TRÁFICO DE PESSOAS E HOMICÍDIO

Justiça determina investigação de suposta agressão a médica que raptou bebê

Claudia Soares Alves teria sido agredida por outras internas na Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga, em Uberlândia

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A Justiça determinou que a direção da Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga, em Uberlândia, no Triângulo mineiro, apresente medidas para garantir a segurança da médica neurologista Claudia Soares Alves, acusada do assassinato da farmacêutica Renata Bocatto Derani, em 2020, e do sequestro de um recém-nascido em julho de 2024. De acordo com a defesa, a ré “vem sofrendo agressões físicas reiteradas por outras internas”. 

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Na decisão, assinada em 6 de outubro, o juiz Dimas Borges de Paula, da 3ª Vara Criminal da Comarca de Uberlândia, determina que seja apresentado um relatório detalhado sobre as alegadas agressões, com datas, horários e internas envolvidas. Também estabelece que Claudia seja encaminhada ao atendimento médico para a realização de exame de corpo de delito com o registro fotográfico de eventuais ferimentos encontrados e que sejam tomadas providências para garantir a segurança dela. 

Além disso, o documento determina que as imagens de todas as câmeras de videomonitoramento que possam ter registrado as agressões ou a rotina da custodiada nos dias dos fatos, sejam preservadas e colocadas à disposição da Justiça.

Ao Estado de Minas, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp-MG) informou que Cláudia foi encaminhada para o setor de atendimento de saúde da unidade prisional e remanejada de cela assim que relatou as agressões por parte de outras detentas. 

“Sobre a situação, todas as providências administrativas foram tomadas pela direção da unidade prisional, inclusive com a confecção de um Reds (Boletim de Ocorrência). A ocorrência está, também, sob apuração administrativa”, afirma a nota.

Atendimento psiquiátrico 

A defesa de Cláudia também afirma que a ré não foi conduzida à consulta psiquiátrica, apesar de a consulta estar previamente agendada e integralmente paga há mais de seis meses e solicita que a unidade prisional esclareça os motivos pelos quais os dois pedidos posteriores de condução não foram atendidos. 

Além disso, pede que a Justiça determine que a direção da Penitenciária apresente o prontuário médico completo de Claudia, informando todos os atendimentos realizados desde seu ingresso no sistema prisional, bem como esclareça se ela vem recebendo regularmente a medicação destinada ao tratamento do Transtorno Afetivo Bipolar.

O juiz Dimas de Paula acatou o pedido e determinou a apresentação integral do prontuário da ré desde seu ingresso no sistema prisional e que o diretor esclareça, especificamente, sobre o andamento para a realização do atendimento psiquiátrico especializado.

A direção também deve providenciar a condução de Claudia à consulta com seu médico psiquiatra, custeada por seus familiares, autorizando sua saída sob escolta na data a ser marcada pelo profissional responsável.

Sobre as alegações, a Sejusp-MG afirma que não procede a denúncia sobre suposta desassistência de saúde à presa e que a custodiada recebeu o devido e contínuo acompanhamento médico com medicação prescrita entregue regularmente. 

“Especificamente sobre à saúde mental e ao acompanhamento especializado, vale ressaltar que a unidade prisional dispõe de atendimento médico-psiquiátrico no formato tutoriado; entretanto, a custodiada optou por atendimento particular. Neste caso, de acordo com as normas previstas para atendimento de saúde externo, a consulta com o médico particular foi devidamente realizada em data programada, assegurando assim a assistência integral à saúde da custodiada”, disse a Sejusp por meio de nota.

Ré vai a júri popular 

Em julho deste ano, a 3ª Vara Criminal de Uberlândia decidiu que Cláudia Soares Alves e Paulo Roberto Gomes da Silva, que seria o executor do crime, vão a júri popular pela morte da farmacêutica Renata Bocatto Derani, em 2020. Ainda não há data do julgamento. 

No homicídio, a vítima foi alvejada na porta do trabalho depois de receber uma falsa encomenda, com um pênis de borracha. Cláudia foi indiciada por homicídio qualificado – por motivo torpe, pagamento e emboscada –, uso de documento falso, fraude processual e adulteração de sinal identificador de veículo automotor.

As investigações mostraram que, antes do crime, a neurologista se envolveu com ex-marido da farmacêutica. O casal tinha uma filha e, segundo o delegado Eduardo Leal, a médica teria tentado tirar o poder familiar de Renata para assumir a maternidade da criança.

Nessa época, ainda conforme o responsável pelo inquérito, a vítima proibiu que pai tivesse acesso a filha, enquanto estivesse com Cláudia. Além disso, a investigada teria participado da preparação e da execução do crime, em parceria com dois homens. 

Sequestro de bebê

Em 6 de agosto de 2024, a médica foi indiciada por tráfico de pessoas e falsidade ideológica no inquérito que apurou o sequestro de uma recém-nascida na maternidade do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia. O crime aconteceu na noite de 22 de julho do mesmo ano. A neurologista foi presa, horas depois, em Itumbiara (GO), com a criança.

No dia do sequestro, Cláudia usou o crachá para entrar no hospital se passando por funcionária. Ela foi até a maternidade e abordou um casal, se apresentando como pediatra e examinou a mãe e a recém nascida. Na sequência, a mulher afirmou que levaria a bebê para ser amamentada, mas não voltou.

A criança foi colocada dentro de uma mochila e, de carro, levada para Itumbiara, a cerca de 134 quilômetros de Uberlândia. Imagens de câmeras de segurança ajudaram na localização da médica. Ela foi presa em flagrante.

Na época, as investigações mostraram que o crime foi premeditado e que a indiciada havia preparado um cômodo de sua casa para receber a bebê. “Lá, encontramos um enxoval, carrinho de bebê, fraldas e leite”, explicou o delegado Carlos Fernandes, responsável pelo inquérito.

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A defesa alega que a médica sofre de transtornos mentais e faz tratamento, e que, no dia do sequestro, ela teria sofrido um surto psicótico por não ter tomado a medicação. Conforme a legislação brasileira, a pena por tráfico de pessoas pode chegar a oito anos de prisão e por falsidade ideológica, a cinco.

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