Uma operação integrada das forças de segurança cumpriu nesta quarta-feira (29/4), 17 mandados de busca, apreensão e prisão na Pedreira Prado Lopes (PPL), Região Noroeste de Belo Horizonte (MG). Até a publicação desta matéria, sete pessoas foram presas durante a ação de combate ao tráfico de drogas e à organização criminosa.
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Batizada ‘Elo Quebrado’, a ofensiva mobilizou equipes da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e das polícias Militar, Civil e Federal. Durante a coletiva, os representantes dos órgãos detalharam a ação, classificada como parte de uma estratégia contínua de combate à chamada “governança criminal”, exercida por facções em comunidades da capital mineira.
Segundo o balanço parcial divulgado durante a coletiva de imprensa, cinco pessoas foram presas em flagrante por tráfico de drogas durante o cumprimento dos mandados. Outras duas prisões ocorreram nas áreas adjacentes da comunidade.
De acordo com as autoridades, entre os sete detidos estão suspeitos de diferentes facções apontados como líderes, integrantes intermediários e membros da base das organizações, atingindo camadas diferentes da estrutura criminosa instalada na região.
Inteligência definiu alvos prioritários
A comandante do 34º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Síria Delgado Matias, afirmou que a operação foi planejada ao longo do mês, com troca de informações entre os órgãos de segurança.
Segundo ela, o trabalho de inteligência permitiu identificar alvos prioritários envolvidos com o tráfico de drogas e com disputas internas na região. A oficial ressaltou que a presença policial na comunidade já vinha sendo reforçada há meses, especialmente após conflitos registrados na região.
A tenente-coronel disse que a PM mantém atuação permanente na área por meio do Grupo Especializado de Policiamento em Áreas de Risco (Gepar), grupamentos táticos, policiamento e operações conjuntas com unidades especializadas, como Batalhão de Rondas Táticas Metropolitanas (Rotam), Choque e Canil.
A comandante informou que os mandados e prisões desta quarta-feira se concentraram principalmente em pontos considerados estratégicos dentro da comunidade, como as regiões conhecidas como Beco do Fifi e do Maloquinha, e nas ruas Pedro Lessa e Rio Verde. Conforme os levantamentos da inteligência policial, esses locais concentram atuação mais intensa do tráfico de drogas e já registraram confrontos anteriores.
“O objetivo principal é garantir segurança para a população de bem e mostrar que o Estado não vai permitir que facções criminosas assumam o controle daquele território”, afirmou.
Drogas, armas e materiais do crime são apreendidos
O diretor de Operações da Superintendência de Investigação e Polícia Judiciária da Polícia Civil, Hugo Arruda, destacou que, além das prisões, a operação também resultou na apreensão de drogas, armas, materiais eletrônicos e anotações que poderão apoiar novas fases da investigação, especialmente no rastreamento financeiro das organizações. O balanço da quantidade apreendida ainda não foi divulgado.
Arruda explicou que a ofensiva atinge diferentes níveis da estrutura criminosa, desde lideranças até integrantes responsáveis pela atuação direta nas ruas. Para ele, esse tipo de ação desarticula a cadeia de comando das facções, reduz a circulação de armas e drogas e fortalece as investigações em andamento.
Outras prisões
O subsecretário de Integração da Segurança Pública, Christian Vianna de Azevedo, informou que a operação desta quarta-feira representa o "dia D" de uma ofensiva iniciada há cerca de uma semana. Segundo ele, nesse período 50 pessoas já foram presas, sendo 32 por mandados judiciais em aberto e 18 em flagrante.
De acordo com Azevedo, a Pedreira Prado Lopes foi escolhida por integrar um mapeamento estadual iniciado no ano passado, que identificou regiões onde facções criminosas tentam ampliar presença e influência. “A Pedreira é um ponto estratégico. A partir dali há tentativas de comando e controle de outras regiões da Grande BH e até do interior do estado”, disse.
Ele adiantou que outras comunidades de Belo Horizonte e de Minas Gerais também deverão ser alvo de operações semelhantes nos próximos meses.
Sistema prisional também no foco
Durante a coletiva, Azevedo também comentou sobre o combate ao uso de celulares dentro do sistema prisional mineiro. Segundo ele, forças integradas de segurança vêm atuando para impedir a entrada de aparelhos nos presídios e reduzir a comunicação entre presos e facções.
Entre as medidas adotadas estão operações internas, monitoramento de inteligência, instalação de redes de proteção e uso de tecnologias antidrone, para impedir tentativas de entrega de celulares por via aérea ou lançamentos por cima do muro.
Conexões interestaduais
O coordenador regional de capturas da Polícia Federal em Minas Gerais, Danilo Salas, afirmou que a corporação atuou na operação principalmente nas frentes de inteligência e localização de foragidos.
Segundo ele, levantamentos identificaram pessoas com ordens judiciais pendentes que continuavam praticando crimes na Pedreira.
Salas destacou que a PF poderá aprofundar apurações sobre possíveis conexões das facções locais com organizações criminosas de outros estados ou até de outros países.
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*Estagiária sob supervisão do subeditor Humberto Santos
