CRIME NO SÃO PEDRO

Relógios furtados por diarista suspeita de matar casal em BH são devolvidos

Diarista confessou ter cometido o crime por motivação financeira. Ela vendeu os relógios, mas a pessoa que comprou os itens os devolveu à polícia

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A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou, nesta sexta-feira (3/7), que os relógios pertencentes ao casal de idosos morto a facadas no Bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte foram localizados e devolvidos pelo comprador nessa quinta-feira (2/7). 

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Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, foi presa na noite de quarta-feira (1°/7) e confessou ter assassinado o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76. A diarista também furtou joias, relógios e R$ 18 mil, em dinheiro.

Segundo a corporação, não há indícios de que o comprador tenha agido de má-fé. As circunstâncias da aquisição das joias e dos relógios estão sendo apuradas para saber se houve receptação. De acordo com a PCMG, a participação de outros envolvidos também é investigada.

A suspeita, encontrada em um hotel de Itabira, na Região Central de Minas Gerais,  passará por audiência de custódia nesta sexta-feira (3/7) na Central de Audiência de Custódia (CEAC/BH), no Bairro Lagoinha, em BH.

Segundo sua confissão aos investigadores, o crime foi motivado pelo desejo financeiro de "curtir a vida", apesar de a diarista alegar ter quitado dívidas anteriores com agiotas. Paola contou à polícia que preparou um suco no liquidificador com quatro comprimidos de um medicamento controlado que utilizava para tratar depressão. Após o consumo da bebida, o casal começou a adormecer, o que facilitou o início do furto.

A situação escalou para o homicídio quando Cláudio Atala despertou durante o roubo. Segundo a versão de Paola, ela pegou uma faca na cozinha para ameaçá-lo, mas, diante da tentativa de reação do idoso, iniciou o ataque. Exames periciais confirmaram a brutalidade. O advogado foi golpeado 17 vezes, enquanto Maria Clotilde, que ainda estava sonolenta devido ao medicamento, foi morta com cerca de sete facadas.

O que se sabe até agora?

A investigação da PCMG reuniu elementos sobre a dinâmica do crime:

Confissão e método: Paola confessou aos policiais ter dopado as vítimas com quatro comprimidos de um medicamento controlado, utilizado por ela para tratar depressão, misturados em um suco.

Violência: após o casal adormecer, Paola teria iniciado o furto. Ao ser surpreendida por Cláudio Atala, ela utilizou uma faca para atacá-lo. Os exames periciais constataram que o advogado foi atingido por cerca de 17 facadas, enquanto Maria Clotilde sofreu 7 golpes.

A fuga: Depois do crime, a suspeita lavou a faca, trocou de roupa – utilizando peças da vítima – e recolheu cerca de R$ 18 mil, além de joias e relógios. Ela deixou o local em um carro, pagando R$ 40 por uma corrida até a região da Praça Sete, no Centro de BH.

Motivação: a diarista alegou que o crime foi motivado por questões financeiras, afirmando que, embora tenha quitado dívidas com agiotas anteriormente, queria dinheiro para "curtir a vida", além de confessar ser viciada em jogos de azar e acumuladora compulsiva.

O que ainda não foi esclarecido?

Participação de um comparsa: a possibilidade de que Paola tenha agido com a ajuda de outra pessoa ainda não foi descartada e segue sendo investigada pela Polícia Civil.

Identificação do motorista: a polícia busca identificar e ouvir o motorista (possivelmente de aplicativo) que transportou Paola até a região da Praça Sete, no Centro de Belo Horizonte, após o crime.

Esclarecimento sobre o furto anterior: o primo da idosa assassinada, Vinícius Mitre, suspeita de ter sido dopado e furtado por Paola no dia 13 de junho, mas afirmou não ter provas, e o caso ainda será alvo de investigação policial. Paola trabalhava na casa dele como diarista e, por isso, ele indicou a suspeita para prestar serviço na casa do casal

Avaliação da saúde mental: a defesa pretende solicitar um incidente de insanidade mental. A Polícia Civil ainda precisa ter acesso à documentação médica que comprove o estado de saúde da suspeita, que será analisado de forma técnica para verificar se é necessário o pedido de perícia oficial durante a ação penal.

Premeditação: embora a apreensão de cerca de 50 comprimidos na bolsa da suspeita indique premeditação, as investigações continuam para confrontar a versão apresentada pela diarista com as demais provas reunidas para esclarecer todos os detalhes do duplo homicídio.

Cronologia

Outubro de 2025

  • Paola Stefany Neto Cirino começa a prestar serviços de diarista para o advogado Vinícius Mitre

3 de junho de 2026

  • O primo da idosa, Vinícius Mitre suspeita ter sido dopado e furtado por Paola após beberem juntos em um bar. Ele sentiu falta de sua carteira (com cartões e cerca de R$ 700) no dia seguinte. 

Período recente

  • Paola relatou ter visitado o pai no Rio Grande do Sul, desapareceu por três semanas, afirmou estar na Argentina e pediu dinheiro a Mitre para retornar ao Brasil. Ao voltar, Mitre notou comportamento "inconstante", faltas frequentes e recebeu fotos de remédios controlados que ela dizia tomar.

25 de junho de 2026

  • Paola trabalhou normalmente na casa de Mitre e informou que prestaria serviços na residência do casal Maria Clotilde e Cláudio Atala na semana seguinte.

O crime

29 de junho de 2026

  • Paola foi ao apartamento do casal para realizar uma limpeza
  • Segundo a confissão, ela colocou quatro comprimidos de um medicamento controlado (que ela usava para depressão) no suco do casal
  • Entre 30 a 40 minutos depois, as vítimas começaram a adormecer
  • Durante o furto, Cláudio despertou. Paola afirma ter pegado uma faca na cozinha para ameaçá-lo, mas após uma tentativa de reação da vítima, ela o atacou
  • Cláudio Atala, de 75 anos, recebeu cerca de 17 facadas, e Maria Clotilde, de 76 anos, recebeu 7 facadas
    Às 13h34, Paola ligou para Vinícius Mitre dizendo que os idosos estavam passando mal; ele a orientou a entrar em contato com o filho das vítimas
  • Após o crime, Paola se limpou, trocou de roupa (usando peças da vítima), lavou a faca e recolheu dinheiro, joias e relógios antes de fugir em um carro (possivelmente de aplicativo) até a Praça Sete, no centro de Belo Horizonte
  • Câmeras de segurança flagram Paola entrando e saindo do prédio do casal com sacolas

30 de junho de 2026

  • Diante do estranhamento do atraso da diarista, Mitre tentou e não conseguiu contato telefônico com ela
  • Filho do casal estranhou a falta de contato com os pais e vai até o apartamento deles, onde se deparou com a cena

1º de julho de 2026

  • Polícia Civil saiu de BH por volta das 20h30 para realizar a prisão
  • Por volta das 22h, Paola foi detida em um hotel em Itabira, onde estava hospedada com o filho de 6 anos

2 de julho de 2026

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  • A Polícia Civil deu uma entrevista coletiva pela manhã detalhando as investigações
  • Relógios pertencentes às vítimas são localizados e devolvidos pelo comprador

3 de julho de 2026

  • Data prevista para a audiência de custódia da suspeita.

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