Ana Cláudia Rodrigues da Silva Souza, de 41 anos, recebeu alta médica na noite dessa quarta-feira (27/5). A diarista foi vítima de uma tentativa de feminicídio na última segunda-feira (25/5), no Parque Estadual da Serra do Rola-Moça. Ela estava internada no Hospital João XXIII e depois foi encaminhada para o Hospital Metropolitano Odilon Behrens.
O momento da alta hospitalar foi compartilhado nas redes sociais pela filha da vítima, Thaine Eloisa. Na imagem publicada, Ana Cláudia aparece sentada em um sofá, ainda com marcas e ferimentos no rosto. A postagem foi acompanhada da mensagem: “Te amo”.
Ana Cláudia foi jogada de um penhasco na Serra do Rola-Moça pelo ex-companheiro e passou mais de 24 horas ferida até ser localizada pelas equipes de resgate.
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Prisão do autor
Silvanildo Amâncio de Araújo confessou ter jogado a vítima do penhasco quando foi preso em flagrante, na terça-feira (26/5). A PC informou, na quarta-feira (27/5), que ele foi preso pelos crimes de estupro e feminicídio tentado. Ele teve a prisão convertida em preventiva. A decisão foi da juíza Renata Nascimento Borges, da 2ª Vara Cível, Criminal e de Execuções Penais da comarca de Brumadinho. Ele foi encaminhado ao presídio de Pirapora (MG), no Norte do estado.
De acordo com a polícia, Silvanildo não superou o término da relação com Ana Cláudia, com quem foi casado por 12 anos. Ele a sequestrou na segunda-feira, a agrediu e a levou para o Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, onde a jogou de uma altura aproximada de 50 metros. Antes disso, ele a obrigou a fazer sexo oral.
Segundo o suspeito, ele percebeu que Ana Cláudia estava viva depois de jogá-la e tentou ir até ela, mas, devido às irregularidades do penhasco e à vegetação, ele desistiu e fugiu. Ele viajou a noite toda até chegar em Corinto, no Norte de Minas, onde dormiu dentro do próprio carro.
Na manhã de terça-feira (26/5), ele foi para Várzea da Palma, na mesma região, onde foi preso às margens da MGC-469, próximo a um supermercado. De acordo com a PM, ele foi monitorado visualmente enquanto caminhava pela via e foi abordado. Ele não resistiu, confirmou sua identidade e confessou a autoria do crime.
Os policiais encontraram várias facas, o canivete utilizado para ameaçar a vítima, roupas e um celular embalado em papel-alumínio – prática frequentemente utilizada por criminosos na tentativa de dificultar rastreamentos via GPS. Segundo a PM, isso indica que ele tinha premeditado o crime.
O sequestro
Ana Cláudia foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros Militar (CBMMG) na manhã dessa terça-feira (26/5) e conseguiu andar e conversar normalmente após o resgate. Ela foi encontrada se segurando em uma árvore, o que indica uma queda entre 40 e 50 metros de altura. Ela virou a noite entre os mirantes do Morro dos Veados e do Planeta.
Os militares informaram que Ana Cláudia foi localizada em uma região de mata de difícil acesso, o que exigiu uma operação especializada para aproximação e retirada segura. A aeronave Arcanjo foi mobilizada com equipe médica para auxiliar no resgate e transportar a mulher ao Hospital João XXIII, em BH.
Conforme o boletim de ocorrência, o desaparecimento começou a ser investigado depois que a filha mais velha da vítima acionou a polícia ao perceber que Ana Cláudia não havia retornado para casa. Por volta das 7h15 de segunda-feira, a mãe enviou uma mensagem à primogênita informando que havia deixado a filha, de 9 anos, na Escola Estadual Olívia Pinto, como fazia diariamente, antes de seguir para o trabalho, no Barreiro.
Ainda conforme a mensagem, ela teria visto o ex-companheiro correndo do outro lado da rua e se escondendo. A criança chegou a comentar que aquele era o carro do “papai”, mas disse não conseguir vê-lo dentro do veículo. A última mensagem enviada pela vítima foi registrada por volta das 8h. Horas depois, às 18h30, a filha mais velha recebeu uma ligação da patroa de Ana Cláudia informando que ela não havia chegado ao trabalho e também não atendia às ligações.
A jovem acionou o telefone 190 e informou o desaparecimento. Segundo a PMMG, um ex-genro do suspeito contou aos militares que conversou com ele por telefone. Durante a ligação, o homem afirmou que estava com a vítima no Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, próximo ao Bairro Jardim Canadá, e ameaçou jogá-la de um penhasco.
O familiar tentou convencer o suspeito a desistir e pediu a localização exata para ajudá-lo. O homem concordou em informar o local, mas exigiu que ele fosse sozinho. No entanto, ao chegar ao ponto combinado, o suspeito já não estava mais lá e a vítima não foi encontrada.
Ana Cláudia é natural de Janaúba, no Norte de Minas. Ela deixou a cidade e passou a morar em Belo Horizonte, onde conheceu o ex-companheiro, que é proveniente da Bahia.
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