A Defesa Civil de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), fez uma vistoria na área onde um muro de arrimo desabou na noite dessa quarta-feira (16/9), na Rua Enita Seabra, no Bairro Retiro. Ao todo, a queda da estrutura provocou a interdição de sete imóveis e 19 moradores estão desalojados. Ninguém ficou ferido.
Leia Mais
De acordo com William Silva, coordenador municipal de proteção da Defesa Civil, na área mais afetada se encontra um imóvel de quatro andares no qual moravam quatro famílias distintas. Equipes de engenharia estão fazendo uma avaliação da edificação para verificar se há a possibilidade de fazer reparos na estrutura. “A gente não pode nem acessar a residência por risco de colapso, algumas partes do telhado já chegaram a ceder e pode haver a necessidade de demolir a residência”, declarou Silva.
O coordenador aponta, ainda, a necessidade das casas vizinhas continuarem interditadas e evacuadas mesmo sem sinais de queda iminente, devido ao risco de um colapso cruzado. Apesar de ser um fator de agravamento da situação, a chuva não é a maior preocupação no momento, uma vez que a estrutura já está bastante comprometida.
A queda do muro de arrimo também afetou o asfalto, indicando o movimento completo da edificação. Uma reunião será realizada esta tarde para definir os próximos passos em relação à questão e uma rotina de monitoramento a cada 12 horas foi estabelecida pela Defesa Civil para garantir a segurança dos moradores.
Queda do muro de arrimo em Nova Lima também causou estragos no asfalto
A Guarda Municipal segue no local para impedir que transeuntes se aproximem da área afetada. A passagem é liberada apenas aos moradores, na companhia da Defesa Civil, apenas para a retirada de pertences.
O muro faz parte de uma obra que estava sendo realizada no terreno. Uma placa mostra que o Conselho Regional de Engenharia (CREA-MG) esteve no local em maio deste ano.
William declarou que ainda não é possível apontar relação entre a obra particular e o incidente e que as causas da queda do muro estão sendo averiguadas: “ainda não foi possível estabelecer o que causou esse colapso mas (a obra) pode ter contribuído para o cenário. Os próximos passos são reunir os documentos a respeito da fiscalização da obra e se estava irregular”.
Muro de arrimo fazia parte de uma obra privada. Causas da queda ainda estão sendo apuradas
Em nota, a Prefeitura de Nova Lima informou que prossegue com a apuração do desabamento do muro, que o local da obra possui Alvará Licença para Construção e os proprietários já foram identificados.
“As análises para identificação das causas do que provocou o desabamento prosseguem, sendo mantida a interdição dos imóveis do entorno. Os moradores estão abrigados na casa de familiares e as Secretarias de Desenvolvimento Social e de Saúde também estão mobilizadas para prestar assistência. Não houve registro de feridos. A Guarda Civil Municipal permanece no local para garantir a segurança e controlar o acesso. A Prefeitura continua acompanhando a situação e manterá a população informada sobre novas orientações e atualizações”, diz o texto.
Vivendo com a incerteza
Simone Antônia de Andrade mora na casa ao lado da que foi mais afetada pela queda do muro com os pais idosos. Mesmo sabendo que sua casa não corre risco iminente, ela relata a insegurança que sente em relação ao futuro, uma vez que parte do muro dá para o fundo do seu quintal.
“Eu tenho medo porque se o solo ceder pode puxar e atingir a nossa laje, que é próxima da construção”, confessa.
A moradora conta que, antigamente, próximo às casas existia um córrego que foi canalizado para pavimentar a Avenida Geraldo Borges Dias e que o material que sobrou da obra foi colocado no terreno onde, em maio deste ano, começou a ser construído o muro de arrimo. Ela afirma que tem dúvidas se a fundação da estrutura era compatível com as necessidades do terreno.
“Fizeram uma fundação e fizeram o muro de contenção, mas quando escavaram já foi brotando uma mina de água, porque o lençol freático é muito próximo, o córrego passava ali”, conta Andrade.
Uma trinca chegou a aparecer na lateral na residência de Simone na época da construção do muro de arrimo, mas estudos da Defesa Civil mostraram que era fruto da acomodação do terreno. Entretanto, outras surgiram posteriormente.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Agora ela aguarda a reunião para saber quais providências serão tomadas a respeito da situação.
