Onça ou gato? Novo flagrante em Esmeraldas levanta suspeita entre moradores
Suposta onça volta a ser vista na Região Metropolitana de BH e população local relata presença de dois animais na mesma madrugada
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Uma nova aparição de um suposto felino de grande porte voltou a mobilizar moradores de Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O animal foi flagrado na madrugada de ontem (2/4), no Bairro Alexandria, mas não houve captura.
Enquanto autoridades apontam que se trata de um gato doméstico ou gato-do-mato, habitantes contestam a versão e afirmam que duas onças - uma adulta e um filhote - estariam circulando pela área.
O caso mantém o alerta na cidade, que já vinha registrando ocorrências semelhantes nas últimas semanas. Em episódios anteriores, pessoas relataram a presença do felino em telhados e ruas do Bairro São Pedro, o que alterou a rotina da população, especialmente durante a noite.
Desta vez, o flagrante ocorreu na casa da moradora Fabiana Ferreira, que descreve momentos de apreensão vividos por sua família durante a madrugada. Segundo ela, tudo começou em uma noite aparentemente comum.
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“Era um dia normal. Eu estava em casa com minhas filhas, meu esposo chegou do trabalho, seguimos a rotina”, conta. Por volta de 1h20, após fechar a janela do quarto por causa da chuva, a tranquilidade foi interrompida pelo comportamento incomum dos cães da casa.
“Meu cachorro começou a ficar muito inquieto. Latia, ia até a porta, voltava, latia para a janela. Até então, parecia algo natural, porque ele late bastante. Mas depois vimos que não era”, conta.
O marido de Fabiana, que já estava acordado para sair para o trabalho, ouviu barulhos fortes no quintal, como objetos caindo. Desconfiado, decidiu verificar as câmeras de segurança da residência. “Quando ele olhou, viu o animal em pé, perto da janela do meu quarto. Na hora, ele abriu a porta, e o bicho saiu correndo”, explica.
Apesar disso, segundo o depoimento, não se tratava de apenas um animal. “Ele percebeu que não era só um. Tinha outro mais abaixo, a uns 200 ou 300 metros, perto de umas bananeiras. E esse era maior”, afirma.
A família acredita que a criatura menor registrada pelas câmeras seja um filhote, enquanto a outra, maior, seria a mãe. A hipótese é reforçada pelos sons ouvidos no período. “O rugido que a gente escutou não era do filhote. Era do outro, que estava mais afastado. Não estava nem na mesma câmera”, diz.
Apesar da versão oficial descartar a presença de onça, a moradora contesta a análise. O marido dela, segundo a própria, já teve contato com a espécie em outra região do país.
“Ele morou em Rondônia e já viu esse tipo de bicho de perto. Ele garante que era uma onça-parda. O tamanho inferior é porque era um filhote, mas a mãe estava ali”, sustenta.
Imagens feitas no local mostram ainda marcas no solo do quintal, que é de terra. “Ficaram marcas das garras perto da janela. Isso também chamou atenção de quem veio aqui”, afirma.
Após o ocorrido, Fabiana compartilhou o vídeo com vizinhos como forma de alerta, principalmente por conta da presença de crianças na região. “Aqui tem muitas crianças, inclusive autistas, que brincam em um campinho perto da minha casa. Fiquei preocupada e avisei todo mundo”, conta.
A repercussão levou um jornal local a ir até o imóvel para registrar o caso. No entanto, segundo a moradora, não houve presença de equipes ambientais ou de resgate até o momento. “Ninguém veio fazer vistoria. Só orientaram a ligar para os bombeiros se ele aparecer de novo”, diz.
A orientação oficial, de fato, é que a população não se aproxime da criatura em caso de avistamento e acione imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.
Especialistas, por outro lado, descartam a hipótese de onça. O profissional Aldair, do Resgate Animal, analisou as imagens e afirmou que se trata de um gato doméstico.
“Pela altura em relação à janela e ao banco onde ele sobe, não há possibilidade de ser uma onça. Além disso, a cauda e o porte são típicos de gato doméstico, e pequeno ainda”, explicou.
A divergência de versões aumentou o clima de incerteza entre os moradores. Em um grupo no WhatsApp, a discussão é intensa. “Como um gato teria o rugido e as pegadas de uma onça? Essa história está mal contada”, questionou uma pessoa. Outra acredita que o bicho já deixou a região, enquanto há quem defenda que ele ainda esteja escondido em áreas de mata próximas.
A nova ocorrência também chama atenção pela distância entre os pontos de avistamento. O Bairro Alexandria fica relativamente próximo ao São Pedro, onde houve registros anteriores, mas não o suficiente para descartar deslocamentos mais amplos, especialmente no caso de espécies silvestres.
A área da ocorrência possui áreas de vegetação próximas, o que, segundo moradores, poderia facilitar a presença de animais silvestres. Ainda assim, a ausência de confirmação oficial mantém o episódio em aberto.
Na noite seguinte ao flagrante, não houve novos registros no local, mas o clima entre os moradores segue de vigilância constante. “Qualquer barulho a gente já fica atento. Meu esposo olhava as câmeras o tempo todo”, relata Fabiana.
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*Estagiária sob supervisão do subeditor Gabriel Felice