Um vídeo de câmera de segurança de um vizinho de Pollyana Pilar Morais Moreira, empresária de 25 anos, mostra o momento em que o economista João Bráulio Faria de Vilhena Filho a persegue até o apartamento dela depois de agredi-la, na madrugada de quinta-feira (1°/01). A jovem sofreu violência física e sexual no apartamento do namorado, que mora no mesmo prédio que ela, o condomínio Village Terrasse, em Nova Lima (MG), na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Conforme o boletim de ocorrência registrado e o relato da vítima, as discussões começaram ainda no carro quando voltavam de uma festa de réveillon. João havia ingerido bebidas alcoólicas e a Polyanna pediu para que ele não dirigisse. O agressor a convidou para dormir na casa dele depois, mas a mulher disse que gostaria de dormir na casa dela. Ainda assim, ela foi para a casa do namorado, onde o pedido dele para ter relações sexuais.
De acordo com a empresária, ela foi pegar uma roupa em um armário e uma peça do móvel se soltou. O namorado, então, ficou bravo e começou a brigar com ela, dizendo que ela não sairia do imóvel enquanto não consertasse a peça. Neste momento, conforme o depoimento, as agressões começaram e o medo tomou conta da mulher. Ela foi atingida por socos, chutes e puxões de cabelo e teve o vestido que usava rasgado à força.
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Polyanna conta que afirmou que chamaria um marceneiro e implorou para que ele a deixasse ir embora. Ao gritar por socorro e ameaçar ligar para a polícia, João Bráulio a desencorajou. "Liga, liga porque não vai acontecer nada, liga mesmo", disse ele, segundo Pollyana. Em seguida, ela tentou fugir, vestindo apenas roupas íntimas, mas o homem também as rasgou, deixando a vítima nua.
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“Eu fui pegar qualquer roupa que estava no chão e ele pisou na roupa. Ele falou que eu não ia sair, ele começou a me xingar de um monte de nome, aí ele me pegou pelo braço, me jogou contra o armário. Eu gritei por socorro, ele falou ‘Grita, grita mesmo. Se você gritar mais, eu vou subir três andares e vou fazer com a sua avó a mesma coisa que eu estou fazendo com você’”, disse João Bráulio.
Temendo pela própria vida, Pollyana conseguiu voltar para casa, pegou a chave do carro para tentar ir até uma delegacia, mas o homem foi atrás dela – momento flagrado pelas câmeras de segurança. Nas imagens, ela sai de casa e depara com ele em frente à porta. A jovem o empurra e diz “Sai da minha frente”, em desespero. Ele tenta pegá-la pelo braço, mas ela dribla o companheiro e grita por socorro.
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Ainda nas imagens, é possível ver Polyanna pegando o elevador aos prantos e, segundo relato da empresária, ela foi em direção à portaria do prédio, onde foi ajudada por um dos porteiros. A vítima se escondeu em um banheiro da portaria enquanto o vigia acionava a polícia. Nesse momento, o agressor passou a mandar mensagens para a namorada dizendo que a amava.
João Bráulio fugiu de carro e, por isso, quando os policiais chegaram, não puderam prendê-lo em flagrante. A mulher precisou de atendimento médico urgente devido à gravidade das lesões. Conforme relatado, o agressor enviou mensagens de texto à vítima pouco tempo depois dizendo que “não havia encostado nela”. Conforme o relatório médico, a mulher apresentava sinais de puxões de cabelo, arranhões e lesões nos braços e costas.
Histórico de agressões e poder
Segundo a jovem, uma ex-namorada de João tem uma medida protetiva contra ele. No entanto, o homem sempre dizia que a ex era “doida” e que “queria prejudicá-lo”. Agora, ela segue recebendo mensagens em que ele alega não ter feito nada contra ela e pedindo que ela também não o prejudique. Além de tê-la machucado fisicamente, o economista também a chamou de lixo e disse que não adiantaria de nada denunciá-lo, pois “ele tem dinheiro de sobra”.
“Ele falou ‘eu e minha família tem dinheiro de sobra, não vai acontecer nada comigo, nada. Agora você é um lixo, você não vai conseguir nada'", contou Pollyana. "A dor física tem remédio, mas o pior são os flashbacks que ficam passando na sua cabeça. Da pessoa te jogando da cama para o chão de uma forma que você dá uma cambalhota ao cair, como se você fosse uma pena, como se você não não conseguisse se defender, como se você não conseguisse fazer nada”.
De acordo com a empresária, o parceiro já foi agressivo outras vezes, tendo pegado forte no braço dela e deixado marcas. Ele também tem um histórico de ofender as pessoas, inclusive ela. A vítima se considerava forte, mesmo diante dos sinais que o agressor já tinha dado, e acreditava que precisava ter paciência. Ela conta que, constantemente, ele afirmava que nunca bateria em uma mulher.
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No entanto, a violência de gênero ocorria de forma sútil. João Bráulio já tinha entrado nas redes sociais de Poollyana e deixado de seguir todos os homens, incluindo contatos de trabalho também e amigos de infância por ciúmes. Ele também já havia xingado a mulher e a obrigou a não postar certas fotos nas redes sociais. Algumas vezes, ele também a forçou a manter relações sexuais contra vontade.
