Em meio à disputa sobre quem representará os mais de 400 mil clientes no processo movido na Inglaterra em nome dos atingidos pelo rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, o escritório original da ação, o Pogust Goodhead vem sofrendo uma forte ofensiva contra seus canais de contato com os representados e precisou mudar (confira os novos canais abaixo).
Uma batalha judicial pelo nome no Brasil travada na 1ª Vara Empresarial da Comarca de Belo Horizonte trouxe o bloqueio liminar de redes sociais — como o Instagram — e a cassação provisória da utilização da marca em território nacional.
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Pogust Goodhead (PG) era o nome registrado do escritório na Inglaterra, que tem a denominação formal de PGMBM. Mas, no Brasil, a marca Pogust Goodhead foi registrada em dezembro de 2022 pela empresa POGO Gestões e Serviços Corporativos Ltda, aberta em Governador Valadares, em 2021, pelo antigo sócio fundador do escritório original, Thom Goodhead.
O advogado inglês que deu parte do nome à banca saiu do PG e hoje se encontra no Bailey Glasser International (BGI), escolhido pelo Comitê de Clientes para substituir o PG no processo de cerca de R$ 250 bilhões contra a mineradora anglo-australiana BHP e que se encontra em andamento na Inglaterra. Ele e o outro antigo sócio, Harris Pogust - que deu a outra metade ao nome do escritório - se dizem insatisfeitos por não concordarem com os rumos que o escritório tomou.
Na semana que vem, provavelmente no dia 12 de outubro, a Suprema Corte da Inglaterra e do País de Gales deve decidir se o PG será destituído do caso por justa causa ou se o comitê de clientes não tem o poder de mudar os contratos de todos os atingidos.
A POGO então abriu uma ação requerendo a abstenção de uso da marca Pogust Goodhead, indenização e obrigação de transferir os conteúdos e contatos do antigo escritório para suas redes.
A autora requereu, por exemplo, que o juízo determinasse a transferência do controle administrativo e da titularidade da conta @pogustgoodhead_br no Instagram para seu próprio domínio/responsabilidade, vinculando-a aos seus dados de contato.
"Com fundamento nos Arts. 139, inciso IV, 297, 380, 497, parágrafo único, 536, § 1º, e 805 do CPC e no Art. 209, § 1º, da Lei de Propriedade Industrial, que se determine a transferência da titularidade e do controle administrativo do perfil “@pogustgoodhead_br” (https://www.instagram.com/pogustgoodhead_br/) à Requerente, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas", consta no processo.
Controladora do Instagram, Facebook e WhatsApp, a Meta também deveria ser notificada, caso a decisão seja em favor da POGO. "Expedindo-se ofício à Meta Platforms, Inc. e/ou Facebook Serviços Online do Brasil Ltda. (CNPJ nº 13.347.016/0001-17), sob pena de multa diária não inferior a R$ 100 mil".
Na noite do dia 23 de setembro de 2026, o juízo deferiu a tutela antecipada para determinar que o PGMBM se abstenha imediatamente de utilizar a marca "Pogust Goodhead" em todo o território nacional (incluindo sites, e-mails, redes sociais, apresentações, eventos e materiais institucionais voltados ao Brasil).
A Justiça fixou o prazo de cinco dias úteis para a remoção de todas as menções à referida marca de seus canais digitais e comunicações voltadas ao público brasileiro.
Mas indeferiu, por ora, a transferência de titularidade/controle do perfil em rede social para a parte autora.
Em 28/09/2026, foi designada audiência de conciliação perante o CEJUSC para o dia 27/11/2026, às 14h20.
O PGMBM argumenta que atua como escritório de advocacia inglês na condução das ações indenizatórias do desastre da barragem de Mariana perante os tribunais do Reino Unido e que a suspensão de seus canais prejudica a comunicação com as vítimas e clientes brasileiros, alegando a ocorrência de "perigo de dano inverso".
O PGMBM informou que já estava estruturando a mudança de nome e os novos endereços para contato, mas que se trata de uma operação complexa, pois há 1,6 milhão de clientes (sem falar nos 420 mil de Mariana).
O advogado fundador do PG/ PGMBM, Thom Goodhead comentou compreender o motivo de, além dele, que emprestou o sobrenome Goodhead à firma, também o outro sócio, Harris, que emprestou o primeiro nome, Pogust, quer a remoção dessa marca em postagem nas redes sociais.
"Compreendo perfeitamente por que Harris tomou essa medida. Harris e eu estamos profundamente entristecidos ao ver um escritório que construímos com o propósito de mudar o mundo, um caso de cada vez, adotar a medida extraordinária de processar mais de 420.000 de seus próprios clientes", disse.
"Já ajuizei medidas judiciais no Brasil com o objetivo de impedir a continuidade do uso do meu nome naquele país e, neste momento, estou preparando outras medidas jurídicas no Reino Unido", afirma Thom.
"É absolutamente fundamental que os clientes compreendam que nem Harris nem eu temos qualquer vínculo com um escritório que processa as próprias vítimas do desastre do rompimento da barragem de Mariana que afirmam representar”, disse o advogado do BGI.
A perda de nome ocorreu apenas no Instagram?
Com o Instagram de 93 mil seguidores derrubado e sob disputa na Meta, foi a vez de problemas ocorrerem no site oficial de relação de clientes e advogados com o escritório internacional. O domínio https://casoinglesmariana.com.br/ (registrado em julho de 2022) do PG/PGMBM passou a direcionar diretamente para o site do escritório que disputa a representação dos clientes brasileiros, o Bailey Glasser International (https://www.bgicasomariana.com/pt), o que foi comprovado na prática pela reportagem.
A mudança de nome também acabou prejudicada, pois antes que pudesse ocorrer, o domínio PGMBM.com.br foi registrado no Brasil, no dia 1º de outubro de 2026.
A reportagem procurou hoje no fim da manhã o BGI para se posicionar sobre o assunto, mas o escritório internacional informou que não irá se pronunciar.
Mesmo nas redes sociais, a abertura de outro canal se mostrou prejudicada, uma vez que vários nomes passaram a ser registrados fazendo mudanças de arranjo como pgmbm_casoinglesmariana, pgmbm_casomariana e pgmbm.casomariana, nestes três exemplos, redes sem conteúdo e apenas fotos da cantora brasileira Gretchen, criadas em 1º de outubro de 2026.
Perfis suspeitos de serem utilizados para confundir as buscas pelas redes sociais do Pogust Goodhead / PGMBM
O escritório Bailey Glasser International (BGI) declarou que depois da rescisão com o escritório original, foi selecionado pelo Comitê dos Clientes (representante dos atingidos no processo) e que nada seria necessário ser feito pelos representados, pois a sucessão seria natural. Contudo, seus agentes se espalharam pelos territórios buscando assinaturas dos atingidos para ratificar a substituição.
O escritório Pogust Goodhead (PG), que ingressou com a ação original, em 2018, questiona a legitimidade do Comitê de Clientes em o destituir e aponta riscos de custos milionários para os atingidos, prolongamento da ação e até a sua extinção. Mas encara uma acusação de desligamento por justa causa por falta de transparência, que pode o remover do caso.
Enquanto isso, a ação contra a BHP segue seu curso. O processo, movido desde 2018 na Justiça inglesa, envolve mais de 420 mil autores brasileiros e indenizações que podem somar bilhões de reais. A ação coletiva, considerada uma das maiores da história do sistema jurídico inglês, está atualmente na fase de apuração do valor da indenização devida pela BHP.
Em novembro de 2025, o Tribunal Superior de Londres (High Court) reconheceu a responsabilidade da BHP na tragédia e, em maio de 2026, o Tribunal de Apelação negou o pedido de permissão da mineradora para recorrer da decisão. Dessa forma, a BHP não pode mais apresentar recursos para contestar a decisão de responsabilidade. A ação na Justiça inglesa está, agora, na fase de cálculo das perdas e danos causados pelo desastre, com previsão de julgamento entre abril de 2027 e março de 2028.
O Litígio de Mariana tem origem no rompimento, em 5 de novembro de 2015, da barragem de rejeitos de Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas, operada pela Samarco, uma joint venture entre a Vale e a BHP. O acidente matou 19 pessoas e liberou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração, que percorreram cerca de 650 quilômetros pela bacia do Rio Doce até o litoral do Espírito Santo, soterrando as comunidades de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo.
Novos canais do Pogust Goodhead/PGMBM:
Email: contato@pogustgoodhead.com
Instagram: (Atenção, uso temporário de novo perfil de usuário até as contas serem restabelecidas)
Facebook: https://www.facebook.com/PGMBMbr
Canal do WhatsApp oficial: https://whatsapp.com/channel/0029Vad7pA20QeadnNQmIj0A
Portal do Cliente: clients.pogustgoodhead.com
Website: www.casomarianainglaterra.com.br
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Cronologia da disputa entre bancas jurídicas
- Ano de 2015: rompimento da Barragem do Fundão em Mariana e início da mobilização das vítimas
- Ano de 2021: fundação da empresa POGO no Brasil por Thom Goodhead
- Dezembro de 2022: registro formal da marca Pogust Goodhead em território brasileiro
- Agosto de 2026: decisão do Comitê de Clientes de rescindir a representação do PG e nomear o BGI
- Setembro de 2026: registro de domínios concorrentes na internet e deferimento de liminar pela Justiça mineira
- Outubro de 2026: análise da Suprema Corte da Inglaterra e do País de Gales sobre a destituição contratual
- Novembro de 2026: realização de audiência de conciliação no Cejusc em Belo Horizonte
Recomendações e cuidados para atingidos e clientes
- Autenticidade de canais: verificação atenta dos endereços oficiais de e-mail e portais de atendimento
- Controle de dados pessoais: cautela ao preencher novos cadastros e formulários em páginas não certificadas
- Assinatura de termos: conferência minuciosa antes de assinar declarações de rescisão ou adesão
- Acompanhamento processual: consulta periódica aos comunicados homologados pelas cortes judiciais
- Alerta contra golpes: atenção redobrada a contatos não solicitados por perfis recém-criados em redes sociais
Reportagem em atualização, aguarda contato de mais envolvidos.
