LATROCÍNIO EM BH

Morte de idosos: diarista questionou se perita 'já matou galinha'

De acordo com a polícia, suspeita mudou versões do duplo homicídio ao longo da investigação e demonstrou frieza durante a reconstituição do crime

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A diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, demonstrou frieza durante a reconstituição do latrocínio que matou o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a esposa dele, Maria Clotilde Atala Inácio, de 76, no Bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

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Durante coletiva realizada nesta terça-feira (14/7), o chefe da Divisão Operacional do Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri), delegado João Prata, afirmou que a investigada apresentou comportamentos que chamaram a atenção dos policiais ao longo da investigação e classificou a diarista como uma pessoa "fria e dissimulada".

"Ela é muito dissimulada. Durante a prisão, lá no hotel de Itabira, ela veio com uma versão. Durante a reconstituição, veio com outra. E já aqui, durante a sua segunda oitiva, porque na primeira permaneceu em silêncio, trouxe outro tipo de narrativa", afirmou.

Segundo Prata, um dos episódios que mais chamou a atenção dos investigadores ocorreu durante a reconstituição do crime, quando uma perita perguntou à diarista como ela teria desferido os golpes contra as vítimas.

"Uma das coisas que nos chocou durante a reconstituição foi quando ela foi indagada pela perita sobre como teria desferido os golpes e perguntou para a perita se ela já tinha matado uma galinha", relatou o delegado.

Para João Prata, a reação demonstrou a forma como a investigada encarava a situação. Segundo ele, ao longo da reprodução simulada dos fatos, Paola respondeu a questionamentos sobre a movimentação dentro do apartamento, relembrou detalhes do dia do crime e demonstrou tranquilidade diante da equipe policial.

De acordo com o delegado, a suspeita chegou a demonstrar preocupação com questões consideradas irrelevantes diante da gravidade do caso. "Ela estava preocupada com o cabelo, preocupada com as unhas."

O policial destacou que a diarista se recordava de diversos detalhes sobre a rotina daquele dia, os deslocamentos realizados após deixar o apartamento e os objetos que retirou da residência. No entanto, segundo ele, passou a alegar falta de memória justamente quando questionada sobre os assassinatos.

"Ela narra todos os fatos, lembra de tudo nitidamente. Mas, no que tange a quem foi a primeira vítima, porque atacou e qual a sequência cronológica, ela começa a dar uma de desentendida", disse.

Para a Polícia Civil, as mudanças de versão apresentadas pela investigada ao longo da apuração reforçam o entendimento de que ela tinha consciência dos atos praticados. Segundo o delegado, o  comportamento foi observado desde a prisão da suspeita em Itabira.

'Plenamente imputável'

O delegado também comentou o pedido da defesa para que Paola seja submetida a um exame de sanidade mental. Embora a avaliação caiba à perícia especializada e à Justiça, Prata disse não ter dúvidas sobre a imputabilidade da investigada.

"Não tenho sombra de dúvidas que ela era plenamente imputável. Inclusive, durante o ataque, entrou em luta corporal com as vítimas", declarou.

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Segundo a Polícia Civil, a investigação concluiu que Paola agiu sozinha no crime. A corporação descartou qualquer participação do motorista de aplicativo que apareceu em imagens próximas ao local e também afirmou não ter encontrado indícios de que alguém tenha fornecido informações privilegiadas sobre os bens existentes na residência.

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