Cinema escolar: alunos de Nova Lima vencem prêmio em festival internacional
Curta-metragem da Escola George Chalmers aborda o impacto dos data centers no meio ambiente e conquista o 1º lugar no 18º Festival de Cinema Escolar MacacuCine
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O uso cotidiano de dados nas redes sociais consome água potável do planeta? Foi a partir dessa reflexão sobre o impacto invisível da tecnologia no meio ambiente que os estudantes da Escola Municipal George Chalmers, de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, criaram o curta-metragem "Nuvem seca". Escolhido pelo Júri Técnico como o melhor filme na categoria Ensino Fundamental do 18º Festival Internacional de Cinema Escolar MacacuCine, em Cachoeiras de Macacu (RJ), a obra é fruto de uma metodologia viva que une inovação pedagógica, sustentabilidade e protagonismo juvenil.
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Desenvolvido a partir do projeto "Eu digital: tecnologias e identidade” e do laboratório "Cultura Digital Verde”, o curta explora de forma poética e crítica a pegada hídrica dos data centers – as gigantescas infraestruturas que mantêm a internet funcionando às custas de grandes volumes de água limpa em seus sistemas de resfriamento. O título reflete essa contradição: se a chuva vem das nuvens do céu, a "nuvem" do mundo virtual que consome nossos recursos é, na essência, uma "nuvem seca".
Aprendizagem prática
A conquista do festival carioca é o resultado de um processo contínuo de formação guiado pelo educador Otávio Neves. Sob a abordagem da aprendizagem baseada em projetos (ABP), a escola transformou as salas de aula em espaços da cultura "maker", integrando o pensamento computacional à linguagem audiovisual por meio de micro-oficinas práticas de gravação, iluminação e edição.
O filme foi realizado pelos estudantes Alice Mazzo Canazart Nascimento, Ana Luiza dos Santos, Angeline Freitas Melgaço Ramos, Davi Augusto Moura Thomé, Ester Emanuely dos Santos Mauricio, Hemily Sacramento Silva, Jorge Lucas Antero Silva, Maria Eduarda Silva Jerônymo, Miguel Adrian de Jesus Perdigão Menezes, Sophia Pereira Menegotto e Yasmim Gabrielly Santos Oliveira.
Para o professor Otávio Neves, idealizador do "Eu digital", o segredo do sucesso do projeto não está apenas nas ferramentas técnicas, mas na coletividade e no suporte socioemocional oferecido durante o percurso.
"A construção do conhecimento só acontece de forma efetiva quando há colaboração real e coletiva. O papel do professor precisa ser o de um articulador que estimula a autonomia dos estudantes, caminhando ao lado deles na resolução de problemas e na criação de algo com sentido para o mundo", destaca Otávio.
Essa autonomia ficou evidente no set de filmagem. A aluna Ester Emanuely conta que o processo de produção foi desafiador e enriquecedor. "A maior dificuldade foi alinhar as ideias e o roteiro com a equipe. Eram muitas propostas e precisávamos entrar em consenso, o que acabou nos permitindo desviar do texto original para incorporar novos pensamentos durante as gravações", relata.
Impacto e desenvolvimento
O impacto da produção ultrapassou as telas e inaugurou um novo ciclo de conscientização ambiental e digital na comunidade escolar. A estudante Alice Mazzo destaca o orgulho da conquista: "Representar uma escola pública em premiações nacionais e internacionais é incrível. É gratificante ver nosso trabalho expandir a discussão sobre esse tema para outros lugares", afirma.
Além do reconhecimento técnico, a vivência audiovisual fortaleceu o desenvolvimento interpessoal dos alunos. A estudante Maria Eduarda Silva reforça o papel transformador da experiência. "Abordar algo tão importante para pessoas que nem conhecemos, ao mesmo tempo em que estávamos entre amigos e com o apoio do professor Otávio – que sempre colaborou com seu jeito contagiante e dedicado –, me ajudou a aprender a me expressar melhor. Foi uma experiência muito importante para a minha vida pessoal e escolar", pontua.
Com a premiação no MacacuCine – marcando o segundo ano consecutivo em que uma produção da escola é selecionada para o festival –, a Escola Municipal George Chalmers e a Rede Municipal de Nova Lima se consolidam como referências em educação midiática e audiovisual, demonstrando que a tecnologia, quando aliada à empatia e à sustentabilidade, se torna uma poderosa ferramenta de transformação social.
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*Estagiário sob supervisão da subeditora Regina Werneck