Na crescente dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Brasil, Minas Gerais reforça a importância da imunização no combate a várias doenças respiratórias. Conforme o boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quinta-feira (9/4), Minas é um dos 13 estados com incidência de SRAG em nível de alerta no país. O balanço mostra que os casos de SRAG associados à influenza A e ao vírus sincicial respiratório (VSR) também seguem crescendo no estado. O levantamento utiliza dados do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe), do Ministério da Saúde, coletados até o último sábado (4/4), correspondente ao fim da 13ª semana epidemiológica.
A infectologista Luana Araújo alerta para o aumento de casos, que chegou de maneira antecipada em 2026, e ressalta a importância das campanhas de vacinação. “No país como um todo, essa temporada de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) foi antecipada em relação àquilo que a gente espera habitualmente. Desde janeiro a gente vê um momento considerável e contínuo de número de casos, que se intensificou depois de fevereiro, mas que continua aumentando em todo o país e aqui (Minas Gerais)”.
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Embora a tendência seja de aumento expressivo, a especialista informa que o fato de as notificações serem altas em um momento anterior ao comum não significa que a situação é pior do que em outros anos. Isso porque, conforme a especialista, o cenário é avaliado anualmente, devido à circulação dos vírus em diferentes momentos. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), 6.192 casos de SRAG foram contabilizados até o momento, com 289 mortes. No mesmo período de 2025, o quantitativo era de 6.125, com 448 óbitos.
Por outro lado, neste ano, a incidência de SRAG é um pouco maior do que o mesmo período do ano passado – de 29,82% no número de hospitalizações para 30,15%. Da quantidade de pessoas diagnosticadas neste ano, 2.269 foram pessoas acima de 60 anos, o que representa 36,6% do total. A transmissão do vírus entre idosos preocupa a área da saúde, que reforça as boas práticas para evitar o contágio, além da vacinação, e as autoridades, que preveem um pico no mês de maio.
Assim como nas crianças pequenas, que têm um sistema de defesa em desenvolvimento, a saúde do idoso também tem peculiaridades. Conforme a médica pneumologista Michelle Andreata, isso explica o motivo desses grupos concentrarem maior número de internações e maior risco de evolução desfavorável em casos de SRAG.
“Nos idosos, ocorre um processo natural chamado imunossenescência, que reduz a capacidade do organismo de combater infecções, além da maior presença de doenças crônicas, como cardiopatias, diabetes e doenças pulmonares, que aumentam o risco de complicações”, diz a médica.
Vírus em circulação
Segundo Andreata, os vírus respiratórios que estão em circulação atualmente têm em comum a alta transmissibilidade, principalmente por gotículas e contato com superfícies contaminadas, mas apresentam comportamentos distintos. O rinovírus, por exemplo, é um dos principais causadores de resfriados comuns e costuma ter evolução mais leve, embora possa agravar quadros em pessoas vulneráveis.
Já os vírus da influenza, como influenza A e B — incluindo a cepa H3N2 —, têm maior potencial de provocar quadros mais intensos, com febre alta, dores no corpo e risco de complicações pulmonares. Apesar de muitas pessoas acreditarem que a covid acabou, a especialista ressalta que a gravidade ainda é bastante considerável.
“O SARS-CoV-2, embora atualmente com menor impacto em comparação aos picos da pandemia, ainda circula e pode causar desde sintomas leves até quadros graves, especialmente em idosos e pessoas com comorbidades. De forma geral, o cenário é de cocirculação viral, o que aumenta o número de casos e exige atenção redobrada”, explica.
Belo Horizonte
Ainda de acordo com a última edição do boletim InfoGripe, Belo Horizonte é uma das capitais do país que tem nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, conforme a apuração das últimas duas semanas, além de sinal de crescimento na tendência de longo prazo – últimas seis semanas. Até o final de março, o município registrou 102.909 atendimentos por doenças respiratórias em unidades de pronto atendimento (UPAs) e centros de saúde. O crescimento de casos entre o segundo e terceiro mês do ano teve um salto expressivo, passando de 26.533 para 49.574 – 86,7% a mais de fevereiro para março.
No entanto, a secretaria de saúde municipal reforça que não há pressão assistencial na saúde pública neste momento. O órgão informou, por meio de nota, que monitora o cenário e que “o aumento de casos de doenças respiratórias já era esperado para o período de sazonalidade, que ocorre entre março e junho”.
Já Contagem, na Região Metropolitana de BH, declarou estado de emergência em saúde pública na terça-feira (7/4) devido ao aumento de casos de SRAG. Até quarta-feira (8/4), foram registradas 5.682 notificações de síndrome gripal (SG) e 353 de SRAG, além de 20 mortes no município.
Vacinação
Neste sábado (11/4), 96% dos municípios mineiros realizam o Dia D de vacinação, com o intuito de diminuir quadros graves, internações e mortes por essas doenças, sobretudo entre crianças e idosos – públicos mais vulneráveis em decorrência da baixa imunidade. A vacina estará disponível em unidades básicas de saúde (UBSs) de 820 municípios do estado.
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Neste ano, a meta do Programa Nacional de Imunizações (PNI) é alcançar 90% de cobertura vacinal do público-alvo, sendo que nos últimos dois anos a cobertura vacinal no estado ficou em torno de 60%. Minas recebeu cerca de 3,2 milhões de doses do imunizante contra a gripe, que foram distribuídas para todos os municípios. A Campanha de Vacinação contra a gripe conta com doses disponíveis para crianças de 6 meses a 5 anos, gestantes, idosos, puérperas, trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência permanente e caminhoneiros.
