REVITALIZAÇÃO

BH assume prédios da Faculdade de Engenharia da UFMG

Tradicional endereço, que abrigava os alunos da área da federal, passou pela administração da Justiça do Trabalho e agora será revitalizado pela prefeitura

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Os prédios que abrigavam a Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) passam a ser controlados pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). Os imóveis localizados na Região Central da cidade passavam por uma indefinição acerca da administração. O município recebeu a guarda e informou que tem a intenção de dar uma nova vida aos edifícios. Uma outra área do imóvel vai ser usada para abrigar servidores, novos comércios, serviços e cultura local.

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O imóvel pertence à UFMG e era usado pelos alunos de engenharia até 2010. A posse dos prédios chegou a ser transferida para o Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG) em 2011.

 

Neste ano, a União concedeu provisoriamente a guarda da área para a PBH, que tem feito visitas rotineiras ao local para planejar as possíveis modificações. A transferência não foi concluída efetivamente em decorrência das restrições impostas pelo período eleitoral.  

A PBH espera o fim desse ciclo para colocar em prática as requalificações do Somos Centro, que nesse endereço envolvem mais de 30 mil metros quadrados de área construída. O prédio Arthur da Costa Guimarães, voltado para a Rua Espírito Santo, que é tombado e será preservado, e o Edifício Álvaro da Silveira, voltado para a Avenida do Contorno, vão ser recuperados e adaptados para novos usos. Um terceiro prédio será mantido, mas a gestão será feita pelo governo federal.

Nos pavimentos superiores dos imóveis, devem funcionar unidades da PBH, enquanto o térreo e o segundo pavimento podem receber comércio, serviços e atividades culturais.

De acordo com o secretário municipal de Política Urbana de BH, Leonardo Castro, a expectativa é de que a ocupação do complexo aumente a circulação de pessoas, fortaleça o comércio e crie condições para a chegada de diferentes negócios e investimentos. 

“Entendemos que o processo de requalificação da área central era estratégico para a prefeitura. Para o município, esses espaços vazios produzem uma externalidade negativa para o espaço urbano. Com a reocupação buscamos inverter essa lógica e transformar esses locais em algo positivo para a cidade”, explicou o secretário. 

A adaptação dos cômodos para locais de moradia foi um dos pontos levantados por Castro, que indicou a inviabilidade financeira das obras e o quanto a reforma para o uso institucional seria mais condizente com a estrutura do endereço. “Os prédios foram pensados para serem salas de aula. A reconversão de uso geraria o custo de mais de R$ 400 mil por unidade de habitação. Esse valor pode ser usado para fazer muito mais moradias em outros locais e atender mais gente.” 

Obras previstas

Os galpões mais deteriorados que fazem parte do complexo, da Rua dos Guaicurus, vão ser retirados para permitir a reorganização do interior do quarteirão. Os edifícios tombados não serão afetados pelas demolições. No local, deve ser construído um edifício cultural suspenso, com um vão no nível da rua para passagem de pedestres e acesso a praça pública interna. 

O projeto prevê ainda um pátio interno e novas conexões entre a Rua dos Guaicurus, Rua da Bahia, Rua Espírito Santo e Avenida dos Andradas. A intenção é abrir o quarteirão para a circulação de pedestres, integrando-o às ruas do entorno. 

A proposta inclui mais de 2.600 metros quadrados de áreas permeáveis e arborizadas, distribuídas entre jardins e espaços de convivência. Estão previstas soluções de acessibilidade, ventilação e iluminação naturais.

"Somos Centro"

O projeto faz parte do plano de requalificação da Região Central de Belo Horizonte, que visa atrair moradores para essa área. Como parte desse projeto estão previstas alterações ou foram feitas obras no Edifício SulaCap, reforma da Praça Rio Branco e ampliação do horário de funcionamento do Parque Municipal. 

A intenção da PBH é usar os imóveis subutilizados e abandonados, estima que cerca de 1.200 galpões se enquadram nesses parâmetros; aumentar a oferta habitacional; revitalizar o centro; melhorar a mobilidade e o meio ambiente; incentivar a moradia perto do trabalho e serviços; reduzir deslocamentos de carro e, consequentemente, diminuir o trânsito; e fortalecer a infraestrutura existente do transporte público. 

“Nas últimas décadas houve um esvaziamento do hipercentro da cidade. Esse movimento continua acontecendo”, narra. “Estimamos que consigamos colocar 2400 servidores para trabalhar nesses edifícios, em uma região irrigada por transporte coletivo, metrô, BRT, ônibus de todos os lugares da cidade e da Região Metropolitana. A intenção é reverter esse processo de esvaziamento”, indicou o secretário.  

O município estima, neste primeiro momento, que o investimento para as obras é de R$150 milhões. A intenção da prefeitura é avaliar o modelo de contratação para a implantação e manutenção do complexo. A possibilidade de uma Parceria Público-Privada não foi descartada. O cronograma de contratação e estruturação das obras pode chegar a dois anos e meio. 

A PBH espera seja feita, com essas obras de recuperação do edifício tombado e a instalação das unidades municipais, a transformação do quarteirão que permaneceu quase duas décadas sem uso. “Temos feito uma série de ações no centro da cidade. Queremos que a requalificação do centro proponha o redescobrimento desse lugar como um ponto central e importante para a cidade. Isso vai incentivar a produção de moradia para os próximos anos”, enfatizou Castro. 

Histórico do local

O complexo de prédios da Escola de Engenharia, a 200 metros da Praça da Estação, foi inaugurado em 1959. Possui traços modernistas e racionalistas projetados pelo arquiteto Eurípedes Santos e e pelo engenheiro e professor Alberto Mazoni de Andrade, sendo tombado pelo patrimônio municipal em 1998.

A destinação dos prédios passou por idas e vindas durante os últimos anos. Efetivamente, a UFMG abdicou dos edifícios em 2010, quando todos os alunos de Engenharia foram transferidos para o Câmpus Pampulha. Em 2011, o prédio foi passado ao Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais.

Em 2014, a Câmara Municipal de BH havia aprovado um projeto enviado pela própria prefeitura para implantação de obras para criação de 48 novas Varas do Fórum de Justiça do Trabalho. Ao todo, o edifício contaria com 70 Varas. O projeto permitia  construções maiores do que as admitidas à época.

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Neste ano, o TRT-MG devolveu o controle do endereço à União que, agora, repassou a Prefeitura de Belo Horizonte.

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