Doenças respiratórias: Contagem terá novos leitos infantis de UTI
Município da Região Metropolitana de BH decreta estado de emergência diante do aumento de casos de doenças respiratórias em 2026
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Na esteira do período sazonal propício para doenças respiratórias, o cenário em Contagem (MG), na Região Metropolitana de Belo Horizonte, preocupa. Em estado de emergência, a prefeitura instalou 10 novos leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Centro Materno Infantil.
A medida visa aumentar a capacidade de atendimento e resposta à crise respiratória, sobretudo em relação às crianças, que são mais vulneráveis devido à baixa imunidade.
Além de aumentar a quantidade de leitos, o atendimento pediátrico nas UPAs Ressaca, Vargem e Industrial, em Contagem, foi ampliado. Em resposta à crise respiratória, a prefeitura informou que as equipes também foram capacitadas e qualificadas para receber casos mais leves.
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Ao todo, foram contratados nove enfermeiros e 12 técnicos de enfermagem. Há, ainda, previsão de entrada de mais 12 técnicos de enfermagem, um enfermeiro e três fisioterapeutas na próxima semana. Além disso, houve um aumento de 15 médicos para atendimento de adultos e de 12 médicos para atendimento de crianças. O investimento foi de mais de R$ 10 milhões.
Emergência
Conforme o Decreto nº 1.908, o crescimento dos casos em Contagem no primeiro trimestre deste ano, comparado com o mesmo período de 2025, é anormal e caracteriza como situação de emergência em saúde pública. A medida tem como objetivo a prevenção e o enfrentamento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
Em 12 semanas, Contagem registrou 304 casos de SRAG em 2026, contra 242 no mesmo período do ano anterior – um crescimento de 27%. Das 304 notificações na cidade, 36% foram diagnosticadas em crianças de até 5 anos e 26,3% em idosos. Isto é, 109 crianças e 80 idosos. O aumento da síndrome gripal na cidade é ainda mais expressivo – de 3.477 no primeiro trimestre de 2025 para 4.725 neste ano, cerca de 36% a mais.
A situação é agravada, ainda, pelo número de mortes na cidade, que chega a 17 neste ano, contra as 11 de 2025, um aumento de 55%. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG), apenas Contagem decretou emergência no estado de Minas Gerais, mas os dados acenam para um estado de atenção.
De acordo com a pasta, até esta segunda-feira (6/4), havia 6.189 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) com hospitalização no estado, sendo 323 por covid-19, 250 por influenza e 120 por vírus sincicial respiratório (VSR). Desses, foram contabilizadas 295 mortes por SRAG, sendo 47 por covid-19, 16 por influenza e uma por vírus sincicial respiratório (VSR).
Novos leitos em BH
O Hospital Infantil João Paulo II, em Belo Horizonte, também recebeu novos leitos pediátricos na última semana. No dia 1º de abril, o secretário de Saúde de estado, Fábio Baccheretti, informou que a instituição recebeu sete novos leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), 19 leitos de enfermaria, dois consultórios médicos de pronto atendimento e oito leitos em salas de decisão clínica.
Na ocasião, Baccheretti ressaltou que o pico de atendimentos nos serviços de pronto atendimento do estado relacionados às doenças respiratórias está previsto para o próximo mês. Além disso, ele explicou que o crescimento de casos ocorre em decorrência do período e que, apesar de o investimento ser positivo, a população continuará contraindo doenças respiratórias.
“Mesmo com o número de leitos aumentado, a previsão é que os hospitais continuem cheios. Além de aumento de casos, os atendimentos se concentram em alguns horários”, disse na coletiva.
Em relação à quantidade de leitos ampliada em BH, o secretário disse que é importante se antecipar ao pico e, por isso, os equipamentos chegaram antes que ele ocorresse. “Temos um crescimento robusto do número de leitos de UTI e não passaremos por momentos já conhecidos. Teremos doenças respiratórias e, por isso, já capacitamos o atendimento e a atenção, especialmente em relação à vacinação”, reforçou.
Vacinação
A SES/MG ressalta que a vacinação é a principal forma de prevenir casos graves de doenças respiratórias, como bronquiolite, covid-19, pneumonia pneumocócica e gripe, e de reduzir internações. A campanha de vacinação contra influenza deste ano concentra-se nos grupos prioritários – crianças de seis meses a menores de 6 anos, idosos e gestantes. O imunizante é trivalente e protege contra as cepas H1N1, H3N2 e B, já disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos vacimóveis.
Neste sábado (11/4), o Dia D de vacinação terá ações em municípios de todas as regiões do estado. No dia 23 de março, o estado recebeu 640 mil doses da vacina contra a gripe. Além dela, o calendário inclui imunizantes contra covid-19, pneumonia pneumocócica e Haemophilus influenzae tipo b (Hib).
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Neste ano, uma das estratégias é a vacinação contra o VSR – que causa a bronquiolite – para gestantes a partir da 28ª semana. A proteção é transferida para o bebê ainda durante a gestação, reduzindo o risco de formas graves após o nascimento. O imunizante está disponível desde dezembro do ano passado e tem a adesão avaliada como positiva pelo secretário.