Proposta para mudar desfiles do carnaval de BH em 2027 divide entidades
Liga das Escolas de Samba propõe transferir desfiles para 12, 13 e 14 de fevereiro. Pedido ainda segue sendo analisado pela Belotur
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Uma proposta para mudar as datas dos desfiles das escolas de samba de Belo Horizonte no carnaval de 2027 abriu um impasse entre representantes da folia na capital mineira. Enquanto a Liga das Escolas de Samba de Minas Gerais (A Liga) quer que as apresentações sejam transferidas dos dias 8 e 9 de fevereiro para 12, 13 e 14 do mês, as outras entidades discordam sobre os impactos da mudança para a festa. O pedido ainda segue em análise pela Empresa Municipal de Turismo de BH (Belotur).
O carnaval de Belo Horizonte prevê programação entre 23 de janeiro e 14 de fevereiro de 2027. Dentro desse período, os desfiles estão marcados para 8 e 9 de fevereiro, na Avenida Afonso Pena. Na segunda-feira se apresentam os Blocos Caricatos e as escolas do Grupo de Acesso. Já na terça-feira, será a vez das escolas do Grupo Especial.
A proposta apresentada pela A Liga que representa nove das 13 escolas de samba da capital – Unidos dos Guaranys, Boa Vista, Canto da Alvorada, Cidade Jardim, Imperavi de Ouros, Mocidade Independente da Pampulha, Mocidade Verde Rosa, Raio de Sol e Unidos da Zona Leste – altera essa organização e prevê a realização do Carnaval de Passarela durante três dias consecutivos: 12, 13 e 14 de fevereiro, no encerramento da programação oficial da folia.
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De acordo com a entidade, a mudança surgiu após discussões entre as escolas de samba filiadas e parte do entendimento de que a capital mineira reúne características diferentes de outros carnavais brasileiros. O argumento é que a cidade concentra oficialmente escolas de samba, blocos caricatos e blocos de rua em uma mesma programação, o que faz com que essas manifestações culturais disputem público, visibilidade e cobertura da imprensa.
Outro ponto levantado pela entidade é a concorrência com os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo. Na avaliação da A Liga, as apresentações realizadas na segunda e terça-feira de carnaval acabam dividindo espaço com eventos de grande repercussão nacional e também com a intensa agenda dos blocos de rua da própria cidade.
A proposta também é defendida como uma forma de fortalecer o Carnaval de Passarela e ampliar as oportunidades para artistas, ritmistas, músicos, aderecistas, costureiras, carnavalescos e demais trabalhadores envolvidos na produção dos desfiles. Para a entidade, reservar dias específicos para cada manifestação permitiria que escolas de samba, blocos caricatos e blocos de rua tivessem maior protagonismo dentro da programação.
Apesar dos argumentos apresentados, a mudança não é consenso entre os representantes do carnaval belo-horizontino.
A Liga Independente das Escolas de Samba de Minas Gerais (Lies-MG), que representa as outras cinco escolas da capital – Acadêmicos de Venda Nova, Triunfo Barroco, Estrela do Vale, Bem-te-Vi e Imperatriz de Venda Nova –, informou que não considera adequada uma alteração sem que sejam apresentados estudos técnicos capazes de comprovar os benefícios da medida.
Segundo o presidente da Lies-MG, Lúcio Wanderley, uma mudança dessa dimensão precisa ser amplamente debatida entre todas as entidades envolvidas e baseada em critérios técnicos, planejamento e transparência. Enquanto isso não ocorrer, a entidade defende a manutenção dos desfiles na segunda e terça-feira de carnaval, como ocorre tradicionalmente.
Apesar da posição contrária, a liga afirma permanecer aberta ao diálogo institucional para discutir alternativas que fortaleçam o carnaval de Belo Horizonte.
Preservação da história
Também contrária à proposta está a Liga Independente de Blocos Caricatos e Carnavalescos de Minas Gerais (Blocar/MG). Segundo a entidade que representa os blocos, Aflitos do Anchieta, Corsários do Samba, Estivadores do Havaí e Piratas do Pedro II, a notícia sobre a possível mudança chegou inicialmente de forma informal, por meio das escolas de samba, sem a apresentação de estudos sobre impactos estruturais, logísticos ou de divulgação.
O presidente da Blocar/MG, Juólison Mangabeira, afirmou que a principal preocupação é retirar os desfiles do período oficial do carnaval brasileiro sem garantias de que a mudança produzirá resultados positivos.
Mangabeira também questiona a justificativa de ampliar o espaço das escolas de samba, argumentando que os blocos caricatos – considerados a primeira manifestação carnavalesca organizada de Belo Horizonte – precisam ter seus direitos preservados. Ele lembra que os blocos caricatos são protegidos por legislação específica, incluindo a Lei Geral do Carnaval e a lei de proteção aos blocos caricatos, sancionada em janeiro de 2025.
Antes de qualquer alteração, Mangabeira ressalta que é necessário conhecer todos os estudos técnicos e assegurar que os direitos dessas agremiações serão respeitados. A entidade também demonstra preocupação com a diminuição do número de blocos caricatos ao longo dos anos. Belo Horizonte já teve mais de 120 blocos caricatos, enquanto apenas sete desfilaram no carnaval de 2026.
Outros representantes dos blocos caricatos também foram procurados, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Belotur analisa a proposta
A reportagem também foi atrás da Belotur para saber como está o andamento, e por meio de nota, informou que a proposta ainda está em análise. "A avaliação considera aspectos técnicos, operacionais, logísticos e os impactos na execução do evento, na programação do carnaval de Belo Horizonte como um todo e nas demais ações previstas para o período."
Além disso, o órgão reforçou que a decisão não envolve apenas a proposta apresentada pela A Liga, mas também o diálogo e a escuta das demais entidades representativas das escolas de samba e dos blocos caricatos, blocos de rua e kandandu, bem como dos órgãos públicos e instituições que participam da organização do carnaval.
"Por se tratar de uma decisão que impacta diferentes segmentos da cadeia carnavalesca e a operação do evento, a Belotur está conduzindo essa análise de forma criteriosa e participativa."
Questionada sobre o prazo de resposta, a Belotur disse que "ainda não há uma definição para conclusão da análise da solicitação. Desde o mês de maio, representantes das partes vêm se reunindo para discutir o tema e buscar os encaminhamentos necessários."
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*Estagiária sob supervisão da subeditora Regina Werneck