CRIMES DENUNCIADOS POR CHEFE DE COZINHA

Professor da UFMG que humilhou cadeirante em BH vira réu por dois crimes

Por meio das redes sociais, o docente da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) chegou a pedir desculpas sete dias após o ocorrido

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A Justiça tornou réu um professor universitário acusado dos crimes de injúria e discriminação de pessoa em razão da deficiência após um desentendimento em um restaurante no Bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Pedro Benedito Casagrande havia sido denunciado pelo Ministério Público no fim de julho. O episódio aconteceu em 12 de fevereiro. 

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"Determino a citação do acusado para responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 dias, constando no instrumento de citação a advertência de que, não apresentada a resposta no prazo legal, será nomeada a Defensoria Pública", disse o juiz Bernardo Campos Mitre, da 9ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte, em decisão assinada nessa terça-feira (4/8). 

Por meio das redes sociais, o docente da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) chegou a pedir desculpas sete dias após o ocorrido, frisando ter consciência de que o pedido de perdão não apaga o erro. Relembre mais abaixo. 

Como mostrou o Estado de Minas, de acordo com o relato da chef Juliana Duarte, proprietária do restaurante Cozinha Santo Antônio, na Rua São Domingos do Prata, ela, o marido, que se chama Pedro e é cadeirante, e a cuidadora, Raquel, se depararam com um veículo estacionado de maneira irregular, sobre a faixa de pedestres, bloqueando a rampa de acessibilidade, quando chegavam ao estabelecimento.

Ao identificar o proprietário em um bar vizinho, Juliana solicitou a retirada do veículo e questionou se ele "não tinha vergonha" da infração. "Não. Sou escroto, mas vou tirar o carro mesmo assim", teria dito o homem. Ao manobrar para sair, ele desferiu a primeira ofensa a Pedro: "Tchau, cadeirante! Espero que você ande muito por aí".

Após o primeiro embate, o professor seguiu para casa, enquanto Juliana permaneceu no restaurante. Por volta das 22h26, o professor voltou ao estabelecimento. "Ele entrou altivo, com um sorriso no rosto. Achei que iria pedir desculpas, mas ele se aproximou e disse: 'E aí, ele voltou a andar?'. Virou as costas e foi embora", relatou Juliana.

Na denúncia que a Justiça recebeu, o Ministério Público destacou que a vítima, com condição neurológica degenerativa, "apresentou intenso sofrimento emocional após os fatos". 

Conforme relatado nos autos, o cadeirante chorou ao chegar em casa, tornou-se mais retraído e passou a demonstrar resistência para sair e frequentar o restaurante da família. 

Retratação: "Meu pedido de perdão não apaga o erro"

Cerca de uma semana depois do ocorrido, Pedro publicou um pedido de desculpas no Instagram. "O que fiz foi grave e inaceitável. Minha conduta foi errada e atingiu a dignidade de uma pessoa com deficiência e de seus familiares. Meu pedido de perdão não apaga o erro nem exige que ele seja aceito. Ele é apenas o reconhecimento público de uma responsabilidade que é exclusivamente minha. Assumo integralmente a responsabilidade pela minha conduta e estou disposto a enfrentar todas as consequências administrativas e legais decorrentes do meu erro", dizia o texto. 

UFMG se posicionou 

A UFMG declarou na ocasião, em nota enviada ao Estado de Minas, que "não tolera qualquer conduta que viole a dignidade humana ou os direitos fundamentais". A ouvidoria da instituição de ensino recebeu uma denúncia sobre o caso e declarou que abriu uma apuração interna contra Pedro. 

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"Os servidores devem pautar sua atuação pelos princípios da legalidade, da moralidade, da ética e do respeito irrestrito aos direitos humanos, dentro e fora do ambiente universitário, nos termos da lei que rege a atuação de servidores públicos", declarou em parte do comunicado. Leia na íntegra aqui

 

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