depois desse episódio, o mínimo seria um pedido de desculpas. Se tivesse ocorrido, tudo poderia ser resolvido. Mas isso não aconteceu. Não somos nós que vamos procurar”, afirmou.

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Falcão disse ainda que seguirá atuando de forma independente tanto na prefeitura quanto à frente da associação e ressalta que o principal prejuízo recai sobre a população. “Minha família vem em primeiro lugar. Vou seguir com independência na prefeitura e na AMM. Quem é prejudicada é a população. Não gosto de brigas. Não entrei na política para isso. Vou continuar agindo com serenidade.”

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