Réu por matar funcionário de concessionária em BH vai a júri popular
Acusado passou por exame de insanidade mental e foi apontado como parcialmente incapaz de entender o caráter criminoso do fato
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Marcélio Lima de Barros, réu pelo homicídio de Alexandre dos Santos Queiroz, funcionário de uma concessionária de veículos, vai a júri popular conforme decisão do juiz Diego Gómez Lourenço, do 2º Tribunal do Júri Sumariante de Belo Horizonte. O magistrado pronunciou-se na última terça-feira (31/3) e o julgamento ainda não foi marcado. O crime ocorreu em 28 de maio de 2024 na concessionária onde a vítima trabalhava, na Região da Pampulha, em BH. Marcélio é acusado de efetuar disparos de arma de fogo contra Alexandre.
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Na decisão de julgamento, o juiz Diego Gómez Lourenço afirmou que o réu passou por exame de insanidade mental durante a fase de instrução do processo. Conforme o documento, o laudo apontou que o acusado é “parcialmente incapaz de entender o caráter criminoso do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento por motivo de perturbação da saúde mental.” O magistrado reconhece que o réu tem semi-imputabilidade, com diminuição de pena e não de exclusão de culpabilidade.
Marcélio, cuja defesa é feita pela Defensoria Pública, foi preso em flagrante no dia seguinte ao crime. Em seguida, a prisão foi convertida em preventiva. A denúncia contra ele foi recebida em 9 de julho de 2024. Em novembro daquele ano, ocorreu a audiência de instrução e julgamento, quando foram ouvidas as testemunhas de acusação e defesa.
Em setembro de 2025, o juiz Roberto Oliveira Araújo Silva revogou a prisão preventiva do réu e determinou medidas cautelares. A decisão foi tomada tendo em vista o requerimento da defesa do acusado para que ele fizesse uma cirurgia de raspagem da próstata. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) também se manifestou a favor da substituição da prisão preventiva por medidas cautelares.
Relembre o crime
O crime ocorreu no dia 28 de maio de 2024, por volta de 14h12min, na Avenida Professor Magalhães Penido, Bairro Liberdade na concessionária de veículos onde a vítima trabalhava. Dias antes do crime, Marcélio levou o carro até a concessionária para ser reparado e foi atendido por Alexandre.
Cerca de uma semana depois, o réu voltou à concessionária, alegando que o carro estaria com defeito, e fez novamente contato com Alexandre. A um funcionário, Marcélio afirmou que o atendente teria causado danos no veículo de maneira premeditada, o que provocou uma discussão entre os dois.
Posteriormente, o acusado decidiu efetuar os reparos em seu veículo em uma oficina particular, por entender que o problema não seria resolvido na concessionária. “Inconformado com a discussão, além de culpar a vítima pelo prejuízo financeiro com o conserto do carro, o denunciado decidiu dar cabo da vida do ofendido”, consta no documento judicial.
No dia 28 de maio, Marcélio foi até a concessionária armado e, quando Alexandre estava de costas para ele, efetuou os disparos. Imagens de câmera de segurança flagraram o momento do crime. Nas gravações, é possível ver o funcionário andando até seu guichê. Ele é seguido pelo réu que, ao se aproximar, saca uma arma de fogo e começa a disparar. A vítima cai no chão, mas o autor do crime continua descarregando o revólver e, em seguida, sai andando pela loja.
O documento judicial reconhece que o homicídio foi por motivo fútil, dificultou a defesa da vítima e representou perigo comum, visto que foi cometido em plena luz do dia dentro da concessionária, onde havia outras pessoas.
O acusado fugiu do local e, mais tarde, foi preso por policiais militares. A guarnição encontrou uma pistola semiautomática Taurus PT 58HC Plus, com numeração de série raspada, contendo dois cartuchos intactos e um outro intacto na câmara. A pistola usada no crime teria sido comprada pelo suspeito em 2001, em um clube de tiro no bairro Gutierrez, na Região Oeste da capital, por R$ 2 mil. O número de série da arma havia sido raspado cinco dias antes do crime, indicando premeditação.
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Representante da família da vítima
“A Justiça deu um primeiro passo ao decidir que o acusado pela morte de Alexandre vai a júri popular e agora caberá à sociedade de Belo Horizonte dar a resposta final a um crime covarde, cometido contra um homem que estava simplesmente trabalhando", afirmou o advogado que representa a família de Alexandre dos Santos Queiroz, Tiago Lenoir. Em nota, ele afirmou ainda que vai recorrer para que o acusado não responda em liberdade.