Levino da Costa Jesus, que alcançou a impressionante marca dos 119 anos, morreu neste domingo (19/7), em Pará de Minas, região Central do estado. O anúncio foi feito pelo lar de idosos Cidade Ozanan, onde vivia desde os 100 anos. A causa da morte não foi divulgada.
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“Com o coração apertado nos despedimos do nosso querido Sr. Levino”, diz a postagem feita pela casa no Instagram. “Sua partida deixa um vazio imenso, mas seu legado de alegria e resiliência permanecerá para sempre em nossos corações”, conclui.
Mesmo com a idade avançada, Levino manteve sua independência, comendo e bebendo sozinho, assim como o seu bom humor. “Brigar não é bom não! Bom é a amizade. Fazer tudo na lei de Deus e Nossa Senhora”, o centenário declara, com um sorriso, em um dos vídeos compartilhados pela Casa Ozanan.
Caroline Moreira, psicóloga da instituição há seis anos, conta que Levino chegou à Cidade Ozanan já com 100 anos acompanhado do irmão e faleceu pouco depois. Mesmo com a idade avançada, ele andava sozinho para todo lado e adorava participar das atividades da casa. A dança e a música tinham um espaço especial em seu coração.
“Ele gostava muito de dançar. Mesmo quando já estava na cadeira de rodas, com a ajuda das cuidadoras e da fisioterapeuta, ele participava dos grupos de música. Ele era muito alegre, sereno e carinhoso. Gostava muito de conversar sobre a sua história de vida, contar os casos de quando ele morava na roça e das pescarias”, conta Caroline.
Entre as memórias que Caroline vai guardar de Levino está o café compartilhado e o bom humor que ele manteve até o fim. Em seu aniversário de 119 anos, comemorado em maio deste ano, ele participou da comemoração com direito a bolo, show e salgadinhos.
“Todo ano a gente comemorava, ele adorava e ficava muito feliz com as festinhas dele. Outra coisa marcante dele é que ele sempre gostou muito de café com bolo, agora sempre que a gente for tomar café, a gente vai lembrar dele”, declara a psicóloga.
Segundo ela, a Cidade Ozanan tentou inscrever Levino para entrar no livro dos recordes como a pessoa mais velha do mundo, mas o processo não foi adiante pela dificuldade de reunir fotografias antigas que comprovassem sua identidade.
Centenários brasileiros
De acordo com o RankBrasil, livro dos recordes nacionais que existe desde 1999, o homem mais velho do país é Luis Carlos dos Santos, conhecido como Luizinho, com 118 anos. Ele nasceu no dia 15 de fevereiro de 1908 em Elói Mendes, no Sul de Minas. Desde 1971 ele mora no lar São Vicente de Paulo, em sua cidade natal, onde também é o residente mais antigo da casa.
Além disso, segundo o Guinness Book, o livro dos recordes mundial, o homem mais velho do mundo reside no Brasil. João Marinho Neto nasceu no dia 5 de outubro de 1912 em Maranguape, no estado do Ceará. Ele tinha 113 anos e 178 dias de vida em 1º de abril deste ano, dia em que o título foi reconhecido oficialmente. Hoje ele vive na cidade de Apuiarés, no mesmo estado. Já a britânica Ethel Caterham é a mulher e a pessoa mais velha do mundo. Em 1º de abril, ela tinha 116 anos e 223 dias completos.
Para entrar em quaisquer livros de recordes é necessário que a própria pessoa ou alguém próximo faça a inscrição junto às organizações. Depois começa o processo de apuração e comprovação das informações por meio de documentos como certidão de nascimento, de casamento e outros registros oficiais. Dessa forma, é possível que uma pessoa esteja em um livro, mas não em outro, ou que uma pessoa ainda mais velha não entre para os rankings.
Quebrando a barreira dos 100 anos
Se tornar um centenário não é uma tarefa fácil. No censo de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram identificados 37.814 brasileiros com 100 anos ou mais. Destes, 10.570 são homens e 27.244 são mulheres.
Já em Minas Gerais, existem 4.104 pessoas que ultrapassaram a barreira dos cem anos, o que representa 0,01% da população, segundo o censo. O estado é o terceiro com maior concentração de centenários do país, atrás da Bahia, com 5.336 idosos, e São Paulo, com 5.095.
A tarefa parece mais fácil para as mulheres, uma vez que foram registrados 1.109 homens com mais de um século de vida em Minas, enquanto o número de mulheres chega a 2.995, ou seja, mais que o dobro. A mesma observação pode ser feita também em Belo Horizonte. Dos seus 652 centenários, 525 são mulheres, o que representa 0,02% dos habitantes, e apenas 127 são homens, representando 0,01%.
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Ainda segundo o IBGE, a expectativa de vida vem subindo ao longo do tempo. Em 1940, a média de vida chegava a apenas 45,5 anos, mas pulou para 57,6 anos em 1970. A expectativa da população brasileira chegou a uma média de 76,6 anos em 2024, sendo maior para mulheres (79,9 anos) do que para os homens (73,3 anos). O único período em que a taxa declinou foi na pandemia de Covid-19, quando a expectativa de vida era de 72,8 anos.
