'Parecia tiro de canhão': morador relata avalanche de lama em Juiz de Fora
A cidade está em estado de calamidade pública, com 400 pessoas desalojadas e 3 mil desabrigadas
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“Parecia um tiro de canhão com alvo certo e, como eu estava perto do local, deu para pressentir que alguma coisa ruim havia acontecido”, afirma Fabiano Diogo Ferreira, de 51 anos, após escutar o barulho do deslizamento e da destruição de casas na Rua do Carmelo, Bairro Paineiras, local em que reside há 20 anos em Juiz de Fora, na Zona da Mata.
Fabiano trabalha na área da segurança do trabalho com enfoque em meio ambiente e tem atuado como voluntário nas buscas das pessoas desaparecidas na região. Até o momento, 19 pessoas estão desaparecidas e 40 morreram em decorrência dos temporais na cidade.
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Ele narra que as chuvas começaram de forma intensa por volta das 18h dessa segunda-feira (23/2) e que acompanhava pelas redes sociais os problemas com os temporais. Nessa ronda, ele percebeu que um dos problemas havia ocorrido na rua de casa e resolveu sair para ver o que havia ocorrido. Foi quando escutou um barulho altíssimo.
“Houve estouro, que levantou uma poeira muito forte, com fragmentos de tijolos, rebocos e tudo. A percepção era de que a de poeira foi maior do que a chuva. Diante disso, eu vim para poder ver o que que estava acontecendo e de que forma poderia ajudar voluntariamente”, afirma Ferreira.
Quando o profissional da segurança do trabalho chegou ao local, observou que a Polícia Militar (PM) estava fazendo o auxílio na retirada dos moradores da casa.
Ele conta que, no momento, foi responsável por auxiliar no processo de evacuação dos moradores que estavam em risco, principalmente crianças e idosos. Ainda segundo ele, havia muita água e lama descendo as escadaria do Morro do Cristo, e auxiliou na evacuação das pessoas e prestou apoio para que os moradores conseguissem descer.
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“Uma das moças que morava nas casas, foi resgatada pelo nosso prédio e eu encontrei com ela na escada com uma criança. Ela estava em pânico aos gritos ‘tem criança, tem criança’ e fomos lá para ver o que podíamos fazer”, afirma Fabiano.
O profissional narra que ao chegarem na residência destruída, eles identificaram uma moça, com nome Jaqueline Vicente, 33 anos, que com ajuda da PM e do Samu, chegou a ser resgatada com vida, mas veio a óbito na manhã desta quarta-feira (25/2). Estimam que ela tenha ficado soterrada por 15 horas.
Ela morava com a mãe e o companheiro, que também morreram. Jaqueline tinha dois filhos, que estão desaparecidos.
Estado de calamidade pública
Diante da gravidade, Juiz de Fora entrou em estado de calamidade nessa terça-feira (24/2). O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) divulgou que 40 pessoas morreram. Outras 19 estão desaparecidas; 400, desalojadas; e 3 mil, desabrigadas. O decreto é válido por seis meses.
Os militares continuam atuando na cidade em busca das pessoas soterradas. Bombeiros de outras cidades também reforçam as ações em Juiz de Fora.
*Estagiário sob supervisão do subeditor Humberto Santos
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**Com informações da Folha de SP