MG: expedição vai atravessar a remo o Rio Pará por sua proteção
Jornada de caiaque entre Resende Costa e Pompéu mobiliza comunidades ribeirinhas. Projeto prevê ações de saneamento em cidades do Centro-Oeste mineiro
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Das águas que escorrem de poças em um solo de substrato emaranhado e se unem para formar a nascente do Rio Pará, em Resende Costa até o encontro com o Rio São Francisco, em Pompéu, ativistas e comunidade remarão juntos pelo manancial para chamar a atenção para a preservação desse gigante que corta o Centro e o Centro-Oeste de Minas Gerais.
Começa nesta segunda-feira (11/05) a Expedição Rio Pará Vivo 2026, organizada pelo Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH Rio Pará), com previsão para ser concluída no dia 16.
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Em 2023, a reportagem do Estado de Minas acompanhou a primeira expedição que percorreu o Rio Pará por terra, registrando, inclusive, pela primeira vez as imagens da sua nascente.
Será a primeira iniciativa de descida de caiaque ao longo das águas do rio. O objetivo é transformar a percepção do território, conectando as populações ribeirinhas, a sociedade civil e o poder público.
Uma imersão direta no leito fluvial, consolidando o rio como o grande eixo estrutural da vida, cultura e do desenvolvimento regional.
A empreitada aquática representa a evolução prática de levantamentos técnicos recentes. Após uma campanha de conscientização feita exclusivamente por via terrestre há três anos, a atual jornada se apoia nos resultados do recém-concluído projeto de navegabilidade da bacia.
Esse mapeamento minucioso esquadrinhou quase 300 quilômetros do corpo d'água utilizando equipamentos de alta precisão, como drones e sensores de profundidade.
Agora, os dados gerados guiarão os expedicionários pelos municípios de Resende Costa, Passa Tempo, Carmo do Cajuru, Divinópolis, Pitangui, Conceição do Pará, Martinho Campos e Pompéu.
Comunidades beneficiadas
Além do peso simbólico da travessia, a ação entregará melhorias concretas e imediatas de infraestrutura para as comunidades do interior.
Durante as paradas, serão firmadas parcerias oficiais para a construção de centenas de sistemas individuais de tratamento de esgoto, a exemplo de biodigestores e estruturas ecológicas de filtragem.
Essa intervenção direta visa mitigar os efeitos da poluição crônica na região, elevando a pureza dos recursos hídricos e promovendo um salto evidente na qualidade de vida e na saúde pública dos moradores rurais.
O roteiro tem início na manhã desta segunda-feira, na nascente do rio, localizada no povoado de Cajuru, em Resende Costa, no Campo das Vertentes.
A abertura contará com o plantio de mudas nativas e a assinatura de acordos para viabilizar mais de 100 instalações sanitárias. Na mesma tarde, a comitiva desembarca na zona rural de Passa Tempo para atividades culturais que unem dança afro-brasileira, poesia escolar e oficinas de sustentabilidade.
No dia seguinte, a barragem de Carmo do Cajuru sediará debates técnicos sobre gestão hídrica, apresentações artísticas e a formalização de mais 83 sistemas de esgotamento.
Qual é o trecho mais crítico do Rio Pará?
A viagem ganha novos contornos ao chegar a Divinópolis, um dos segmentos mais críticos devido à poluição urbana. A chegada ocorre na quarta-feira (13/5). Sendo o município mais populoso do trajeto, o encontro destacará exames práticos de qualidade da água feitos por pesquisadores universitários.
Será valorizada também a liderança jovem nas causas ecológicas, além de garantir soluções de saneamento para a comunidade de Branquinhos.
Em seguida, na quinta-feira (14/5), a divisa entre Pitangui e Conceição do Pará receberá os navegantes na Estação Cultural Velho da Taipa, com programações musicais, exposições e manifestos infantis em defesa da preservação do patrimônio natural.
A reta final da jornada prioriza a ancestralidade e a celebração dos resultados a longo prazo. Na sexta-feira (15/5), a Reserva Indígena Kaxixó, em Martinho Campos, acolherá o grupo com rituais tradicionais, reforçando a ligação histórica entre os povos originários e as águas, além de celebrar o avanço do saneamento de 31 lares na própria aldeia.
Por fim, no sábado (16/0), a foz do Rio Pará, no encontro com o Rio São Francisco em Pompéu, marcará o encerramento da expedição.
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A solenidade final exibirá projetos contínuos de conservação florestal e produção de água, coroando os esforços conjuntos do Comitê para garantir a segurança hídrica frente aos desafios climáticos do estado.