Operação contra o PCC tem 320 alvos em Minas Gerais e outros cinco estados
Ofensiva cumpre 320 mandados judiciais para desarticular a expansão do PCC no Sul do Brasil. Crimes coordenados dentro e fora dos presídios
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Uma operação envolvendo mais de 500 agentes de segurança pública cumpre, na manhã desta quarta-feira (1º/7), 320 ordens judiciais contra a cúpula da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), em seis estados. Em Minas Gerais, foram cumpridos um mandado de busca e apreensão e uma prisão, em município ainda não revelado.
A força-tarefa do Ministério Público de Santa Catarina deflagrou a Operação Coluna Sul, considerada a maior ação da história do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) no estado.
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A mobilização ocorre de forma simultânea em diversas regiões do país. O cumprimento das ordens judiciais se estende por cidades de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, locais onde as lideranças do grupo atuam.
No total, a Vara Estadual de Organizações Criminosas de Santa Catarina expediu 320 ordens judiciais. Entre as medidas decretadas pela Justiça, estão 151 mandados de prisão temporária e 169 mandados de busca e apreensão direcionados aos endereços dos suspeitos.
De acordo com as investigações, os suspeitos alvo da operação exercem funções de liderança e são responsáveis por coordenar atividades ilícitas tanto dentro quanto fora das unidades prisionais catarinenses e têm envolvimento nas unidades prisionais e áreas de domínio nos demais estados.
O nome dado à operação faz referência direta à terminologia interna da própria facção. O grupo criminoso utilizava a expressão "Coluna Sul" para designar o território estratégico que engloba os estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, considerado uma área prioritária de expansão e controle logístico.
As apurações apontam que os investigados possuem envolvimento em uma série de práticas delituosas graves. Entre os crimes mapeados pelas autoridades estão a integração de organização criminosa, o tráfico de entorpecentes, a associação para o tráfico, homicídios e o porte ilegal de armas de fogo.
Devido ao caráter sigiloso das investigações e ao andamento das diligências de campo, o volume exato de entorpecentes e o balanço financeiro total das apreensões ainda não foram divulgados. As autoridades optaram por preservar os dados iniciais para não comprometer a continuidade das buscas em andamento.
Prisões em seis estados
Além de Paraná e Santa Catarina, os mandados envolvem também prisões no Rio Grande do Sul, com 5 buscas e apreensões e 5 prisões; São Paulo, com 29 buscas e apreensões e 23 prisões; Minas Gerais, com 1 busca e apreensão e 1 prisão; e Mato Grosso do Sul, com 2 buscas e apreensões e 2 prisões.
Quais ações levaram à essa operação?
Toda a ofensiva é um desdobramento direto de ações anteriores de combate ao crime organizado. “A Operação Coluna Sul constitui desdobramento das investigações iniciadas no âmbito da Operação Maserati e tem como objetivo prioritário manter ações firmes contra a capacidade de articulação das atividades da organização criminosa investigada”, informou o MPSC.
A infraestrutura montada para a operação exigiu uma logística complexa em Santa Catarina. O Gaeco estabeleceu cinco bases operacionais estratégicas no estado: Florianópolis, Joinville, Lages, Chapecó e São Miguel do Oeste, permitindo a coordenação e o cumprimento simultâneo das ordens.
Apenas em território catarinense, o contingente mobilizado impressiona pelo tamanho. A operação conta com a participação direta de 103 integrantes do Gaeco e aproximadamente 552 agentes de segurança pública de diferentes corporações.
O suporte logístico e de transporte para o cumprimento dos mandados também foi massivo. Estão sendo empregadas 198 viaturas terrestres e duas aeronaves para garantir o deslocamento rápido, o monitoramento aéreo e a segurança dos policiais envolvidos.
A Polícia Civil de Santa Catarina presta apoio especializado por meio de múltiplas frentes de elite. Participam da ação equipes da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE), da Coordenadoria de Operações Policiais com Cães (COPC), do Centro de Apoio Operacional de Combate aos Crimes Contra o Agronegócio (CAOAGRO) e do Serviço Aeropolicial (SAER).
A Polícia Militar atua no terreno com guarnições de policiamento especializado e de choque. O suporte conta com o Patrulhamento Tático, equipes do Canil, Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (ROCAM) e o Batalhão de Aviação da Polícia Militar (BAPM).
O sistema prisional também recebeu atenção rigorosa por meio das estruturas da Polícia Penal, focando nas lideranças detidas. Estão empenhados agentes da Diretoria de Segurança e Operações (DSO), do Grupo Tático de Intervenção (GTI), do Núcleo de Operações Táticas (NOT), da Diretoria de Operações com Cães (DOC) e da Diretoria de Inteligência.
O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina também integra as equipes de prontidão para prestar suporte médico ou logístico emergencial. Fora de Santa Catarina, a operação recebe o apoio direto dos Gaecos locais e das forças de segurança de cada um dos estados envolvidos.
Confronto Armado
Durante o cumprimento das ordens judiciais no estado vizinho do Paraná, houve registro de violência e resistência armada. Agentes do Gaeco paranaense foram alvos de disparos efetuados pelos criminosos ao perceberem a aproximação das equipes policiais no perímetro.
Diante da agressão, os policiais reagiram para conter os suspeitos e garantir a segurança da operação. No confronto armado, um dos integrantes da facção criminosa foi atingido e morreu no local, enquanto nenhum policial ficou ferido na troca de tiros.
A arma utilizada pelo suspeito no confronto indica o alto poder de fogo da organização. Tratava-se de uma pistola equipada com seletor de rajada, um mecanismo que transforma o armamento em uma arma automática de disparo contínuo, item de uso restrito e comumente associado a ações de enfrentamento de grupos táticos.
Todo o material recolhido nas buscas em andamento nos seis estados será devidamente catalogado e periciado. As evidências serão encaminhadas à Polícia Científica de Santa Catarina para a realização dos exames necessários, garantindo a integridade e a preservação da cadeia de custódia.
Após a confecção dos laudos técnicos pela perícia, os dados coletados serão analisados detalhadamente pelo Gaeco. Esse material servirá de base probatória para dar sequência às investigações conduzidas pela 39ª Promotoria de Justiça da Capital.
O combate ao crime organizado no estado foi impulsionado por uma recente mudança estrutural no Ministério Público catarinense. A 39ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital teve sua abrangência ampliada para todos os municípios do estado, contando com cinco promotores de Justiça de entrância especial focados exclusivamente na repressão dessas facções.
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Atualmente, os procedimentos legais e a tramitação da Operação Coluna Sul correm sob estrito segredo de Justiça. Novas informações sobre o número definitivo de presos e os bens apreendidos serão divulgadas pelas autoridades competentes assim que houver a publicidade dos autos.
Ações Planejadas e Integradas da Força-Tarefa
- Cumprimento de mandados: as ordens judiciais divididas entre prisões temporárias e buscas
- Mobilização de efetivo: centenas de agentes de segurança atuando de forma coordenada
- Instalação de bases operacionais: cinco sedes regionais montadas para dar suporte logístico
Estados impactados
- Região Sul: atuação em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul
- Região Sudeste: desdobramentos em São Paulo e Minas Gerais
- Região Centro-Oeste: cumprimento de mandados em Mato Grosso do Sul