CAOS

Comerciantes de BH acumulam prejuízos após 48 horas sem energia

Estabelecimentos na Avenida Silviano Brandão, na Região Leste, perderam alimentos, cancelaram vendas e tiveram de contratar geradores após temporal de domingo (25/10)

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Às 14h desta terça-feira (27/10), comerciantes da Avenida Silviano Brandão, na Região Leste de Belo Horizonte, completaram 48 horas sem energia elétrica após as fortes chuvas que atingiram a capital no domingo (25/10). Sem conseguir manter o funcionamento de bares, restaurantes e lojas de alimentos, empresários relatam perdas de mercadorias, cancelamento de pedidos e prejuízos que já chegam a dezenas de milhares de reais. A falta de previsão confiável para o restabelecimento do serviço também dificulta o planejamento dos estabelecimentos, segundo eles.

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Na Camp Town Burger, a estimativa inicial de prejuízo é de pelo menos R$ 15 mil. Segundo a sócia-proprietária, Scarlet Lucrecio Isvetcoff, o estabelecimento está sem funcionar desde as 14h de domingo. Entre os produtos perdidos estão carnes, saladas, sorvetes e ingredientes usados no preparo de molhos, maionese e outros acompanhamentos.

“Tudo o que estava em geladeira foi perdido”, relata Scarlet. Parte dos produtos que estavam no freezer foi transferida para outro local, mas nem todo o estoque pôde ser preservado.

Além da perda de alimentos e da receita que deixou de entrar com a loja fechada, a comerciante enfrenta dificuldades para organizar o trabalho da equipe. Como a porta do estabelecimento é elétrica, não é possível abri-la normalmente sem energia. A retirada de parte dos insumos foi feita por uma pequena abertura usada como passagem.

Previsões não cumpridas

Scarlet afirma que tenta entrar em contato com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) desde domingo, mas não conseguiu informações precisas sobre a normalização do serviço. Segundo ela, a primeira previsão indicava que a energia seria restabelecida às 22h do mesmo dia. Depois, o prazo foi alterado para a noite de segunda-feira (26/10), mas o fornecimento não foi normalizado.

A comerciante afirma ter registrado mais de 15 protocolos de atendimento, além de reclamações na ouvidoria da companhia e no site Reclame Aqui. Diante da incerteza, decidiu transferir os produtos que ainda poderiam ser aproveitados para outro local.

“Se no domingo eles tivessem falado que, devido a muitas ocorrências, a previsão era de até três dias, você pelo menos já se resguarda. Você já pensa o que vai fazer, se vai contratar um gerador, se vai levar tudo para outro lugar”, afirma.

O problema também afeta a rotina dos funcionários. As atividades de limpeza e preparação de alimentos previstas para segunda e terça-feira precisarão ser reorganizadas, aumentando a carga de trabalho quando o estabelecimento voltar a funcionar.

Mais de 50 bolos descartados

Na Sodiê Doces, o cenário é semelhante. O franqueado Cláudio Ribeiro Mercini, que está à frente da unidade há 12 anos, afirma que a loja também está fechada desde as 14h de domingo. Até as 13h30 desta terça-feira, o prejuízo já ultrapassava R$ 30 mil, segundo ele.

O valor inclui os custos com o estabelecimento fechado e a contratação de um gerador, que já consumiu quase R$ 15 mil. A conta, no entanto, ainda não considera todas as mercadorias perdidas.

De acordo com Cláudio, mais de 50 bolos foram descartados entre segunda e terça-feira. Também foram perdidos mais de 40 quilos de recheios. O empresário afirma que ainda não conseguiu calcular o valor total dos alimentos que precisaram ser jogados fora.

O gerador foi contratado para tentar preservar parte do estoque, e não para manter a loja aberta. O empresário também precisou contratar um segurança para acompanhar o equipamento durante a noite, devido ao risco de roubo de fios na região.

“Eu não sei quantas vezes já liguei, mas posso te falar que já foram mais de 40”, afirma Cláudio sobre as tentativas de contato com a Cemig. Segundo ele, os atendimentos informam que uma equipe está a caminho, mas o prazo dado não se concretiza.

O franqueado diz que, neste momento, sua principal preocupação é evitar novas perdas. Além dos alimentos, a loja pode ter prejuízos com vendas canceladas e encomendas que não serão entregues. Ele teme que estabelecimentos com custos elevados não consigam suportar vários dias sem funcionar.

Prejuízo pode virar ação na Justiça

Com mercadorias perdidas e dias de vendas comprometidos, os comerciantes afetados pela falta de energia podem recorrer à Justiça para buscar o ressarcimento dos prejuízos. Segundo o advogado especialista em direito do consumidor Marco Antônio Araújo Júnior, a documentação das perdas é fundamental para embasar um eventual pedido de indenização contra a Cemig.

O advogado orienta que os empresários fotografem e filmem os produtos estragados antes do descarte e guardem notas fiscais, comprovantes de despesas extras e protocolos de atendimento da concessionária. Também é importante reunir documentos que mostrem quanto o estabelecimento deixou de faturar durante o período em que permaneceu fechado.

“A energia é um bem de consumo considerado essencial pelo Código de Defesa do Consumidor e precisa ser restabelecida com urgência”, afirma Marco Antônio.

Segundo ele, o pedido de indenização pode abranger tanto os danos materiais, como mercadorias perdidas, gastos extras e valores que deixaram de ser recebidos, quanto danos morais, dependendo das circunstâncias. A decisão sobre o direito ao ressarcimento e o valor a ser pago cabe à Justiça, após a análise das provas apresentadas.

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O Estado de Minas procurou a Cemig para saber a previsão de restabelecimento da energia elétrica na Avenida Silviano Brandão e em outras regiões de Belo Horizonte que também foram afetadas pela falta de luz após as chuvas. A reportagem aguarda retorno da companhia.*Estagiária sob supervisão

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