O Dia D de vacinação contra a gripe mobilizou moradores de Belo Horizonte neste sábado (11/4), em meio ao aumento de casos de doenças respiratórias que levou a prefeitura a decretar situação de emergência na cidade. Ao longo da manhã, a reportagem do Estado de Minas percorreu pontos de imunização e encontrou público diversificado em busca da dose da vacina, especialmente no Parque Municipal Américo Renné Giannetti, no Centro da capital mineira.
No local, uma tenda montada para a campanha concentrou a maior movimentação. Crianças, adultos e idosos formaram filas ao longo da manhã, em um fluxo constante. Em outros pontos visitados, como unidades nos bairros Santa Efigênia e Floresta, na Região Centro-Sul, o movimento foi mais moderado, mas ainda com presença contínua de cidadãos procurando a imunização.
- BH: saiba onde se vacinar contra a gripe no Dia D
- Vacinação contra gripe em BH: veja quem pode se imunizar
A procura pela vacina ocorre em um cenário de pressão sobre a rede de saúde. Segundo o secretário municipal de Saúde, Miguel Paulo Duarte Neto, a meta da capital é imunizar cerca de 1,1 milhão de pessoas. Ele alertou para o aumento de casos de doenças respiratórias no início do ano, que teve 3,5 mil registros entre janeiro e março, número superior ao observado no mesmo período do ano passado, quando houve cerca de 1,8 mil casos.
“Sazonalmente, nós temos esse pico neste período. Desta vez a gente se preparou com uma antecedência, nós estamos com um reforço nas nossas unidades de pronto atendimento, também estamos com reforço hospitalar, mas o avanço dessas vagas vai ocorrendo conforme nós temos o aumento do número de casos. O mais importante e a melhor forma de combater isso é a prevenção”, afirmou o secretário.
Leia Mais
Duarte Neto também destacou que não há falta de doses e que quem não puder comparecer aos locais de vacinação no fim de semana, tem a opção de buscar as unidades de saúde durante a semana.
“Procurem as nossas unidades de saúde durante a semana, elas vacinam durante todo o período. Não está faltando vacina. Nós estamos aqui com a equipe do governo do estado participando junto com a gente nessa campanha. A vacina vem do Ministério da Saúde, ela é entregue ao governo do estado, distribuída aos municípios e nós aplicamos a vacina. Todos engajados por mesmo objetivo, vacinar”, ressaltou.
Prevenção
Entre os moradores que buscaram a imunização, a prevenção foi o principal motivo. O médico veterinário Samuel Frankilin Chaves Nascimento aproveitou o sábado para vacinar contra gripe e COVID-19. “Como trabalho de segunda a sexta, aproveitei o sábado porque não estou trabalhando. Mais fácil, mais acessível para mim aqui no Centro, no Parque Municipal”, comentou sobre o “Dia D” à reportagem.
Veterinário Samuel Frankilin Chaves Nascimento
“Vejo a importância principalmente por ser da área da saúde, com a vacina como sendo algo preventivo. A gente vê que na questão da solução, mesmo de períodos passados, como a vacina trouxe muita solução para muitas enfermidades que temos hoje, seja da área humana ou da área veterinária. Confio na vacina”, completou.
A experiência com a COVID-19 também motivou o aposentado Benedito Pires dos Santos, de 81 anos, a não abrir mão da imunização. “Eu peguei a covid e fiquei internado 14 dias na época, peguei duas vezes. A primeira vez muito complicada. Pensei que eu ia ‘embora’. Eu ouvi ontem que ia ter vacinação e vim caçar me prevenir. Sempre que tem vacina eu to vacinando”, contou.
Benedito Pires dos Santos
A moradora do Centro, Camila Lorrayne, destacou a preocupação com o aumento de vírus circulando e a importância de manter o calendário em dia. “Com a quantidade de vírus novos que está tendo, a gente tem a necessidade de estar vacinando. Em todos os anos eu vacinei, e no ano passado a campanha foi aqui mesmo”, afirmou.
Camila Lorrayne
Dia D
A Prefeitura de Belo Horizonte realiza neste sábado o Dia D de Vacinação contra a gripe. A mobilização busca ampliar a cobertura vacinal e reduzir a pressão sobre a rede de saúde.
A vacinação está sendo feita das 8h às 17h nos 153 centros de saúde da capital, além do Serviço de Atenção à Saúde do Viajante, no Parque Municipal Américo Renné Giannetti e em postos extras com horários variados. No parque, a imunização começou às 9h.
O que preciso levar para vacinar?
Para receber a dose, é necessário apresentar documento de identificação com foto e cartão de vacina. No caso de puérperas, também é exigida a certidão de nascimento do bebê, o cartão da gestante ou o registro hospitalar do parto.
Quem pode vacinar?
Atualmente, podem se vacinar os grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, como crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, idosos, puérperas (até 45 dias após o parto), trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência permanente, entre outros.
Atendimento a pessoas com TEA
Como parte da estratégia para ampliar o acesso, equipes volantes da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) vão atender pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), acamadas ou com mobilidade reduzida. O agendamento pode ser feito pelo portal da Prefeitura ou presencialmente nos centros de saúde, mediante cadastro.
Baixa cobertura
Apesar da campanha em andamento, a cobertura vacinal ainda é considerada baixa. Até o momento, mais de 110 mil doses foram aplicadas na capital. Entre os idosos, o índice de imunização é de 14,6%. Entre as gestantes, a cobertura é de 9,2%, enquanto crianças de 6 meses a menores de 6 anos é de 4,3%.
Demanda e situação de emergência
A intensificação da vacinação ocorre em um contexto de crescimento da demanda por atendimento. Segundo a prefeitura, cerca de 112 mil atendimentos por sintomas respiratórios já foram registrados em 2026 nos centros de saúde e nas nove Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Além disso, mais de 3,7 mil solicitações de internação foram feitas, com maior concentração entre os idosos.
O decreto de emergência permite ao município ampliar o acesso a recursos federais e estaduais, contratar profissionais, estender os horários de funcionamento das unidades e acelerar a aquisição de insumos e equipamentos. A previsão de pico de casos de doenças respiratórias vai ate 2 de maio.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
A prefeitura também reforça que a vacinação é uma das principais estratégias para evitar complicações, internações e mortes causadas por vírus respiratórios, incluindo as cepas Influenza A (H1N1 e H3N2) e Influenza B.
