“O que me segurou ali foi a fé que eu tenho em Deus. Foi a minha fé que me salvou.” É assim que a comerciante Edna Silva, dona de um restaurante em Ubá (MG), define as três horas em que passou agarrada a um poste, no meio do temporal que atingiu a cidade da Zona da Mata, na madrugada de terça-feira (24/2). O relato emocionado foi dado ao MG1, da TV Globo, nesta quinta-feira (26/2).

Visivelmente emocionada, a mulher mostrou algumas escoriações pelo corpo provocadas pela luta para sobreviver à correnteza provocada pela enxurrada. “Estou muito fraca, fiquei mais de três horas agarrada ao poste, quase na altura da rede elétrica, pedindo a Deus muita força. Pedi tanto para não morrer afogada. Teve uma hora que achei que ia morrer eletrocutada porque a luz da rua começou a piscar”, se recorda. 

Edna conta que estava em casa quando escutou o barulho de um estouro e a água começou a subir muito rápido. Depois disso, foi lançada para fora de casa e sem saber como, se agarrou a um poste. “Fui procurando sair da água para respirar. Se ficasse debaixo d’água, sei que ia morrer”, afirma. Ela disse que pediu pelo filho e pelo namorado. Os três estavam em casa no momento da enchente.  

 


Alagamento

A mulher conta que estava dormindo e foi acordada por um vizinho alertando sobre o alagamento. Disse que saiu com o namorado pelo portão dos fundos da casa para retirar os carros. Nesse momento, a água já estava cobrindo as rodas dos veículos. Alertada que já não havia mais como retirar os automóveis, os dois voltaram para dentro da casa. A água já batia na altura dos joelhos. O namorado correu e acordou o filho de Edna. 

“Com a água no pescoço, ouvi um estrondo e a água me derrubou. Fiquei submersa, não sei nadar”, contou. 

Ela diz que tampou o nariz e começou a procurar alguma coisa para se agarrar embaixo d’água. “Me agarrei ao poste, senti entulhos embaixo do meu pé, cada vez que mexia o pé eles aumentavam. Isso foi me levantando até conseguir sair fora da água”, descreve. 

Neste momento, Edna olhou para frente e viu o filho agarrado a uma grade. Ela diz que começou a gritar por socorro. Um homem da casa em frente apareceu com uma corda. Mas a mulher afirma que não tinha força nas mãos para segurá-la. 

Então, o homem fez um laço na corda e perguntou se ela conseguiria passar por entre os braços para que fosse puxada. Edna conta que sentiu um alívio quando conseguiu porque já estava ficando sem forças para continuar agarrada ao poste.

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Antes de ser resgatada, uma moto aquática se aproximou para tentar o salvamento, mas não conseguiu. Militares do Corpo de Bombeiros também se aproximaram, mas a correnteza era muito forte. A mulher só foi resgatada quando o nível da água baixou e o homem conseguiu puxá-la pela corda. O filho dela também conseguiu se salvar, mas o namorado segue desaparecido, depois de ser levado pela enxurrada.  

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