Vale patrocina Mercado Central e devolve nome tradicional
Parceria prevê melhorias até o centenário do centro de compras, em 2029. Mineradora decide preservar a identidade de um dos maiores patrimônios culturais de BH
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Poucos lugares representam tão bem a história, a gastronomia e a cultura mineira quanto o Mercado Central. De olho na modernização sem abrir mão da própria identidade, um dos principais cartões-postais de Belo Horizonte inicia uma nova fase em parceria com a Vale mantendo seu nome original. O projeto prevê investimentos em infraestrutura, sustentabilidade e ações voltadas à comunidade até 2029, ano em que o espaço celebra seu centenário.
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A parceria adota um modelo chamado "right naming", que mantém o nome “Mercado Central” e preserva sua identidade e legado, um modelo diferente do tradicional "naming rights", adotado pela plataforma de apostas esportivas KTO, quando firmou parceria com o mercado em setembro de 2024 e passou a chamar: "Mercado Central KTO".
Segundo o diretor de comunicação e marca da Vale, Leandro Modé, preservar o nome foi uma forma de reconhecer o forte vínculo emocional que a população mineira mantém com o mercado.
"Se é importante para os mineiros, é importante para a Vale. Cultura é um dos pilares do nosso compromisso social. Ela promove o desenvolvimento sustentável dos territórios, amplia oportunidades, fortalece identidades e cria vínculos que transformam a sociedade. O Mercado Central permanece com o nome que o tornou referência para gerações de belo-horizontinos e visitantes, enquanto ganha um parceiro comprometido com sua continuidade e valorização", afirmou.
Segundo a Vale, a proposta é construir as melhorias de forma compartilhada com quem convive diariamente com a realidade do mercado. As demandas virão dos lojistas e serão discutidas em assembleias e aprovadas por votação. Depois dessa etapa, caberá à mineradora viabilizar os projetos escolhidos.
Até o centenário do Mercado Central, em 2029, a expectativa é que uma série de melhorias seja implementada de forma gradual. O plano reúne intervenções estruturais, projetos de sustentabilidade e iniciativas voltadas ao fortalecimento da relação do espaço com a comunidade.
Para o presidente do Mercado Central, Geraldo Campos, a parceria alia inovação e preservação da identidade do espaço. "Essa parceria representa um olhar para o futuro sem perder de vista a nossa essência. Contar com uma empresa como a Vale, que respeita nossa história e valoriza a participação dos lojistas, é fundamental para seguirmos evoluindo", destacou.
Patrimônio mineiro
A história do Mercado Central começou em 7 de setembro de 1929. Criado pelo então prefeito Cristiano Machado, o espaço surgiu como um mercado municipal a céu aberto destinado a concentrar o abastecimento da capital. Nas décadas seguintes, tornou-se referência para comerciantes, produtores rurais e consumidores, acompanhando o crescimento de Belo Horizonte.
Na década de 1960, porém, o Mercado Central viveu um dos momentos mais delicados de sua história. A ameaça de fechamento mobilizou os comerciantes, que se uniram para comprar o terreno e construir a estrutura coberta que abriga o empreendimento até hoje.
Ao longo dos anos, o Mercado Central deixou de ser apenas um espaço de comércio para se tornar um dos maiores símbolos da cultura mineira. Ponto de encontro de moradores, parada obrigatória para turistas e cenário de tradições que atravessam gerações, seus corredores reúnem aromas, sabores e histórias que traduzem a essência de Minas.
Entre queijos, doces, cachaças, temperos, artesanato, flores, bares e restaurantes, cada visita proporciona uma experiência autêntica, onde a gastronomia, a hospitalidade e a identidade do estado se encontram em um só lugar.
Com 24 mil metros quadrados de área e aproximadamente 400 lojas, o mercado abre de domingo a domingo e recebe cerca de 15,5 milhões de visitantes anualmente, mantendo-se entre os principais atrativos turísticos da capital.
É justamente esse peso histórico e cultural que a nova parceria pretende preservar. Ao manter o nome que atravessou gerações, enquanto financia melhorias para os próximos anos, a Vale aposta em um modelo que busca conciliar investimento privado, participação dos comerciantes e valorização de um dos patrimônios mais conhecidos de Minas Gerais.
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*Estagiária sob supervisão da subeditora Regina Werneck