Escolas particulares pedem que sindicato patronal negocie e destrave greve
Instituições de ensino assinaram carta aberta na qual cobram que o sindicato patronal destrave as negociações com os docentes
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Em uma carta aberta divulgada nesta sexta-feira (18/9), 19 instituições de ensino de Belo Horizonte e da Região Metropolitana pedem ao Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG) que negocie com os professores, que estão em greve. Os signatários cobram empenho para destravar as negociações com os docentes, que estão de braços cruzados desde quarta-feira (16/9).
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A carta lembra que a vigência da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria se encerrou em 31 de março de 2026 e que, "passados mais de cinco meses, ainda não foi assinada. Essa demora recai, de forma desproporcional, sobre professores, famílias e escolas".
A greve dos professores é motivada justamente por uma proposta do Sinepe-MG de dividir a CCT da categoria, que atualmente é única tanto para os profissionais da educação básica quanto para os do ensino superior. Tal mudança resultaria em dois documentos, com direitos e benefícios distintos para professores das diferentes etapas de ensino.
A carta legitima a demanda dos professores. "Reconhecemos a legitimidade dessa preocupação: valorizar quem ensina é um compromisso permanente", diz o texto. As escolas pedem ainda que as negociações avancem "com a urgência que a situação exige, preservando os direitos já conquistados pelos professores e evitando que a comunidade escolar continue penalizada por um impasse que não criou".
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As escolas signatárias dizem ainda que "defender os direitos dos professores e preservar a continuidade do processo educativo não são objetivos incompatíveis, devem caminhar juntos. É por isso que cobramos mais empenho de quem tem a responsabilidade institucional de destravar essa negociação". Leia, na íntegra, a carta aberta.
Carta aberta aos nossos professores, às famílias e à sociedade.
Educação se constrói com diálogo, respeito e responsabilidade.
O momento que vivemos na rede particular de ensino em Belo Horizonte e Região Metropolitana exige serenidade e, sobretudo, ação efetiva de quem tem a responsabilidade de conduzir essa negociação.
A Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria encerrou sua vigência em 31 de março de 2026 e, passados mais de cinco meses, ainda não foi assinada. Essa demora recai, de forma desproporcional, sobre professores, famílias e escolas. Estamos em tratativa com o Sinepe, entidade que representa as instituições nessa negociação, para uma célere resolução desse impasse. A insegurança já é real na vida de quem ensina.
A mobilização dos professores recoloca em pauta a valorização dos profissionais da educação e a construção de condições dignas para a docência. Reconhecemos a legitimidade dessa preocupação: valorizar quem ensina é um compromisso permanente, que não depende do ritmo das negociações para existir. As instituições que subscrevem esta carta têm uma relação histórica de respeito com seus professores: antecipam reajustes, oferecem bolsas de estudo para dependentes e garantem benefícios que vão além da própria Convenção.
Defender os direitos dos professores e preservar a continuidade do processo educativo não são objetivos incompatíveis, devem caminhar juntos. É por isso que cobramos mais empenho de quem tem a responsabilidade institucional de destravar essa negociação. Qualquer interrupção das atividades escolares produz impactos que vão além dos muros da instituição e alcançam toda a comunidade escolar e poderiam ser evitados com uma condução mais firme e rápida por parte de quem está à frente da negociação.
Nos mobilizamos e reafirmamos, junto às entidades representativas do setor, para que esse processo avance com a urgência que a situação exige, preservando os direitos já conquistados pelos professores e evitando que a comunidade escolar continue penalizada por um impasse que não criou.
Aos nossos professores, manifestamos nosso respeito, nossa escuta e nosso reconhecimento pelo trabalho que realizam diariamente. As famílias, reafirmamos nosso compromisso com a transparência e a responsabilidade na condução deste momento.
Seguimos abertos ao diálogo e à busca de soluções que valorizem quem ensina e preservem aquilo que nos une: o compromisso com a educação.
Assinam esta carta:
- Colégio Bernoulli Cidade Jardim
- Colégio Bernoulli Go
- Colégio Bernoulli Lourdes
- Colégio Bernoulli Vale do Sereno
- Colégio Franciscano Sagrada Família
- Colégio Loyola
- Colégio Magnum Cidade Nova
- Colégio Magnum Lourdes
- Colégio Marista Dom Silvério
- Colégio Marista Padre Eustaquio
- Colégio Nossa Senhora das Dores - Unidade Floresta
- Colégio Nossa Senhora das Dores - Unidade Pompéia
- Colégio Santa Dorotéia
- Colégio Santo Agostinho Belo Horizonte
- Colégio Santo Agostinho Contagem
- Colégio Santo Agostinho Gutierrez
- Colégio Santo Agostinho Nova Lima
- Colégio São Paulo
- Escola Santo Tomás de Aquino
Impasse
O Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro Minas), que representa os docentes, informou que, atualmente, 47 escolas particulares de Belo Horizonte e da região metropolitana são afetadas pela paralisação. Porém, parte delas continua recebendo os estudantes: os horários das aulas são preenchidos com atividades feitas por monitores ou estagiários.
Os professores já rejeitaram a proposta de dividir a CCT em duas assembleias, sendo que a mais recente foi realizada na manhã desta sexta-feira (10/9). Anteriormente, a classe já havia decidido por um dissídio coletivo, e o caso foi judicializado.
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Na ocasião, os participantes entenderam que a divisão enfraqueceria o poder de negociação e resultaria na perda de benefícios consolidados ao longo dos anos, gerando um cenário de precarização das condições de trabalho.
Atualmente, conquistas como o piso salarial unificado, adicionais por tempo de serviço (quinquênios) e de 20% para atividades extraclasse, recesso e férias coletivas de 30 dias, garantia semestral de salários (que protege contra demissões no meio do ano letivo) e bolsas de estudo integrais para profissionais sindicalizados e os respectivos dependentes são válidas para toda a categoria, independentemente do nível em que o profissional leciona.
Com a divisão, cada segmento passaria a negociar suas próprias cláusulas, sem garantia de manutenção dos padrões atuais. Além da manutenção da CCT atual, sem alterações, a categoria defende também um reajuste salarial de 3,77%, que corresponde ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
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O Sinpro Minas alega que participou das negociações durante um período de aproximadamente sete meses, mas “os donos de escolas estariam colocando a divisão da CCT como condição para fechar um acordo. Por sua vez, o Sinepe-MG afirma que segue de portas abertas para o diálogo.