AMÉRICA LATINA ONTEM E HOJE

Dedicada à literatura latino-americana, revista Puñado chega à 8ª edição 

Volume "No escuro" apresenta entrevistas e textos inéditos de 16 autoras de 15 países

Publicidade
Carregando...

Laura del Rey - especial para o Estado de Minas

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Para quem não conhece o nosso trabalho, a Puñado é uma revista que organizo com Raquel Dommarco Pedrão e, desde 2017, publica textos inéditos no Brasil de autoras latino-americanas e caribenhas contemporâneas. Em sua maioria, as obras selecionadas são contos de escritoras estrangeiras que a equipe traduz do espanhol, francês e inglês, mas a revista já contou com ensaios, crônicas e trechos de romances, assim como textos de brasileiras – entre elas, Jarid Arraes, Gabriela Aguerre (uruguaio-brasileira) e Veronica Stigger.

Entrevista: Fernanda Trías: 'A crise climática não é mais uma ameaça abstrata'

Crítica: Marcela Dantés: Fernanda Trías une corpo e terra em matéria narrativa única

Além das obras, a publicação inclui biografias e um material muito estimado pelo projeto: entrevistas conduzidas por convidadas brasileiras do meio cultural. Essas conversas fomentam uma aproximação entre os países e aprofundam a imersão dos leitores no universo das escritoras – compondo, junto à biografia e ao conto, um pequeno panorama sobre cada uma. É uma parte central do trabalho, uma vez que a revista não se norteia por escolher “os melhores contos latino-americanos escritos por mulheres”, mas por abrir possibilidades.

Leia: 'A mulher nua', livro que escandalizou o Uruguai em 1950, chega ao Brasil 

Entrevista: Raúl Zurita: 'A poesia é a arte capaz de dar forma ao sofrimento'

Entrevista: Igor Miranda: 'O ser latino-americano atravessa a nossa marca'

Conforme o editorial da nova edição pontua, quando a revista começou, a distância entre o leitor brasileiro e a escrita produzida por outros países da região era consideravelmente maior; nos últimos anos, houve um aumento vertiginoso da presença dessas obras no Brasil. Nesse contexto, o que ainda daria sentido à pesquisa da Puñado? O próprio editorial busca responder, avaliando que o sentido está justamente na “liberdade de experimentação que uma editora pequena permite, ainda mais ao se fazer um periódico literário. Somos encantadas por esse formato em virtude de seu caráter datado e, ao mesmo tempo, do perfil vanguardístico que favorece e instiga. Afinal, a ideia de degustação sempre foi o que mais nos entusiasmou: o desejo de tentar compor uma espécie de panorama B e, com ele, ampliar o que se entende e desentende por América Latina”.

Leia: Livro do casal Bioy Casares e Ocampo ganha edição no Brasil 80 anos depois

Leia: Beatriz Sarlo reúne memórias que desconfiam da própria lembrança

Com essa premissa, a Puñado 8 congrega autoras de diversos lugares não contemplados em números anteriores, totalizando 29 países ao longo de nove anos. A edição também traz algumas propostas diferentes, como uma parceria com a UFF (Universidade Federal Fluminense) que resultou na tradução coletiva de dois contos. E dessa vez, o tema aporta mais do que um caráter curatorial, carregando uma sugestão de navegação pelas páginas. A ideia é que o leitor chegue aos contos no escuro, ou seja, sem a identificação prévia de quem os escreveu. Depois, o lado B dessa edição bi-capa guia os curiosos “à luz”. Outra particularidade simpática é a presença dos multipatópodes, criaturas fantásticas que povoam e modulam o ritmo da leitura com seus perfis biográfico-científicos divertidos.

 LAURA DEL REY é editora da Incompleta eresponsável pela coordenação editorial, edição e projeto gráfico da Puñado 

TRECHOS DOS CONTOS

Gaiutra Bahadur (Guiana/Índia)
Tradução de Stephanie Borges

"Havia algum conforto em se lembrar de que, no fim das contas, ele a abraçou, acariciando seus cabelos como se ela fosse uma criança machucada. Ele fora, ao mesmo tempo, seu violador e seu protetor. E ela, assim como ele, por muito tempo depois disso, iria atar e desatar os sentimentos aos fatos: o orgulho de ser quem ela era ao que ela permitiu que ele fizesse; sua adoração por ele ao que ele tinha sido capaz de fazer. Como ela poderia ter lutado contra? Resistir não teria tornado os atos dele ainda piores, não comprometeria ainda mais o seu caráter? E quão livre ela teria sido, então?"

Lucía Calderas (México)
Tradução de Ana Beatriz S. Lemos, Bruna Cabral, Letícia Oliveira, Lídia Carneiro, Luiza Velasco, Monique Brito e Victoria Danka

"Peguei-a entre os dedos com ternura, quis acariciá-la, mas Ela correu pelo meu braço, prendendo toda a minha pele em um arrepio; o roçar de suas patas era a única carícia que eu recebia em semanas e, pela primeira vez, nenhum pensamento envenenava minha calma. Me deitei no chão, deixando-a explorar os vales do meu peito, as comissuras do rosto. Ela brincava entre os vazios e, ao alcançar meu ouvido, entrou com segurança, ocupou aquele espaço úmido e não saiu. Assim, me escolheu."

"PUÑADO 8 — NO ESCURO"

344 páginas

R$ 100

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Disponível no site da editora Incompleta

Tópicos relacionados:

literatura

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay