A defesa do sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, suspeito de matar a companheira, a capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Michele Leão Azevedo, de 41 anos, deixou de representá-lo. O escritório criminalista de Gustavo Nepomuceno Lopes informou o encerramento da própria atuação no caso nesta quinta-feira (23/7).

O escritório informou que "em respeito ao sigilo profissional, à ética da advocacia e aos deveres inerentes à relação entre advogado e cliente, não serão prestados esclarecimentos acerca dos motivos do encerramento da representação".

Ainda de acordo com o criminalista, "não serão concedidas novas entrevistas ou manifestações sobre o mérito da investigação". A defesa do sargento também afirmou que "deseja que os fatos sejam integralmente esclarecidos pelas autoridades competentes, com observância ao devido processo legal".

Nessa terça-feira (21/7), a Justiça decretou sigilo do Auto de Prisão em Flagrante Delito (APFD), restringindo o acesso público às informações do processo, com a intenção de resguardar direitos fundamentais, como a intimidade e a vida privada, dos envolvidos.

Já na quarta-feira (22/7), o juiz Antônio Francisco Gonçalves, da Central de Audiência de Custódia de Belo Horizonte, decidiu pela conversão da prisão em flagrante em preventiva. Portanto, o sargento responderá ao processo preso.

Entenda o caso

Eduardo Abner foi preso em flagrante na segunda-feira (20/7), mesmo dia em que levou Michele ao Hospital Odilon Behrens, no Bairro São Cristóvão, na Região Noroeste da capital, onde a morte da capitã foi confirmada. Na ocasião, o sargento disse à equipe médica que a companheira havia sofrido uma queda em uma escada, no edifício onde viviam, no Bairro Santa Cruz.

No entanto, a extensão e a gravidade dos ferimentos no corpo de Michele, especialmente no rosto, levantaram suspeitas imediatas da equipe médica e dos policiais. Segundo o delegado Saulo Castro, o grau das lesões aponta para a intenção deliberada de agressão e de feminicídio.

Histórico abusivo

Além das marcas de agressão que fizeram os profissionais de saúde questionarem a versão sobre a queda acidental, o comportamento do sargento no hospital agravou sua situação. Durante as checagens iniciais no local, um tenente da PMMG flagrou Eduardo descartando 18 comprimidos de ecstasy em um dos banheiros da unidade de saúde, o que também resultou no registro de autuação por tráfico de drogas.

Informações preliminares e testemunhas ouvidas pelas autoridades apontam que o casal vivia um relacionamento instável e marcado por contornos abusivos, com idas e vindas ao longo de oito anos, além de violência psicológica e moral praticada pelo sargento. Questionada sobre a existência de procedimentos internos anteriores contra o suspeito na corregedoria, a PMMG informou que ainda não tem esse levantamento.

Em depoimento prestado à polícia, o sargento tentou justificar que o casal realizou uma festa em casa e que ambos consumiram bebidas alcoólicas e substâncias entorpecentes. Eduardo afirmou ainda que, após a saída dos convidados, os dois tiveram relações sexuais consensuais e alegou que as práticas íntimas do casal frequentemente envolviam agressões consentidas.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Quem era a capitã Michele?

A capitã Michele Leão Azevedo ingressou na Polícia Militar de Minas Gerais em 2010, após se formar pelo Curso de Formação de Oficiais. Reconhecida no meio acadêmico e institucional, atuava na área de defesa e segurança pública. Entre 2022 e 2023, Michele concluiu uma pós-graduação no Instituto Federal do Sul de Minas (Ifsuldeminas), na qual defendeu um estudo focado na aplicação da jurisprudência dos Tribunais Superiores dentro da PMMG.

compartilhe