Justiça contraria Daniela Mercury e mantém ordem dos desfiles em Salvador
Disputa judicial foi iniciada pelo Crocodilo, liderado pela cantora baiana, e acirrou a briga entre os blocos no circuito Barra-Ondina
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SALVADOR, BA – Uma disputa judicial iniciada pelo bloco Crocodilo, liderado pela cantora Daniela Mercury, movimentou a ordem dos desfiles no circuito Barra-Ondina, em Salvador, e acirrou os ânimos entre os principais artistas do carnaval da capital baiana.
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O Crocodilo reivindica prioridade alegando ter sido o primeiro dos grandes blocos a deixar o circuito do Campo Grande, em 1996, para desfilar na Barra, movimento que foi seguido por outras agremiações nos anos seguintes.
Uma decisão do Tribunal de Justiça da Bahia neste sábado (14/2) suspendeu os efeitos da liminar concedida na quinta-feira (12/2) que havia alterado a ordem de saída dos blocos, determinando que o Crocodilo fosse o primeiro a desfilar, a partir das 15h30.
O recurso foi apresentado pelos blocos Olodum, Camaleão e Coruja, primeiros a desfilar no domingo (15/2) e na segunda-feira (16/2). Eles alegaram que a mudança nas vésperas da festa causaria prejuízos logísticos e comerciais, além de afetar o planejamento de segurança pública.
A decisão mantém as posições originais dos desfiles. Amanhã, o Olodum é o primeiro a desfilar seguido do Camaleão, liderado por Bell Marques. Na segunda, o Coruja, de Ivete Sangalo, abre os desfiles, e o Camaleão vem na sequência. O Crocodilo será o sexto bloco a desfilar neste domingo e o nono na segunda.
Fila dos desfiles
A fila dos desfiles é definida pelo Conselho Municipal do Carnaval, formado por entidades carnavalescas, a partir de uma série de critérios que incluem a antiguidade.
O bloco Crocodilo, contudo, ingressou com uma ação na Justiça alegando ter sido o pioneiro no circuito Barra-Ondina há 30 anos. Em 1996, Daniela deixou o circuito do Campo Grande, principal da festa, e foi para a Barra, região que recebia blocos menores e alternativos.
A decisão foi motivada pelo congestionamento de trios no trajeto tradicional, que fazia com que os desfiles chegassem a ter oito horas. Na época, a região da Barra sequer contava com infraestrutura básica para a festa, mas nos anos seguintes acabou se consolidando como uma das principais vitrines do carnaval.
O desembargador que concedeu a liminar destacou que a documentação apresentada pelo Crocodilo não demonstrou que o bloco ocupava a primeira posição na fila.
'Situação chata'
Nos anos 1990, blocos menores como o Gula, Fecundança e Brother ocupavam os primeiros lugares na fila de desfiles. Com o crescimento do circuito Barra-Ondina, essas agremiações se associaram a blocos maiores, possibilitando que o Camaleão e Coruja passassem a abrir os desfiles. Já o Olodum desfila no Barra-Ondina desde 1998.
A disputa judicial pela ordem do desfile gerou reações no meio artístico. Em entrevista ao site BNews, o cantor Bell Marques classificou a situação como chata e "fora de ética".
O cantor afirmou que, no passado, poucos artistas queriam abrir os desfiles no circuito. Mas a visibilidade das transmissões televisivas fez com que os primeiros horários se tornassem os mais desejados.
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O prefeito Bruno Reis (União Brasil) afirmou que a disputa judicial gera instabilidade. "Acho que ninguém ganha com isso. Tem que ter um carnaval com os artistas unidos, todo mundo trabalhando juntos para a gente ter a melhor festa de rua do planeta", afirmou.