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UFMG: reitor estuda parceria para cursos na área de mudanças climáticas

Em entrevista ao 'EM Minas', da TV Alterosa, Alessandro Moreira disse que há tratativas com o Corpo de Bombeiros para cursos de graduação e pós-graduação 

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O novo reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Alessandro Fernandes Moreira, anunciou tratativas com o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais para firmar uma parceria com a instituição em cursos de graduação e pós-graduação na área de mudanças climáticas e desastres, durante entrevista ao EM Minas, parceira com o portal Uai e Estado de Minas.

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Moreira foi empossado no cargo em 19 de março e permanece até 2030. Ele citou os desafios a serem enfrentados, neste período, à frente da instituição, um novo câmpus em Betim, repasse de verbas do governo federal e políticas de permanência para os alunos. 

Moreira ainda fez uma avaliação do primeiro ano do processo seletivo seriado para ingresso na universidade, o Centro Nacional de Vacinas e a possibilidade do fim do ensino em tempo integral do Centro Pedagógico da UFMG. 

Confira a seguir os principais trechos da entrevista. O conteúdo também está disponível no canal do Portal Uai no YouTube.


O senhor tem uma trajetória de mais de 30 anos na UFMG, inclusive com passagem como vice-reitor. 

Sim. Esse ano faz 40 anos que pus meu pé pela primeira vez na universidade, como estudante de Engenharia Elétrica. Sou engenheiro eletricista formado na Escola de Engenharia da UFMG. Já estive em vários cargos de gestão na universidade, não apenas nesses últimos oito anos ao lado da professora Sandra (Goulart Almeida), como vice-reitor da instituição. Mas também como diretor e vice da Escola de Engenharia. Tenho uma trajetória de gestão acadêmica na universidade já com alguns anos de estrada. 


Qual seu principal desafio à frente da UFMG? 

São vários, mas tem um com importância muito grande para a universidade. A UFMG é a cara do Brasil. Temos uma política de inclusão muito madura, permitida inclusive pela Lei de Cotas. Costumo dizer que a inclusão precisa de uma política de permanência. Um grande desafio que a instituição tem é a política de permanência estudantil, não apenas do ponto de vista material (despesas). Os investimentos que fazemos em restaurante, moradia, políticas acadêmicas, políticas de bolsa. Mas uma permanência qualificada do estudante. Como nossos projetos pedagógicos, de ensino de graduação e de pós-graduação reconhecem essas pessoas que estão hoje na instituição. Acho que a política de permanência estudantil, em que pese a questão orçamentária sempre desafiadora, é um grande desafio que nós temos. Outro desafio é o relacionamento que a gente tem com a sociedade. Essa é uma marca que queremos nessa gestão: ampliar nosso impacto na sociedade. São problemas cotidianos, da cidade de Belo Horizonte, do estado de Minas, do Brasil. Queremos estar sempre ali em sintonia, em sinergia, para solucioná-los. 


A evasão escolar na UFMG é uma preocupação?

Evasão é uma preocupação em qualquer instituição de ensino. Precisamos qualificar o que é evasão. A universidade pública, em geral, tem uma forma de migração de estudantes que, às vezes, acontece. Isso é muito normal. Fui professor de primeiro período e pude perceber um pouco menos de maturidade (por parte dos estudantes). Temos processos internos de troca de cursos, por exemplo. Evasão é um problema. Não é nosso principal problema, mas temos que saber qualificar evasão. Muitas vezes, a migração de um curso para o outro não necessariamente é uma evasão. 


O senhor disse que se reuniu com o Corpo de Bombeiros para firmar um termo de compromisso. É um projeto que está começando, mas envolve um curso de formação?

Estivemos reunidos com o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais e acertamos que vamos elaborar um protocolo de intenções, de formação de pessoas. A intenção é trabalhar e pensar na prevenção de desastres, por exemplo, nas enchentes, como podemos formar pessoas, conscientizar a população de um grande tema hoje, que são as mudanças climáticas. Estamos em uma parceria muito interessante com o Corpo de Bombeiros para criar, na instituição, cursos de formação, de graduação, de pós-graduação, principalmente, nessa área de mudanças climáticas e desastres. É uma área multidisciplinar. Vamos envolver Engenharia, Ciências Socioambientais, o Instituto de Geociências. Estamos muito empenhados em colocar isso em prática.


Tem um campus novo da UFMG, em Betim, surgindo. Em que pé está? 

É uma demanda que veio do MEC (Ministério da Educação), provocado pela Prefeitura de Betim, para instalar naquela cidade, um campus universitário, principalmente nas áreas de tecnologia, inteligência artificial e outras que possam ser agregadas. Esse assunto está tramitando internamente, em nossos órgãos superiores e estamos nos preparando. É uma demanda interessante, positiva. A universidade vê isso como relevante e é importante para a Região Metropolitana, uma região muito populosa, industrializada. O deslocamento na Região Metropolitana hoje é desafiador. Existe um cenário muito favorável, mas é um projeto, uma proposta que ainda está tramitando na universidade. 


Sobre o vestibular seriado, quais são os pontos positivos e negativos dessa implementação? 

O processo seletivo seriado tem uma importância grande de criar uma alternativa de ingresso na instituição. Há mais de 10 anos, a UFMG é 100% do Sistema Unificado (Sisu) pelo MEC. Vislumbramos que uma forma de ampliar a forma de ingresso é criar uma alternativa. Vamos pegar 30% das vagas da UFMG e colocar no processo seletivo seriado. Os outros 70% continuam no Sisu como sempre estiveram. Com isso, conseguimos trabalhar conceitos que muitas vezes, somente a prova do Enem não consegue. Foi um grande sucesso esse primeiro ciclo do seriado. Tivemos uma adesão muito alta, quase 40 mil estudantes. Os desafios envolvem questões de logística. Estamos projetando, pelo sucesso do primeiro ano, algo em torno de 80 mil candidatos fazendo a prova. Pretendemos também ampliar para outras cidades. 


Sobre o Centro Pedagógico, o que o senhor diria para os pais que estão apreensivos com a possibilidade do fim do período integral?

O compromisso da instituição é com a qualidade. Tudo que está sendo feito em relação ao ensino integral, tem a ver com a qualidade que estamos entregando. E não é só a qualidade do ensino para os estudantes, mas também das pessoas que trabalham, dos docentes que estão envolvidos. Fizemos uma avaliação e a situação do ensino integral esbarra também em outras questões até orçamentárias. O compromisso da instituição é entregar um ensino de qualidade. Foi feita uma avaliação e agora ela está tramitando nos órgãos superiores da instituição para entendermos se prossegue ou não, que tipo de mudanças têm que ser feitas. Esse é o momento que estamos vivendo, de avaliação. 

Como está a questão do repasse de verbas do governo federal para a universidade? 

Nos últimos anos, tivemos uma recomposição orçamentária. De fato, alguns anos atrás, tivemos dificuldades muito grandes com cortes mais profundos, não só na questão do orçamento discricionário da instituição, mas também nos órgãos de fomento. A gente vem reequilibrando. Costumo dizer que estamos saindo do CTI. Mas, a questão orçamentária ainda é muito séria. Não temos o orçamento que precisamos. 


A UFMG, recentemente, avançou em um ranking internacional que avalia universidades. Ele foi feito por uma agência que classifica universidades em todo o mundo e a UFMG subiu de posição mais uma vez. Em quais critérios? Qual a importância dessa avaliação? 

Os rankings são muito importantes e esse é o QS World University Rankings. Isso mostra o impacto da instituição na sociedade. Ampliamos em 50% as áreas que têm relevância dentro desse ranking, entre as 200 do país. Temos 33 áreas da instituição de ensino, que hoje figuram entre as 200 mais importantes do país. O ranking pode ser um balizador de para onde a instituição está migrando. Isso nos mostra também qual tipo de investimento estratégico precisamos fazer. 


Qual é a preocupação da UFMG, atualmente, com a questão da sustentabilidade? 

Enquanto ainda estava na posição de vice-reitor coordenei e vou continuar coordenando um projeto de sustentabilidade que chamamos de UFMG Sustentável. Ele visa trazer tecnologias, avanços, tanto na área ambiental, quanto na área energética. Temos um projeto dentro desse UFMG Sustentável que se chama Oasis. Em um mundo ideal é como se o Campus Pampulha fosse autossuficiente em energia e gerasse a própria energia que consome. Não vamos ter condições de fazer isso, mas é um modelo. É interessante porque isso forma pessoas, capacita os profissionais que atuam nessa área. Temos todo um sistema interligado de usinas fotovoltaicas, bancos de baterias que armazenam energia e turbinas de co-geração, que produzem energia elétrica e calor. Vamos ter duas turbinas instaladas no CTE (Centro de Treinamento Esportivo) da UFMG, produzindo energia elétrica e o calor aquece a piscina. Essas tecnologias integradas, chamamos de uma mini rede de energia. A UFMG passa a ser uma referência. 


O que faz a UFMG ser reconhecida, nacionalmente e até internacionalmente, como uma das maiores e melhores universidades do Brasil?

A importância de uma universidade passa por orçamento, investimento em pesquisa, isso é fundamental. Nenhuma pesquisa aplicada nasce por acaso, é sempre resultado de um investimento numa pesquisa básica. Investimos em pesquisa básica, avançamos para pesquisa aplicada, investimos em nossas estratégias de transferência de tecnologia e conhecimento. Isso faz a importância da universidade. O que faz a universidade se mover é o seu corpo discente. Sem aluno, não existe universidade. E naturalmente, nossos técnicos administrativos e nossos professores. Isso tudo é que faz a universidade acontecer. É uma felicidade falar do Centro Nacional de Vacinas, que nasce do empenho de um centro de tecnologia, que chamamos de CT Vacinas. Na época da COVID tivemos o desenvolvimento da SpiN-TEC, 100% nacional, que nos dá muito orgulho e satisfação. A construção do Centro Nacional de Vacinas envolve não apenas trabalho dos nossos pesquisadores, mas investimento do governo federal, estadual e do município de Belo Horizonte. Vai ser muito importante para nosso país, um local para desenvolver vacinas com tecnologia nacional e isso tem um impacto muito relevante para nossa sociedade.


O que fazer para que a UFMG tenha o reconhecimento da empregabilidade dos estudantes que ali se formam?

Tem um detalhe muito importante nesse processo: o acompanhamento do egresso. Temos que investir no nosso egresso. É essa informação que vai alimentar os rankings e mostrar o impacto da instituição nesse item de empregabilidade. 


Ano que vem a UFMG completa 100 anos. Como está a organização das comemorações? 

Já temos um projeto dos 100 anos da UFMG. A gente vem fazendo ciclos de palestra. Fizemos um evento muito interessante de 50 personalidades que se graduaram na nossa instituição. Mas queremos uma festa que nos aproxime do público de Belo Horizonte. A UFMG não existe sem a cidade de Belo Horizonte. E Belo Horizonte não existe sem a UFMG. A gente espera uma grande festa que envolva toda a sociedade. 


Gostaria que o senhor falasse da importância da UFMG nas tragédias de Mariana e Brumadinho

Principalmente em Brumadinho. Mariana também, temos projetos desenvolvidos que buscam a reparação, a questão ambiental, mas Brumadinho foi desafiador. Temos um grande projeto, o UFMG Brumadinho, que atua em várias áreas, desde a questão ambiental até o reposicionamento das pessoas (atingidos) na sociedade, acompanhamento de sofrimento mental. É um grande projeto que envolveu toda uma equipe multidisciplinar da nossa universidade naquela região.


O lema atual da diretoria é inovar, incluir e cuidar. Tem alguma mudança prevista para tornar a UFMG ainda mais inclusiva dentro desse lema? 

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