A família de Paulo Henrique Pereira dos Santos, de 26 anos, morto por uma policial federal à paisana durante uma suposta tentativa de roubo, denuncia que a Polícia Federal, responsável pelas investigações, tem agido com falta de transparência e não tem cedido informações sobre o caso. A ocorrência foi registrada na terça-feira (13/1) na Rua Itororó, Bairro Padre Eustáquio, Região Noroeste de Belo Horizonte.
Dayane Lopes Pereira, irmã de Paulo Henrique, explica que o jovem era trabalhador e não tinha passagem pela polícia por nenhum tipo de delito. Ela afirma que, no dia, o irmão estava com uma mochila contendo documentos e currículos.
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“Mesmo se ele tivesse (passagem pela polícia), ela (a policial federal) não poderia ter matado ele, ainda mais com um tiro nas costas”, diz Dayane.
Para a família, o primeiro erro teria sido no encaminhamento do corpo de Paulo para o Instituto Médico-Legal (IML) como indigente. Dayane afirma que, mesmo em posse dos documentos de identificação, os policiais federais que estiveram no endereço não os entregaram aos policiais civis responsáveis pelo transporte.
“Ele estava com a mochila cheia de documentos dele, até certidão de nascimento. Depois, prenderam os documentos e eu custei para recuperar. Por isso só conseguimos enterrá-lo hoje”, conta a irmã.
Falta de informações
Paulo Henrique foi velado e sepultado no Cemitério da Paz, no Bairro Caiçara, na manhã desta sexta-feira (16/1). Ontem (15/1), sua irmã esteve na rua onde o crime aconteceu. Ela explica que tentou conseguir as imagens de câmeras de segurança, que flagraram a suposta tentativa de assalto e o disparo feito pela policial à paisana. No entanto, não teve sucesso.
Ainda de acordo com Dayane, a PF também não disponibilizou as gravações ou mesmo o registro da ocorrência. “Eles estão escondendo tudo, parece que não querem que a gente saiba de nada [...] e ainda estão colocando ele como bandido, sendo que ele não tem passagem”, desabafa.
Procurada, a PF afirmou que atua com “rigor técnico” e “estrito cumprimento da legislação vigente” e que suas investigações são pautadas pela isenção e “busca da verdade real”. Sobre o caso de Pedro Henrique, a corporação informou que um inquérito e segue os ritos processuais previstos.
Quanto à alegação de omissão de informações, a PF esclareceu que, até o momento, não recebeu peticionamento formal por parte dos advogados da família do envolvido. Já sobre o encaminhamento do corpo ao Instituto Médico Legal (IML), a corporação esclareceu que o traslado e a gestão de perícias cadavéricas são feitas pela PCMG.
“Ressaltamos, contudo, que no momento da ocorrência, o corpo foi encaminhado acompanhado dos documentos de identificação que o indivíduo portava. A Polícia Federal reafirma seu compromisso com a transparência e a legalidade, permanecendo à disposição para prestar os esclarecimentos necessários às autoridades e às partes interessadas, desde que observados os canais oficiais e as normas processuais”, concluiu a corporação em nota.
O que se sabe sobre o caso?
Paulo Henrique Pereira dos Santos, de 26 anos, foi alvejado por uma policial federal durante uma suposta tentativa de roubo no Bairro Padre Eustáquio, na tarde de terça-feira (13/1). No dia, a corporação informou que a servidora reagiu à ação e o homem morreu no local.
Ao Estado de Minas, a PF informou que a agente estava a serviço na região. Informações preliminares deram conta que a policial estava à paisana quando teria sido surpreendida pelo homem.
Diante da suposta ameaça, a servidora efetuou um disparo com sua arma institucional para evitar a agressão e se defender. O disparo atingiu o homem nas costas.
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A perícia técnica e equipes da própria Polícia Federal se deslocaram até o local para realizar os levantamentos e apurar as circunstâncias do fato. A policial não sofreu ferimentos e está recebendo o suporte institucional necessário. Um inquérito policial será instaurado para apurar detalhadamente a dinâmica da ocorrência.
