Árvore cai sobre casa tombada considerada a mais bonita de BH
Imóvel histórico no Bairro Floresta é atingido após alerta de chuva e ventos fortes emitido pela Defesa Civil
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Uma árvore de grande porte caiu sobre uma casa histórica no começo da tarde desta segunda-feira (9/3) em Belo Horizonte, causando danos à fachada do imóvel tombado, no Bairro Floresta, Região Leste da capital mineira.
A casa fica na Avenida Assis Chateaubriand e a árvore que caiu teria sido plantada por volta de 1930, sendo portanto quase centenária. A queda ocorreu em meio ao temporal com muito vento, poucas horas depois de um alerta emitido pela Defesa Civil.
O que aconteceu?
A árvore caiu por volta de 12h sobre a casa vencedora do concurso de imóveis tombados mais bonitos da cidade. A parte da frente da residência foi destruída, com quebra de vidros, muros e danos estruturais.
Na hora do acidente, uma mulher passava com um guarda-chuva pela calçada e por pouco não foi atingida. Não há registro de feridos.
O laudo técnico da prefeitura (de 23 de dezembro de 2025) analisou três árvores no terreno: um ipê de grande porte, um pinheiro de grande porte e outra árvore no jardim frontal. O documento dizia que todas estavam estáveis e saudáveis.
De acordo com o parecer técnico da visita, "foram avaliados três espécimes arbóreos, sendo um indivíduo não identificado localizado na área frontal do jardim, um ipê de grande porte e um pinheiro de grande porte. O pinheiro apresenta quatro bifurcações no tronco e exsudação de resina, característica comum da espécie como mecanismo de defesa, não sendo indicativo, no momento, de comprometimento estrutural. O exemplar encontra-se estável, em boas condições vegetativas e fitossanitárias. O ipê de grande porte também apresenta bom estado vegetativo e fitossanitário. Diante das condições observadas, recomenda-se apenas a realização de podas de manutenção e limpeza, não havendo, no momento, necessidade de supressão".
Em nota, a Subsecretaria de Zeladoria Urbana (Suzurb), da PBH, informou que uma equipe foi enviada ao local para realizar o corte e o recolhimento dos resíduos da árvore. Segundo o órgão, uma nova vistoria será feita nas duas outras árvores localizadas na área interna do imóvel para avaliar as condições fitossanitárias atuais dos exemplares.
A Suzurb também explicou que o laudo técnico emitido em dezembro de 2025 constatou que, no momento da inspeção, as árvores de grande porte apresentavam bom estado vegetativo, sendo indicados apenas serviços de poda e limpeza, com indeferimento do pedido de supressão. De acordo com a prefeitura, as vistorias técnicas consideram aspectos visuais, estruturais e fitossanitários, utilizando mais de 30 critérios estabelecidos pela Deliberação Normativa 92/2018 da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Ainda de acordo com eles, o diagnóstico reflete o estado da árvore no instante da vistoria e pode mudar ao longo do tempo por diferentes fatores, e ressaltou que condições climáticas adversas, como ventos superiores a 60 km/h e chuvas intensas, como as registradas no município neste período chuvoso, com índices acima da média, podem provocar a queda inclusive de árvores aparentemente saudáveis.
Reclamações da moradora
A moradora do imóvel, Deborah Riedel, afirmou que já vinha alertando as autoridades há cerca de dois anos sobre o risco da queda da árvore. Segundo Riedel, a última fiscalização ocorreu recentemente, no dia 10 de fevereiro. A avaliação indicou que a árvore estava em boas condições e a recomendação foi apenas poda de manutenção, sem necessidade de remoção.
"Há dois anos lidamos com isso. Entramos em contato com todos os órgãos que você imaginar. Com a Prefeitura e com os bombeiros foram inúmeras chamadas. Com a Defesa Civil também, mas eles nunca vieram", conta.
Ela também afirmou que, até o momento da entrevista, o Corpo de Bombeiros ainda não havia chegado ao local. "Só depois da tragédia é que as pessoas se mobilizam... e até agora os bombeiros não chegaram. A árvore caiu às 12h e eles ainda não vieram", reclama.
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Procurado pela reportagem, o CBMMG informou que, diante do grande número de ocorrências desse tipo, é realizada uma triagem para definir o grau de prioridade dos atendimentos, levando em consideração os riscos e os impactos sociais. Segundo a corporação, o atendimento não ocorre apenas em ordem cronológica.
Casos considerados mais urgentes – como árvores caídas em vias públicas que impactam a mobilidade urbana, situações com ameaça direta à segurança das pessoas ou ocorrências com vítimas – recebem atendimento imediato, podendo ter prioridade em relação a outras demandas registradas simultaneamente.
Situação atual
A frente da casa ficou bastante danificada e os carros na garagem ficaram ilhados porque a queda bloqueou a saída. A moradora teme que outra árvore semelhante também caia, porque está inclinada em direção à sala da casa. "Há uma outra árvore idêntica se inclinando para cair também. E eu estou preocupada, porque ela está na direção da minha sala, onde eu estou conversando com você", detalha a moradora.
A Prefeitura de Belo Horizonte foi procurada pela reportagem, mas não se manifestou até a última atualização da matéria.
Alerta de chuva
Segundo a Defesa Civil de Belo Horizonte, a cidade estava sob aviso de:
- pancadas de chuva com raios
- rajadas de vento de até 50 km/h
- acumulado de 30 a 50 mm de chuva
O alerta meteorológico é válido até a manhã de terça-feira (10/3).
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* Estagiária sob supervisão do editor Benny Cohen