Um idoso de 72 anos, morador do Bairro Venda Nova, em Belo Horizonte, está internado em estado grave no Hospital João XXIII após ter sido agredido por populares na Estação Move Rio de Janeiro, na Região Central da capital. José Carlos Marques seguia para o trabalho, — onde ele atua como manobrista em uma empresa de estacionamento particular, — quando foi acusado de importunação sexual dentro de um ônibus da linha 61.

O caso aconteceu na manhã do dia 17 de julho, por volta das 9h. Segundo o boletim de ocorrência, a Guarda Civil Municipal foi acionada acionada após um guarda municipal presenciar um homem sendo agredido por passageiros na estação do Move Rio de Janeiro.

De acordo com o registro policial, uma mulher relatou que, durante o trajeto no coletivo, José Carlos teria permanecido atrás dela e encostado repetidamente as partes íntimas contra o corpo dela. A vítima afirmou que inicialmente pensou que o contato pudesse ser causado por uma bolsa, mas a filha, que a acompanhava no ônibus, teria percebido a situação e confirmado que o contato ocorreu de forma intencional.

Quando o ônibus chegou à Estação Move Rio de Janeiro, passageiros retiraram o idoso do veículo e iniciaram as agressões. Um guarda municipal que passava pelo local interveio e conseguiu impedir que ele continuasse sendo espancado.

José Carlos apresentava lesões aparentes no nariz, na boca e no olho e foi levado para atendimento na UPA Centro-Sul e, depois, encaminhado à delegacia. Segundo a defesa, ele não respondia aos comandos quando foi transferido para o sistema prisional. O idoso então foi levado ao Hospital João XXIII, onde permanece internado com traumatismo craniano e outras lesões decorrentes das agressões.

Liberdade provisória

O idoso passou por audiência de custódia e teve a prisão convertida em liberdade provisória. A Justiça impôs medidas cautelares, como a proibição de deixar a Região Metropolitana de Belo Horizonte por mais de 30 dias sem autorização judicial, obrigação de manter o endereço atualizado e comparecer aos atos do inquérito e eventual processo, além da proibição de se aproximar das vítimas.

Na mesma decisão, o juiz determinou a preservação das imagens das câmeras do ônibus da linha 61 e da Estação Move Rio de Janeiro, além da requisição dos prontuários médicos da UPA Centro-Sul e do Hospital João XXIII e do laudo de exame de corpo de delito.

O magistrado considerou que as imagens são relevantes tanto para esclarecer a dinâmica da suposta importunação sexual quanto para apurar as agressões sofridas pelo idoso, já que existe risco de perda dessas gravações por sobrescrita automática.

O advogado da família, Gilmar Francisco alega que, até o momento, as imagens do ônibus e da Estação Move Rio de Janeiro não foram disponibilizadas voluntariamente para a família nem para a defesa.

Segundo ele, foi necessário pedir judicialmente a preservação das provas. A decisão determinou que sejam guardadas as imagens internas do ônibus da linha 61, as imagens externas da estação, na Rua Rio de Janeiro, além dos prontuários médicos da UPA Centro-Sul e do Hospital João XXIII.

Para a defesa, esses documentos são fundamentais para esclarecer a dinâmica do que aconteceu dentro do coletivo e também para demonstrar a real situação clínica de José Carlos após as agressões.

Gilmar Francisco afirmou ainda que o estado de saúde do idoso é extremamente grave. Segundo ele, José Carlos não responde aos comandos médicos e apresenta comprometimento dos rins em razão das medicações utilizadas durante a internação.

O advogado também sustenta que existem relatos de testemunhas indicando que não teria ocorrido importunação sexual. Segundo essas pessoas, a mochila ou a pasta carregada por José Carlos poderia ter encostado na mulher dentro do ônibus e ela própria não teria percebido uma importunação naquele momento.

De acordo com a defesa, a acusação teria partido de outros passageiros do coletivo, que passaram a reagir e a incitar as agressões contra o idoso.

A família sustenta ainda que o idoso tem vida social conhecida na comunidade onde mora, é casado há 25 anos, trabalha regularmente como manobrista e nunca respondeu anteriormente por crimes sexuais. Vizinhos compareceram ao Hospital João XXIII para prestar apoio à família e se colocaram à disposição para depor sobre a conduta dele ao longo dos anos.

Outro ponto citado pelo advogado é que José Carlos fazia tratamento para problemas de pressão arterial e utilizava medicação contínua. A defesa afirma que ele poderia estar sonolento dentro do ônibus no momento da ocorrência.

Além da investigação sobre a denúncia de importunação sexual, a Polícia Civil também deverá apurar as agressões sofridas por José Carlos. Segundo informações repassadas pela defesa, os homens apontados como participantes do espancamento teriam entre 19 e 41 anos.

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A reportagem procurou a Polícia Civil de Minas Gerais para obter informações sobre o andamento da investigação e questionou se os envolvidos nas agressões já foram identificados e qual é a situação atual do inquérito. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno da corporação.

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