Oruam, mãe e irmão são alvos de operação policial contra o Comando Vermelho
Ação mira estrutura financeira do Comando Vermelho e cumpre 12 mandados de prisão no Rio
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta quarta-feira (29/4), uma fase da Operação Contenção, que tem como foco o combate à expansão territorial da facção criminosa Comando Vermelho e o esquema de lavagem de dinheiro. Entre os alvos estão o rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, a mãe e um dos irmãos dele. Até o momento, um homem foi preso.
Agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) cumprem 12 mandados de prisão preventiva expedidos pela 1ª Vara Criminal Especializada em Crime Organizado da Capital. A ofensiva também mira lideranças da facção, incluindo Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, apontado como um dos principais chefes do CV e pai de Oruam, preso desde 1996.
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Oruam é considerado foragido da Justiça desde fevereiro, após violar as condições do uso de tornozeleira eletrônica em um processo por tentativa de homicídio. O caso está relacionado a um episódio ocorrido em julho do ano passado, envolvendo confronto com policiais na porta de casa.
Além do artista, os agentes buscam prender a empresária Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mãe do cantor, e Lucas Santos Nepomuceno, conhecido como Lucca, e irmão do funkeiro. Márcia já havia sido alvo de prisão em março, durante a Operação Contenção Red Legacy, mas não foi localizada na ocasião. No início deste mês, ela chegou a obter habeas corpus, deixando temporariamente de ser considerada procurada.
De acordo com a polícia, Marcinho VP continua exercendo forte influência sobre a estrutura do Comando Vermelho, mesmo estando encarcerado.
Alvos da operação
- Carlos Alexandre Martins da Silva — apontado como operador financeiro do CV (preso nesta quarta-feira);
- Ederson José Gonçalves Leite, o Sam da CDD — chefão do CV, foragido em outros processos;
- Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso — chefão do CV, foragido em outros processos;
- Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D — chefão do CV, foragido em outros processos;
- Jeferson Lima Assim — procurado nesta quarta-feira;
- Lucas Santos Nepomuceno, o Lucca — irmão de Oruam, procurado nesta quarta-feira;
- Luciano Martiniano da Silva, o Pezão — chefão do CV, foragido em outros processos;
- Luiz Paulo Silva de Souza — apontado como operador financeiro do CV, procurado nesta quarta-feira;
- Márcia Gama dos Santos Nepomuceno — mãe de Oruam, procurada nesta quarta-feira;
- Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP — chefão do CV, já encarcerado;
- Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam — foragido em outros processos;
- Wilton Rabello Quintanilha, o Abelha — chefão do CV, foragido em outros processos.
Investigação
A atual fase da operação é resultado de um ano de investigações, que envolveram análise de dados extraídos de dispositivos eletrônicos apreendidos e cruzamento de informações financeiras. Segundo a polícia, foi identificado um sistema sofisticado de lavagem de dinheiro, com fragmentação de valores ilícitos por meio de contas de terceiros e reinserção no mercado formal.
As apurações também revelaram diálogos entre Carlos Costa Neves, conhecido como Gardenal, e um miliciano. Para os investigadores, as conversas reforçam o papel central de Marcinho VP na hierarquia da organização criminosa, mesmo após anos na prisão.
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Ao G1, o advogado Fernando Henrique Cardoso Neves, responsável pela defesa de Oruam, afirmou que ainda não teve acesso ao novo pedido de prisão. Já Flávio Fernandes, que representa Márcia Gama, disse que a equipe jurídica tenta entender os detalhes da operação. As outras defesas não se manifestaram até o momento.