Na manhã de 17 de maio, na Praça Manoel Bandeira, sob o Viaduto Murilo Rubião, no bairro Cidade Nova, em Belo Horizonte, uma empresária de 42 anos foi morta a tiros pelo companheiro enquanto praticava exercícios físicos. Um mês após o crime, a Polícia Civil concluiu que o feminicídio foi premeditado e apontou como evidências uma carta de seis páginas, mensagens enviadas antes da execução e até um bilhete deixado pelo autor indicando onde o carro seria encontrado após o assassinato.

Entre os trechos analisados pelos investigadores está a frase "existem homens que vivem de discurso e existem homens que vivem de decisões, eu faço parte do segundo grupo”, escrita pelo autor antes do crime e considerada um dos elementos que reforçam o planejamento da ação.

Segundo a delegada Ariadne Elloise Coelho, responsável pelo caso, a investigação concluiu que o feminicídio foi cuidadosamente organizado. Antes de sair de casa, o homem enviou mensagens para familiares e em grupos de convivência, além de redigir uma carta manuscrita com orientações sobre o futuro das filhas, a divisão dos bens da família e sua versão sobre os motivos que o levaram a cometer o crime.

De acordo com a Polícia Civil, o autor também deixou um bilhete próximo ao local do feminicídio informando onde o veículo utilizado por ele estava estacionado. Após matar a companheira, caminhou cerca de 400 metros até a Rua João Gualberto Filho, no bairro Sagrada Família, onde foi encontrado morto pouco tempo depois.

A investigação aponta que a logística montada pelo homem demonstra que a ação não foi impulsiva. Além da carta e das mensagens enviadas previamente, ele levou duas armas de fogo no veículo. Uma delas foi utilizada no crime, enquanto a outra permaneceu no porta-malas.

Os exames toxicológico e de alcoolemia realizados pela perícia apresentaram resultado negativo. Segundo a Polícia Civil, não havia indícios de consumo de álcool ou drogas, nem participação de terceiros.

Para a delegada, os laudos reforçam "a consciência, a tranquilidade, a premeditação e a ausência de participação de terceiros nessa situação".

Embora a carta contenha referências às motivações atribuídas pelo próprio autor ao crime, a Polícia Civil destacou que nenhuma alegação apresentada por ele altera a caracterização do caso.

"Existindo ou não qualquer situação alegada pelo autor, isso não interfere no enquadramento legal. O que ocorreu foi um feminicídio", ressaltou a delegada.

O inquérito também concluiu que a vítima vivia um relacionamento marcado por violência psicológica, controle excessivo, possessividade e ciúmes. Segundo familiares ouvidos durante as investigações, ela já havia manifestado o desejo de encerrar a relação, mas o companheiro não aceitava a separação.

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O caso deixou as duas filhas do casal órfãs. Embora a morte do autor impeça eventual responsabilização criminal, a Polícia Civil encerrou a investigação reconhecendo oficialmente que a empresária foi vítima de feminicídio.

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