BH: mulher confessa ter matado a mãe e a filha e nega motivação financeira
Amanda Christina relatou em depoimento no Tribunal do Júri ter asfixiado a mãe e a filha, de 10 anos, no apartamento onde moravam, em Venda Nova
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Em depoimento prestado no Tribunal do Júri de Belo Horizonte na manhã desta quarta-feira (30/9), Amanda Christina Souza Pinto confessou ter assassinado a mãe, Maria do Rosário de Fátima Pinto, de 67 anos, e a própria filha, Agatha Alves Pinto, de 10 anos, no apartamento onde moravam, no Bairro Piratininga, em Venda Nova, em Belo Horizonte, entre os dias 13 e 14 de março de 2023.
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O julgamento do caso teve início às 8h30 com a formação do Conselho de Sentença composto por cinco mulheres e dois homens. Durante o interrogatório, a acusada negou que o crime tenha sido motivado por disputas financeiras ou recusa de empréstimos, divergindo da tese inicial apresentada pelo Ministério Público.
Ao depor, Amanda relatou que já tinha pensamentos de autoextermínio por se sentir frustrada por não trabalhar e não dar suporte à mãe. Segundo a ré, naquele 13 de março, sua intenção inicial era induzir a mãe a sair de casa com a neta para que pudesse tirar a própria vida sozinha. No entanto, pensou que encontrariam seu corpo, e afirmou ter tido a "péssima ideia de levá-las junto". Ela alegou estar arrependida e mencionou ter tentado o suicídio em outras duas ocasiões enquanto esteve presa.
Dinâmica
Durante seu relato, a acusada detalhou como executou os crimes dentro do imóvel. Primeiro, atacou a mãe no quarto, dando um golpe no pescoço até a asfixia. Na sequência, abordou a filha de 10 anos, argumentando que a menina ficaria sozinha no mundo e seria levada para um abrigo, uma vez que a avó estava morta e ela também tiraria a própria vida.
Amanda admitiu ter tentado esganar a criança inicialmente, sem sucesso devido à reação da filha. Tentou então cortar os pulsos da menina com uma faca, mas ela reclamou da dor e do fato de a lâmina não estar amolada. Na sequência, a ré persuadiu a garota a deixar amarrar seus braços para trás e aplicou novamente a força no pescoço até a perda dos sentidos da criança, que chegou a urinar nas roupas.
Após constatar a morte da mãe e da filha, Amanda tentou tirar a própria vida cortando os pulsos, pernas e pés, além de ingerir medicamentos. Sem êxito, na manhã do dia 15 de março, tentou inalar gás na cozinha. O apartamento acabou arrombado pelas equipes de resgate e pela Polícia Militar, que encontraram o imóvel trancado por dentro contendo os corpos das vítimas e a acusada em estado debilitado.
Denúncia e acusação
De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), os fatos ocorreram entre os dias 13 e 14 de março de 2023. A denúncia apontava que a ré mantinha uma relação de dependência financeira, intimidação e agressões psicológicas contra a mãe idosa. O órgão sustentou que a ré decidiu matar Maria do Rosário por inconformismo após exaurir os recursos financeiros da vítima e não conseguir mais extorquir dinheiro.
O MPMG denunciou Amanda pelos crimes de feminicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e contexto de violência doméstica contra a mãe, além de homicídio qualificado contra a filha Agatha, com as causas de aumento por se tratar de menor de 14 anos.
Defendida pelo advogado Joel Francisco Costa Júnior, a ré teve pedidos de instauração de incidente de insanidade mental indeferidos pela Justiça durante a fase de instrução, sob o entendimento de que ela apresentava plena consciência de seus atos. Na sentença de pronúncia, o juiz Bruno Sena Carmona manteve a ré pronunciada por dois homicídios qualificados.
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Contudo, o magistrado descartou as acusações dos crimes conexos de tortura e de fraude processual – este último fundamentado no envio de mensagens pelo celular da mãe ao patrão dela após o crime –, por entender que as condutas não preenchiam os requisitos legais descritos na denúncia. A sessão no Tribunal do Júri prossegue ao longo do dia.