Prédio de síndico preso por morte de mineira em Caldas Novas é depredado
Cleber Rosa de Oliveira confessou que matou a vizinha Daiane Alves de Souza, em 17 de dezembro. O crime teria sido motivado por desavenças entre eles
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O apartamento de Cleber Rosa de Oliveira, de 50 anos, que confessou ter matado Daiane Alves de Souza em 17 de dezembro de 2025 foi depredado. A informação foi confirmada pelo advogado do síndico. O imóvel, que fica no mesmo prédio em que a vítima morava e desapareceu, foi arrombado e pichado. O homem é investigado pela Polícia Civil de Goiás por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Na manhã desta quarta-feira (28/1), ele foi preso temporariamente e deverá passar por audiência de custódia nos próximos dias.
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A Polícia Militar de Goiás foi acionada nesta tarde, horas depois da prisão. Um vídeo mostra militares dentro do apartamento avaliando os estragos. Nas imagens é possível ver que as paredes foram pichadas com a palavra “assassino”. Além disso, o quadro de luz do imóvel foi arrancado da parede. A portaria do edifício, onde o crime teria acontecido, também foi alvo de ataques e teve as paredes e mobílias vandalizadas.
Ao Estado de Minas, Luiz Fernando Izidoro, advogado de Cleber e Maycon - filho do síndico também investigado no inquérito que apura a morte da corretora - afirmou que ainda não sabe se a família vai tomar alguma medida legal contra as pessoas que danificaram o espaço. O defensor ainda afirmou que há suspeitos.
Cleber foi preso em casa nesta manhã. Ao ser abordado pelos policiais ele confessou que matou a vizinha e indicou onde seu corpo estava ocultado, uma área de mata às margens da rodovia GO-213, a 15 quilômetros de distância da zona urbana de Caldas Novas.
Qual a participação de pai e filho?
O síndico está sendo investigado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver e o seu filho por obstrução da justiça. A apuração do caso foi conduzida pelo Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Caldas Novas. Durante coletiva de imprensa, o delegado André Luiz Barbosa afirmou que ao longo dos mais de 40 dias de trabalho, as equipes ouviram 22 pessoas. Dessas, quem tinha os meios e a motivação para cometer um crime contra a vítima era Cleber.
Segundo Barbosa, a análise de imagens de câmera de segurança do condomínio mostraram, também, que nenhum estranho passou pelas portarias, reforçando ainda mais a teoria de ser alguém de dentro do empreendimento. “A investigação demonstrou que apenas alguém com autorização de acesso ao prédio, controle do sistema e conhecimento da rotina poderia cometer o crime sem ser visto”, afirmou.
Apesar da indicação do principal suspeito, a dinâmica do crime ainda não foi totalmente esclarecida. Os investigadores afirmam que a análise das câmeras de segurança mostraram que Daiane foi surpreendida pelo investigado assim que saiu do elevador e teria sido morta em um intervalo de oito minutos.
“Trabalhamos com as imagens dos elevadores e do acesso ao subsolo, que é restrito a pedestres. Estabelecemos que o crime ocorreu em um intervalo máximo de oito minutos, sem fluxo de terceiros”, explicou Barbosa.
O síndico tinha um álibi?
Durante o cumprimento dos mandados de prisão, Cleber Rosa de Oliveira foi confrontado com o conjunto de provas reunidas pela força-tarefa e, diante dos elementos apresentados, decidiu colaborar com a investigação. Segundo a Polícia Civil, foi nesse momento que o síndico indicou a região onde havia ocultado o corpo da vítima. “Após tomar conhecimento das provas, o síndico entrou em estado de colaboração e indicou a região onde havia ocultado o corpo”, afirmou o delegado responsável pelo caso.
Entre as provas estão imagens que mostram o homem saindo do prédio e voltando 40 minutos depois. O delegado André Luiz explica que ao deixar o residencial a capota da carroceria do veículo de Cleber estava fechada, mas ao retornar estava aberta. Para ele, isso indica que Daiane estava no porta-malas, já morta, uma vez que não conseguiu pedir socorro.
O corpo da corretora de Uberlândia foi encontrado em uma área de mata, em uma vala utilizada para escoamento de água. Devido ao tempo decorrido, já se encontrava em avançado estado de decomposição, restando principalmente ossos, que foram recolhidos para exames no Instituto Médico Legal (IML).
O filho do suspeito, Maykon Douglas de Oliveira, também foi preso temporariamente por obstrução de justiça. Ele seria o responsável por substituir o telefone celular do pai após o crime e por alterar as imagens de segurança. Procurada pela reportagem, a defesa da dupla informou que ainda não teve acesso integral aos autos. O advogado Luiz Fernando Izidoro afirmou que aguarda acesso formal às informações do inquérito para, posteriormente, se manifestar.
Motivação do crime
A Polícia Civil disse que a motivação do homicídio está ligada a conflitos na administração do condomínio. A família de Daiane é proprietária de seis apartamentos no prédio, cuja administração havia passado do síndico para a corretora. Desde então, surgiram entre Daiane e Cleber desavenças e ações judiciais.
Daiane venceu processos contra Cleber, incluindo uma decisão proferida em 11 de dezembro de 2025, que garantiu a ela acesso às áreas comuns do edifício e reconheceu abusos administrativos. “Os áudios e as provas apontam para uma motivação ligada a conflitos na administração de imóveis”, afirmou o delegado André Luiz Barbosa.
Cleber foi indiciado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. O filho dele, Maykon, por obstrução da investigação policial. Segundo a Polícia Civil, a participação do jovem ainda será melhor esclarecida com o avanço das investigações.
A perícia foi realizada no local onde o corpo foi encontrado, e exames técnicos seguem em andamento. A hipótese de premeditação também está sendo investigada, diante do histórico de conflitos que se estendeu por cerca de um ano e meio.
O que aconteceu com Daiane?
No dia em que desapareceu, a mineira foi vista pela última vez às 18h50, quando foi flagrada por câmeras de segurança do edifício. Ela entra em um elevador fazendo um vídeo com seu celular e aperta o botão do térreo e do subsolo. No primeiro andar ela sai, mas volta depois de dois minutos.
Familiares explicam que Daiane fazia um vídeo para mostrar que houve um pico de energia no prédio. As imagens foram enviadas a uma amiga da vítima. Na gravação, a corretora diz que vai à recepção perguntar se a concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica em Goiás tinha ido até o prédio, porque a sua luz estava cortada e suas contas já haviam sido pagas.
De volta ao elevador, a vítima aperta o botão para o subsolo. Ela filma que está entrando no pavimento, sai do elevador e não é mais vista. No entanto, as gravações feitas após ela entrar no subsolo não chegaram a ser transmitidas. Segundo familiares, as câmeras de monitoramento do edifício não mostraram a mineira saindo do local e seu carro estava em uma oficina mecânica. Fora o celular, a mulher não portava nenhum pertence pessoal.
“Ela saiu de casa nitidamente com a intenção de religar a energia. Ela saiu sem óculos e deixou a porta do apartamento aberta. A minha filha desapareceu, literalmente, dentro do prédio”, afirma Niles Alves Pontes, mãe de Daiane.
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*Estagiária sob supervisão da subeditora Juliana Lima