TENSÃO

Onça vista em Esmeraldas altera rotina de moradores

Felino localizado há duas semanas em bairro da cidade na região metropolitana de BH ainda não foi capturado, provocando medo entre moradores

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Moradores do Bairro São Pedro, em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, vivem uma rotina de tensão desde que passaram a conviver com uma presença incomum no dia 16 deste mês. Uma onça, vista circulando entre ruas e telhados de casas, ainda não foi capturada, apesar das buscas realizadas por equipes ambientais. O resultado é um cotidiano atravessado pela incerteza e vigilância constante.

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O episódio deixou de ser apenas um relato isolado quando câmeras de segurança flagraram o animal caminhando sobre residências durante a madrugada. As imagens, que se espalharam rapidamente, comprovaram que não se tratava mais de um boato: havia uma onça à solta, cruzando o mesmo espaço onde circulam famílias, crianças e animais domésticos.

A explicação mais provável, segundo os profissionais do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMMG) acionados no dia de sua aparição, é que o felino tenha saído de um corredor ecológico formado por fragmentos de mata próximos ao bairro. Fora do habitat, o animal passou a transitar pela área urbana, possivelmente em busca de alimento.

Mas nem todas as perguntas têm resposta. Há quem acredite que não se trata de um único animal. A moradora Shayanne Almeida relata ter encontrado comentários recentes em redes sociais indicando o avistamento de uma onça preta em um sítio da região em 21 de março. Ela também menciona um vídeo antigo, de cerca de cinco anos, que mostraria um felino semelhante em Esmeraldas. Nada disso, porém, foi confirmado oficialmente.

Enquanto as hipóteses se acumulam, o medo é concreto e cotidiano. "Hoje a gente chega em casa olhando para telhado, muro, árvore… qualquer lugar onde ela possa estar", conta a comerciante Carla de Andrade. "Outro dia, o pessoal estava procurando na rua e ela estava em cima de uma árvore".

A sensação de insegurança, segundo ela, foi agravada pela resposta inicial das autoridades. "No primeiro dia, ela apareceu à noite, e os órgãos só vieram no dia seguinte. Depois, quando a gente chamava, demoravam três, quatro, cinco horas. A gente ficava se perguntando: o animal vai ficar esperando?".

A defasagem entre os horários de avistamento e a chegada das equipes virou motivo de indignação entre os moradores. Em um dos episódios, a onça foi vista por volta das 6h, horário em que o bairro começa a ganhar movimento, mas o resgate só apareceu à tarde. "A gente falava nos grupos: eles tinham que acampar aqui. Do jeito que estava, nunca iam encontrar", relembra.

A pressão surtiu efeito quando o caso ganhou repercussão na imprensa. De acordo com Carla, a partir da visibilidade vieram também ações mais intensas: viaturas, drones sobrevoando casas, equipes de monitoramento e até acampamento na região. Ruas foram cercadas em tentativas de conter o animal nos pontos onde havia sido visto.

Ainda assim, a captura não aconteceu. "Eles chegaram a fazer cerco em várias ruas. Mas, quando começaram a entrar nas áreas de mata, parece que ela se assustou e fugiu para outro ponto", diz a comerciante.

Sem desfecho, a história se transforma em rotina. Cachorros deixaram de dormir no quintal. Portões são fechados mais cedo. Olhares se voltam para cima, não apenas para os lados.

"Tem gente que nem consegue deixar o animal dentro de casa porque é muito agitado. Imagina o desespero”, afirma a moradora. No caso dela, a adaptação foi possível, mas não sem impacto. "Aqui em casa, a gente colocou para dormir dentro. Mas muda tudo".

O horário também virou fator de preocupação. "Meus filhos e meu marido saem às cinco e meia da manhã. É justamente quando ela já apareceu. E também à noite. São os piores horários".

Apesar da tensão, não há registros confirmados de ataques a pessoas. Circulam relatos sobre possíveis ataques a animais domésticos, mas sem confirmação. Ainda assim, a percepção entre os moradores é de que o risco existe e pode aumentar.

"A gente acredita que ela esteja com fome. Está procurando alimento. Por isso, quanto mais demora, mais perigoso fica: para a gente e para ela", diz Carla.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que acompanha a situação junto ao Grupo de Resposta a Animais em Desastres (Grad). As equipes monitoram a área e estão preparadas para agir caso o animal seja localizado em condição de captura segura.

Casos como esse, segundo especialistas, tendem a se tornar mais frequentes. A expansão urbana sobre áreas de mata reduz o espaço dos animais silvestres e altera suas rotas naturais, aproximando-os de zonas habitadas.

No meio da tensão, um elemento extra tem dificultado a situação: a desinformação. Boatos e mensagens falsas circulam entre moradores, incluindo afirmações de que a onça já teria sido capturada. "Tem gente que posta meme, que fala que já pegaram. Isso só atrapalha. A gente precisa de informação de verdade", critica Carla.

Sem confirmação oficial de captura, o bairro segue em estado de atenção, como se a qualquer momento o animal pudesse reaparecer, silencioso, acima do campo de visão. "A gente não quer que façam nada contra ela", diz a moradora. "Mas também quer voltar ao normal. Do jeito que está, ninguém relaxa".

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*Estagiária sob supervisão do subeditor Gabriel Felice

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