A greve dos profissionais da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) chega ao 3º dia nesta quinta-feira (19/3), com cobranças por melhorias nas estruturas das unidades hospitalares e melhor valorização. Em coletiva nesta manhã, o secretário de Estado de saúde, Fábio Baccheretti, anunciou que entrou com processo no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) para que os servidores voltem a trabalhar.
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“Foram suspensas 50 cirurgias, o que tem afetado diretamente a assistência, não só eletiva, mas de urgência também. Eu sou médico, trabalho até hoje, por isso identifico que não cabe a nós uma greve, que, no final, quem sofre é o paciente que precisa de atendimento”, afirma Baccheretti.
O secretário acredita que a decisão do TJMG sairá ainda nesta quinta-feira (19/3) e que será determinado o fim da greve.
“Para que a urgência do Hospital João XXIII não seja afetada, é necessário o fim da greve. No momento, não há enfermeiro, técnico de enfermagem, cirurgia ou circulante. O paciente que está com uma fratura tem que esperar mais um, dois ou três dias. Isso pode infeccionar”, afirma o secretário.
Em contrapartida, ele afirma que a luta pelo aumento salarial é uma demanda justa e que há uma proposta de aumento por parte do governo estadual.
“Sou de uma época em que o salário era dividido em três vezes; aumento, nem pensar, iríamos ter. Acredito que seja justa e que esse é o papel do sindicato, mas o que não podemos deixar é que esse movimento (de pedir aumento salarial) reflita na vida dos pacientes”, finaliza Baccheretti.
Na manhã desta quinta-feira (19/3), a Fhemig informou que, no Hospital João XXIII, foram adiados, até o momento, 23 procedimentos programados. As cirurgias de urgência e emergência foram realizadas normalmente. No Complexo de Especialidades, que inclui os hospitais Júlia Kubitschek e Alberto Cavalcanti, houve o adiamento de oito cirurgias eletivas.
Sindicato se manifesta
“É lamentável que o secretário de Estado de Saúde, ao invés de resolver os problemas que motivaram a greve, que estão relacionados à assistência aos pacientes e à melhoria das condições de trabalho, tenha buscado o caminho da justiça para impedir a continuidade do movimento”, protesta Martins.
O presidente questiona os argumentos usados por Baccheretti, sobre os atendimentos aos pacientes em situação de urgência ou que necessitam de cirurgias, que não estariam de fato parados.
“É mentira. Desde o início da greve, 100% dos atendimentos de urgência estão sendo garantidos. Toda a assistência aos pacientes internados está sendo mantida. Mesmo que não seja de urgência, está garantida com a escala que foi mantida dentro dos blocos pelos trabalhadores. Não procede que prejudicamos um paciente com problemas ortopédicos ou que deixamos alguém com fraturas aguardando”, aponta Martins.
Ainda segundo ele, o bloco cirúrgico do João XXIII tem funcionários disponíveis para que sejam realizadas as cirurgias de emergência e que, se não foram feitas cirurgias, foi porque a direção da unidade hospitalar não quis.
“Quero aqui afirmar o seguinte: quem traz prejuízo para os pacientes, principalmente aqueles que necessitam de cirurgias ortopédicas, foi o próprio secretário de Saúde, quando fechou um hospital no ano passado, com o fechamento do Hospital Marília Lins, o que fez com que 300 cirurgias deixassem de ser feitas por mês”, aponta o presidente da Asthemg.
O sindicato apontou que não recebeu notificação do TJMG e que o movimento busca a melhoria da assistência aos pacientes.
Zema se pronunciou
O governador Romeu Zema (Novo) comentou sobre a greve dos trabalhadores da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), anunciada na terça-feira (17/3), em evento voltado para os produtores rurais na quarta-feira (18/3) em BH.
“Todo ano eleitoral é isso. Em 2022, foi desta maneira; foi o ano em que encontrei mais transtornos. Parece que os sindicatos e associações, muito ligados à esquerda, querem, de certa maneira, causar algum tumulto, ter algum protagonismo em ano eleitoral. Eu estou vendo isso com muita naturalidade”, afirmou Zema.
O governador de Minas Gerais afirmou que o estado vai respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal e que o reajuste proposto à categoria, de 5,4%, é o que foi possível.
Hospitais em Greve
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Hospital Pronto Socorro João XXIII
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Maternidade Odete Valadares
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Hospital Infantil João Paulo II
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Hospital Alberto Cavalcanti
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Hospital Júlia Kubitschek
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Hospital Eduardo De Menezes
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Instituto Raul Soares – Psiquiátrico
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Casa De Saúde Santa Izabel (Betim)
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Centro Hospitalar Psiquiátrico – Barbacena
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Hospital Regional De Barbacena
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Hospital Regional Dr. João Penido - Juiz De Fora
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Casa De Saúde Padre Damião – Ubá
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Hospital Regional Antônio Dias - Patos De Minas
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Casa De Saúde Santa Fé - Três Corações
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Casa De Saúde São Francisco De Assis (Bambuí)
