Tentativa de assalto na PUC Coreu termina com estudante ferida
Aluna relata luta corporal com suspeito em frente ao museu da PUC Coração Eucarístico e diz que PM se recusou a registrar a ocorrência
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A estudante Larissa França Lima, de 23 anos, viveu momentos de desespero ao reagir a uma tentativa de assalto em frente à PUC Minas, no Bairro Coração Eucarístico, Região Noroeste de Belo Horizonte.
Derrubada no chão durante a luta com o suspeito por seu celular, ela saiu machucada, denunciou falta de apoio da universidade e afirma ter enfrentado negligência tanto da segurança do campus quanto da Polícia Militar.
O trajeto até a aula era o mesmo de sempre. Na noite da última quinta-feira (21/5), por volta das 20h, Larissa seguia pela Avenida Dom José Gaspar, em frente ao observatório e próximo ao Museu de Ciências Naturais da PUC Minas, quando foi surpreendida por um homem que tentou arrancar o celular de suas mãos.
A estudante conta que estava indo para a orientação de TCC, atividade que costuma fazê-la chegar mais tarde ao campus às quintas-feiras. Segundo Larissa, o suspeito apareceu repentinamente enquanto ela subia a avenida em direção à universidade.
“Fica caladinha e passa o celular”, teria ordenado o homem, de acordo com a jovem.
Larissa diz que ele não parecia estar armado. “Se tivesse uma arma ou faca, acho que teria mostrado”, relatou. Mesmo assustada, ela decidiu resistir. Segurou o celular com força enquanto gritava por socorro.
A disputa terminou no chão. “Ele caiu por cima de mim de tanta força que a gente estava fazendo”, contou.
Larissa machucou o joelho, o tornozelo e bateu a cabeça. Ela afirma que ficou com hematomas e dores pelo corpo nos dias seguintes.
O suspeito só encerrou a agressão e fugiu quando um rapaz começou a subir a rua. Segundo a estudante, bastou a aproximação do homem para que o criminoso saísse de cima dela e corresse em direção a uma rua lateral.
Logo depois, outros dois homens apareceram para ajudá-la. Um deles disse ter ouvido os gritos de longe e ficou preocupado. Eles acompanharam Larissa até a Portaria 3 da universidade.
Larissa descreve o homem como pardo, com cerca de 1,70m a 1,75m de altura, cabelo baixo e barba rente ao rosto. Segundo ela, ele usava blusa polo e bermuda jeans. “Era um homem limpo, que não parecia assaltante”, disse.
A estudante acredita que ele poderia estar sob efeito de drogas porque aparentava nervosismo e tinha os olhos “muito esbugalhados”.
Ela também acredita que o suspeito tinha medo de ser pego em flagrante, porque fugiu rapidamente ao perceber a aproximação de outras pessoas.
Larissa conta que o caso aumentou mais a sensação de insegurança na região e cita relatos recentes de outros crimes próximos à universidade. Um deles envolve outra estudante que teria sido assaltada nas proximidades do Edifício Key West. “Todo mundo sabe que ali é perigoso”, afirmou.
“O guarda viu tudo e não fez nada”
O que mais gerou revolta, porém, foi a postura do vigilante que estava na guarita do museu da PUC. Segundo ela, o funcionário presenciou toda a cena.
“Ele ouviu tudo, viu tudo e não fez nada. Nem gritou para saber o que estava acontecendo”, afirmou.
Larissa conta ainda que, depois do ocorrido, ouviu do próprio guarda que a culpa teria sido dela por estar com o celular na mão em uma área considerada perigosa.
A estudante diz que reconhece os riscos da região, mas se indignou com a reação.“Eu não tenho culpa de um bandido vir me assaltar”, desabafou.
Ela também critica a estrutura de segurança do campus Coração Eucarístico. Segundo Larissa, a área próxima ao museu é escura, cercada por árvores grandes e com pouca iluminação do lado da universidade.
Outro ponto levantado pela jovem é o acesso livre ao campus. Ela compara o sistema do Coração Eucarístico com unidades da universidade onde a entrada só é permitida mediante identificação estudantil.
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PM se recusou a registrar ocorrência
Após o ataque, Larissa tentou registrar um boletim de ocorrência, mas afirma ter encontrado resistência da Polícia Militar.
Segundo ela, ao ligar para a PM logo após a tentativa de assalto, ouviu que não seria possível registrar o caso porque nenhum pertence havia sido roubado.
Na sexta-feira (22/5), ela procurou novamente policiais na base do Coração Eucarístico. Relatou as agressões, mostrou os machucados e descreveu o suspeito, mas recebeu a mesma resposta.
A jovem afirma que policiais chegaram a rir da situação quando ela voltou ao posto em outra ocasião para pedir ajuda na obtenção das imagens de câmeras de segurança.
Larissa abriu uma reclamação na ouvidoria da universidade após o caso. De acordo com ela, a instituição informou apenas que manteria contato com a Polícia Militar e que imagens das câmeras poderiam ser disponibilizadas às autoridades responsáveis pela investigação.
A estudante, no entanto, diz não acreditar que haverá apoio efetivo da universidade. “Eles se fazem de cegos”, criticou.
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*Estagiária sob supervisão da subeditora Juliana Lima