O suspeito de matar três mulheres em uma padaria no Bairro Lagoa, em Ribeirão das Neves (MG), na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), foi indiciado por triplo feminicídio e tentativa de homicídio. Magno Ribeiro da Silva, de 30 anos, foi preso em flagrante no bairro Céu Azul, na região de Venda Nova, na capital, sete dias após os assassinatos. A conclusão do inquérito foi apresentada pela Polícia Civil nesta segunda-feira (9/3).
O crime aconteceu em 4 de fevereiro deste ano e deixou mortas duas adolescentes, de 14 e 16 anos, e uma mulher de 56 anos. Uma jovem de 19 anos também foi alvo dos disparos, mas sobreviveu.
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De acordo com os investigadores, o trabalho conduzido pela Delegacia de Homicídios de Ribeirão das Neves reuniu provas técnicas, imagens de câmeras de segurança e depoimentos que confirmaram a autoria do crime. A investigação também descartou a participação de um adolescente de 17 anos que era namorado de uma das vítimas e havia sido apontado como possível suspeito nas primeiras horas após o ataque.
Segundo o delegado Marcos Vinícius, responsável pelas investigações, desde o início, o caso chamou a atenção pela forma de execução. “Realmente não era uma investigação fácil. Desde o primeiro momento percebemos que se tratava de um crime diferente, pela forma como foi cometido e pelo relato da vítima sobrevivente”, disse.
Durante as apurações, os policiais identificaram um segundo ataque semelhante acontecido cerca de 15 horas após o crime da padaria, em uma oficina localizada a aproximadamente três minutos. Na ocasião, dois funcionários foram alvo de disparos feitos por um homem que chegou em uma motocicleta e atirou sem dizer nada. As vítimas não foram atingidas.
As imagens de câmeras de segurança registradas na oficina ajudaram a avançar na investigação. Segundo o delegado, as gravações apresentavam melhor qualidade do que as da padaria e o compartilhamento das imagens gerou mobilização e ajudou na identificação do suspeito. “Havia uma grande preocupação de que o autor voltasse a atacar, então divulgamos as imagens para tentar identificá-lo o mais rápido possível”, explicou.
Dias depois, policiais militares receberam uma denúncia indicando que um homem poderia ser o autor dos ataques. No imóvel do suspeito, os agentes encontraram uma arma de fogo que apresentava características semelhantes à utilizada nos crimes e também foram apreendidos objetos que reforçaram a suspeita, como uma touca ninja e uma mochila parecida com que entregadores de aplicativos usam.
“A arma encontrada com ele foi submetida à comparação balística com os projéteis recolhidos nos locais dos crimes e nos corpos das vítimas. O resultado foi positivo, confirmando que se tratava do mesmo autor”, explicou o delegado.
Durante o interrogatório, segundo delegado, o investigado preferiu permanecer em silêncio sobre os crimes. Ele apenas confirmou que a arma apreendida era sua, mas não deu detalhes sobre os ataques.
Sobre a motivação, os investigadores apontam que o ataque à padaria pode estar relacionado a uma possível rejeição sofrida pelo suspeito ao tentar se aproximar de uma funcionária do estabelecimento. Conforme a apuração, o homem teria histórico de comportamento obsessivo e baixa tolerância a rejeição.
“Na padaria, as informações indicam que ele tentou uma aproximação com uma funcionária e não foi bem-sucedido. Esse tipo de situação já aparece em registros anteriores envolvendo o investigado”, disse o delegado.
Os policiais também identificaram registros anteriores envolvendo o investigado e uma mulher que teria sido perseguida por ele durante anos após recusar um relacionamento.
Outro ponto analisado pela investigação foi o comportamento do suspeito durante os ataques. Segundo o delegado, a forma de execução chamou a atenção pela maneira como o autor se movimentava e manuseava a arma.
Durante a coletiva, os investigadores também mencionaram que o suspeito relatou passar longos períodos jogando jogos de tiro em dispositivos eletrônicos. No entanto, a polícia ressaltou que isso não foi apontado como causa do crime, mas apenas como um dos elementos observados no perfil comportamental do investigado.
A jovem de 19 anos que sobreviveu ao ataque contou à polícia que o suspeito chegou a apontar a arma para ela. No entanto, o disparo não ocorreu. A principal hipótese é que a arma tenha falhado ou que o carregador estivesse sem munição naquele momento.
Segundo os investigadores, a arma também apresentou falha durante o ataque registrado na oficina no dia seguinte.
Com a conclusão do inquérito, o caso foi encaminhado ao Ministério Público, que irá analisar as provas reunidas pela Polícia Civil e decidir se oferece denúncia contra o investigado à Justiça.
Relembre o caso
Nathielly Kamilly Fernandes Faria, de 16 anos; Emanuelly, de 14; e Ione Ferreira Costa, de 56, foram vítimas do crime no dia 4 de fevereiro deste ano. As jovens trabalhavam no estabelecimento e Ione era cliente da padaria. Emanuelly chegou a ser socorrida e encaminhada em estado grave ao Hospital Risoleta Neves, onde morreu.
De acordo com o boletim de ocorrência, equipes foram até um endereço no Bairro Céu Azul, após receberem informações sobre o possível autor. No local, os militares localizaram uma motocicleta com características semelhantes às usadas no crime da padaria.
O ex-namorado de Nathielly foi apreendido e passou por audiência. A mãe do jovem afirmou, no dia dos crimes, que ele não era o autor e sustentou que o filho estava em casa no momento dos fatos, apresentando imagens e comprovantes como possíveis álibis.
(Com Clara Mariz, Mariana Costa e Melissa Souza)
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*Estagiária sob supervisão do editor Benny Cohen
