BH recebe aval para implantar primeira motofaixa na Via Expressa
De acordo com a PBH, a faixa terá 16 quilômetros de extensão, entre o Viaduto Itamar Franco e a Avenida Babita Camargos
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Belo Horizonte recebeu autorização da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) para implantar, em caráter experimental, a primeira faixa para motociclistas da capital. De acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), o aval foi dado nessa segunda-feira (27/4).
O prefeito da capital, Álvaro Damião (União Brasil), chegou a anunciar a medida em suas redes sociais, logo após uma reunião, por videochamada, com o ministro dos Transportes, George Santoro.
A pasta informou que a autorização será publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (29/4).
Segundo a PBH, o local escolhido para receber a faixa foi a Via Expressa - formada, em Belo Horizonte, pelas avenidas Juscelino Kubitschek e parte da Tereza Cristina. A motofaixa será preferencial para motocicletas e terá 16 km de extensão, somando os dois sentidos do tráfego. O trecho vai do Viaduto Itamar Franco até a Avenida Babita Camargos, na divisa com Contagem, na Grande BH.
O objetivo da nova faixa, de acordo com o Executivo Municipal, é melhorar a segurança viária ao organizar a circulação de motos em vias de grande fluxo.
A motofaixa será implantada entre as faixas 1 e 2 (a partir da esquerda da via), com cerca de 1,5 metro de largura. As quatro faixas por sentido que existem atualmente serão mantidas, e a via contará com nova sinalização horizontal e vertical. A PBH informa ainda que projeto executivo da iniciativa está em fase final de revisão e as obras de sinalização devem durar pelo menos oito semanas.
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O Executivo Municipal destaca que a escolha da Via Expressa foi feita com base em uma análise técnica conduzida pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMUR), com apoio da BHTrans e da Superintendência de Mobilidade (Sumob). “Foram avaliadas experiências de outras capitais, além de fatores locais como volume de motocicletas, largura das faixas de rolamento e histórico de sinistros”, disse a PBH, em nota.
A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte informou que, durante a tramitação da Lei Orçamentária Anual (LOA 2026), apresentou proposta que garantiu R$ 400 mil para viabilizar o projeto-piloto das motofaixas na capital. O recurso foi aprovado pela Câmara Municipal, sancionado pelo Executivo e está disponível para implementação de ações.
O prefeito disse, durante seminário sobre mobilidade, promovido pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP), nesta terça-feira (28/4), que a motofaixa vai dar mais segurança e tranquilidade para aqueles que utilizam motocicleta em Belo Horizonte.
“Pensando sempre em preservar a vida das pessoas. Queremos regularizar o que já acontece. Para que ele (motociclista) perceba que, a partir de agora, vai ter aquela faixa e não vai haver mais a necessidade de um estar à direita do carro ou em outro corredor. Vamos criar um corredor para dar mais tranquilidade e condições”, afirmou.
Damião ressaltou que a medida já foi implantada, com sucesso, em outras cidades, como São Paulo.
Mais segurança
Para quem usa motocicleta para trabalhar, a iniciativa é muito bem-vinda. Jéssica Magalhães - líder do coletivo “Minas no Trecho”, só de motogirls - trabalha como motorista por aplicativo desde a pandemia e avalia a implantação da motofaixa como um avanço.
“Não tem como falar de segurança do trabalho, excluindo a necessidade de faixa azul, ela é quase uma ferramenta de trabalho. Ela já existe, só precisava ser regulamentada. Com isso, começamos a entender que estamos sendo tratados como indivíduos no trânsito. O motorista do carro vai passar a ter cuidado na hora de trocar de faixa. Se conseguirmos expandir isso para corredores como (as avenidas) Cristiano Machado, Antônio Carlos e Nossa Senhora do Carmo, os poderes públicos vão estar dialogando com o trabalhador na questão da segurança”, afirma.
A motogirl lembra que a faixa exclusiva é uma demanda antiga de quem trabalha com motocicletas. Há cerca de dois anos, o Ministério do Trabalho pediu a suspensão do serviço de transporte em motocicletas na capital, alegando questões de segurança, depois de acidentes com mortes. “Em uma das reuniões sugerimos a pauta da faixa azul. A discussão avançou com a proposta de vias para a implantação da faixa, em caráter de teste, seguindo o modelo de outras capitais.”
Vanderley Junio, de 27 anos, trabalha como motorista por aplicativo para complementar a renda. Ele acredita que a motofaixa vai contribuir para a segurança dos motociclistas. “Vai evitar acidentes e trazer mais segurança até mesmo para quem está começando a pilotar. Acredito que vai fazer o fluxo de trânsito circular mais fácil. No começo, pode haver motoristas que não vão gostar, mas depois de um tempo vai agregar bastante”, afirma.
Estudo de viabilidade e fiscalização
O professor do Departamento de Transportes do Cefet-MG e especialista em Segurança no Trânsito, Agmar Bento Teodoro, avalia que a implantação da motofaixa é uma alternativa para a melhora nas condições de segurança no trânsito.
“Contudo, é necessário que se faça um estudo de viabilidade da mesma. É importante que a faixa azul seja implementada em corredores que tenham um alto fluxo de motocicletas e que liguem importantes partes da cidade. Aqui em Belo Horizonte, a Via Expressa é um corredor interessante, podendo, inclusive, contribuir para a migração do fluxo de motocicletas da Avenida Amazonas para a via”.
Teodoro diz que o Departamento de Engenharia de Transportes do Cefet-MG conduziu um estudo avaliando a possibilidade de implantação da motofaixa em alguns trechos da Via Expressa, utilizando simulação de tráfego.
“E chegamos à conclusão que ela é um corredor interessante para implantação da faixa. O uso da motocicleta é algo presente nas grandes cidades, que de certa forma influencia a economia. Então, investir na infraestrutura para esse modo de transportes, proporcionando maior segurança para os usuários, é fundamental”, conclui.
Já o presidente do Sindicato dos Motociclistas e Ciclistas de Minas Gerais (Sindimoto-MG), Rogério dos Santos Lara, é cauteloso em dizer que a medida será a solução para redução de acidentes envolvendo motociclistas no trânsito da capital. “Nessa questão não é uma única atitude que resolve. É preciso um conjunto de ações”.
Ele cita entre as ações, fiscalização e formação dos motoristas. “Além dos trabalhadores por aplicativo, tem os usuários de motocicleta. São pessoas que compram a moto e saem por aí, indo para o trabalho e voltando, sem nenhum curso especializado. Não é simplesmente tirar a carteira e começar a rodar. BHTrans, Guarda Municipal e Polícia Militar fazem pouca fiscalização. São motos com pneus careca, sem manutenção, sem freio, pessoas rondando sem habilitação”.
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(Com informações de Quéren Hapuque)