Médico denunciado por abuso sexual durante exame em BH é indiciado
Eliphas Levi Assumpção Egg Gomes, de 31 anos, foi preso em flagrante em 11 de fevereiro. Ele foi indiciado por violação sexual mediante fraude e estupro
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O médico Eliphas Levi Assumpção Egg Gomes, de 31 anos, foi indiciado por violação sexual mediante fraude e estupro. O generalista foi preso em flagrante depois que uma mulher de 18 anos o denunciou.
O crime foi cometido em uma clínica de exames de imagem na área hospitalar no Bairro Santa Efigênia, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, em 11 de fevereiro. As investigações apontaram, além da autoria do suspeito, que é possível que outras mulheres tenham sido vítimas.
À polícia, a jovem contou que estava na clínica médica para realizar um exame de imagem, pois estava com dores abdominais. Após o procedimento, o médico a informou que seria necessário fazer um ultrassom intravaginal, utilizando as próprias mãos, "para ver se achava alguma coisa errada".
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Durante coletiva de imprensa, a delegada Larissa Mascotte informou que, durante o novo procedimento, o homem teria inserido os dedos nas partes íntimas da vítima sem a utilização de luva ou qualquer explicação prévia a respeito do que seria feito.
Além disso, conforme a denúncia, Gomes também teria exposto o seu órgão genital, segurado a vítima com força na região da cintura, virado ela de costas e, em seguida, colocado seu corpo sobre o dela.
“Durante as investigações, o relato da vítima se demonstrou firme, coerente, foi corroborado por outros elementos de provas, como o depoimento de testemunhas”, afirmou Mascotte.
Segundo a delegada, durante as investigações, outros funcionários da clínica afirmaram que o médico não comunicou a respeito da necessidade do exame transvaginal. Conforme os depoimentos, a prática era de praxe para que a informação fosse colocada no sistema e uma eventual cobrança feita.
“Quando há necessidade de um exame complementar durante o exame originário, o médico deve ligar para a secretaria da clínica e comunicar que está realizando um exame complementar para que ele seja registrado no sistema e seja cobrado. Isso não foi feito”, explica.
Outro ponto indicado no inquérito foi a falta de imagens do suposto exame complementar. Os policiais questionaram não só o suspeito, mas também outros médicos e funcionários da clínica sobre os resultados. No entanto, não houve registro do procedimento no sistema do estabelecimento.
“As informações fragilizam muito o depoimento do investigado de que esse exame teria sido feito dentro dos limites éticos e técnicos do procedimento”, afirma a responsável pelo inquérito.
Questionada sobre a necessidade de um acompanhante ou a presença de uma pessoa, além do médico, para a realização do exame, Larissa Mascotte explicou que há legislação que determine essa prática. No entanto, a jovem não foi alertada porque o procedimento não estava programado. Além disso, o investigado, em depoimento, afirmou que trabalhava sozinho, sem auxílio de enfermeiras ou técnicos de enfermagem.
“Ele, inclusive, atendia utilizando seu próprio computador e seu próprio aparelho. Mas que realmente existiam outros médicos na clínica que atendem com um outro funcionário da clínica, mas que ele não”, disse a delegada.
Outras mulheres foram vítimas?
Ao longo das investigações, a Polícia Civil descobriu que uma outra mulher teria sido vítima do médico. A paciente, de 21 anos, também teria feito um exame com o suspeito em dezembro de 2025. Na oportunidade, assim que o procedimento começou, o homem teria trancado a porta do consultório.
“Durante o exame ele [o investigado] ficou o tempo todo chamando ela de ‘meu bem', ‘meu amor’, que fez perguntas invasivas sobre a vida sexual e vida íntima dessa paciente”, conta a delegada, Larissa Mascotte.
Ainda conforme o relato da segunda vítima, ela teria notado que o exame foi excessivamente demorado. Além disso, ao final do procedimento, em vez de permitir que a mulher se limpasse, o suspeito teria, sem qualquer tipo de consentimento ou explicação, pegado um lenço e feito ele mesmo a higiene na região genital da vítima.
Médico está preso?
Em 13 de fevereiro, o médico teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça de Belo Horizonte. Em sua sentença, a juíza Juliana Beretta Kirche Ferreira Pinto, da Vara de Custódia, afirmou que em crimes contra a dignidade sexual, frequentemente praticados às ocultas e de maneira clandestina, a palavra da vítima é considerada elemento de convicção.
“Sobretudo nesta estrita sede relativa à audiência de custódia, afigurando-se, a nosso ver, imprescindível o decreto da prisão preventiva de forma a resguardar a vítima e a ordem pública", justificou a magistrada.
Por fim, a magistrada alega que os relatos da vítima e do policial militar que conduziu o APFD "são veementes em demonstrar os indícios da autoria e materialidade delitivas, sobretudo em crimes dessa natureza, de extrema violência e gravidade, cometidos na clandestinidade".
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Eliphas Levi Assumpção Egg Gomes afirmou à Polícia Militar que apenas realizou exames de rotina e negou qualquer tipo de abuso. À época da prisão, a reportagem tentou contato por telefone e mensagens com o advogado do médico, mas não houve retorno até a última atualização desta publicação. O espaço segue aberto para manifestação.