A Miss Universo Uberlândia 2025, Sara Monteiro, de 36 anos foi presa pela Polícia Federal nesta quarta-feira (15/4), durante a Operação Luxury, que desarticulou uma organização criminosa interestadual envolvida com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A ofensiva também resultou no bloqueio de R$ 61 milhões em bens.
Apontada como uma das principais investigadas, Sara integrava o núcleo financeiro da organização criminosa. Segundo as investigações, ela mantinha ligação direta com um dos líderes do grupo, atuando na ocultação da origem de recursos ilícitos e usufruindo de um padrão de vida elevado, com viagens internacionais, compras em lojas de alto padrão e uso de veículos de luxo.
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De acordo com o delegado da Polícia Federal Dalton Marinho, chefe da FICCO (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado), a operação teve como foco atingir justamente esse braço financeiro da organização que a miss fazia parte. “Hoje nós combatemos pessoas envolvidas com a lavagem de dinheiro em prol dessa estrutura criminosa. São investigados que vivem com alto padrão econômico.”
A prisão foi realizada em São Paulo, onde a investigada estava morando recentemente, anteriormente ela morava em um condomínio de alto padrão na zona sul de Uberlândia, que também foi alvo de mandados de busca e apreensão. Sara detida na Superintendência da Polícia Federal.
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A operação teve como epicentro a cidade de Uberlândia, onde foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão com foco no núcleo financeiro da organização criminosa.
Segundo Marinho, além dos operadores diretamente envolvidos no transporte e distribuição de drogas, as investigações priorizaram os responsáveis pela lavagem de dinheiro, que sustentavam a estrutura do grupo.
Os investigados ligados a esse núcleo mantinham alto padrão de vida, com imóveis em condomínios de luxo e veículos de alto valor, o que reforçou os indícios de movimentações financeiras ilícitas.
Operação em três estados
A Operação Luxury foi deflagrada em Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul, com atuação simultânea em Uberlândia, Uberaba, além da capital paulista e das cidades de Campo Grande, Dourados, Ribas do Rio Pardo e Vista Alegre. Ao todo, 160 policiais cumprem 27 mandados de prisão sendo 22 preventivas e cinco temporárias, e 39 de busca e apreensão.
O trabalho investigativo teve início em abril de 2025, após a apreensão de 1,1 tonelada de maconha em Frutal. A partir desse caso, os agentes identificaram uma estrutura criminosa mais ampla. Desde então, as ações já resultaram na apreensão de 5,9 toneladas de entorpecentes.
Rotas para driblar fiscalização
As investigações apontaram que o grupo transportava drogas do Mato Grosso do Sul para a região Sudeste utilizando rotas alternativas, principalmente estradas rurais, com menor fiscalização.
Segundo Dalton Marinho, o esquema incluía veículos batedores, que seguiam à frente para identificar barreiras policiais, além de comunicação constante por antenas via satélite.
Esse modelo logístico, conhecido como “rota caipira”, fazia com que viagens que normalmente durariam cerca de 16 horas se estendesse por até uma semana ou mais, estratégia usada para burlar as autoridades.
Prisões
Durante a operação, houve tentativas de resistência por parte de alguns investigados, principalmente para atrasar o cumprimento dos mandados. Em alguns casos, foi necessário arrombamento de imóveis, mas sem confrontos violentos.
As forças de segurança atuaram em cerca de 13 pontos distintos, com seis prisões realizadas inicialmente nesses locais. No balanço geral, a operação contabiliza 24 presos, além do cumprimento de dois mandados dentro de unidades prisionais um no presídio de Assis (SP) e outro no presídio de Prata (MG).
Ao todo, a Justiça expediu dois mandados de prisão preventiva, cinco de prisão temporária e 41 mandados de busca e apreensão. Três mandados de prisão ainda não foram cumpridos, e os alvos são considerados foragidos. Mesmo assim, segundo o delegado a operação é considerada extremamente exitosa, com mais de 90% das ordens judiciais executadas.
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O delegado destacou ainda que a maioria dos investigados possui antecedentes criminais, o que aumenta a complexidade das ações. A atuação integrada entre Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Penal foi apontada como fundamental para o sucesso da operação.
