Polícia afirma que ataque a mineira morta em Caldas Novas durou 8 minutos
Daiane Alves de Souza foi vista pela última vez em 17 de dezembro, ao ir para o subsolo do prédio em que morava. O síndico do condomínio foi preso
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A morte da mineira Daiane Alves de Souza, de 43 anos, que estava desaparecida há 42 dias em Caldas Novas, no Sul de Goiás, teria durado cerca de oito minutos após ela ser vista pela última vez saindo de um elevador no prédio em que morava. A informação foi repassada pelo delegado André Luiz Barbosa, chefe do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) da cidade. O principal suspeito de cometer o crime foi identificado como Cleber Rosa de Oliveira, de 50 anos, síndico no condomínio. Ele foi preso e confessou o crime.
O corpo da mineira foi encontrado em uma área de mata às margens da rodovia GO-213, a 15 quilômetros de distância da área urbana de Caldas Novas. O local foi indicado pelo síndico, depois de sua prisão. Mesmo assim, por se tratar de uma área de mata fechada, foi preciso o apoio de um helicóptero da corporação.
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A apuração do caso foi conduzida pelo Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Caldas Novas. Durante coletiva de imprensa, o delegado André Luiz Barbosa afirmou que ao longo dos mais de 40 dias de trabalho, as equipes ouviram 22 pessoas. Dessas, quem tinha os meios e a motivação para cometer um crime contra a vítima era Cleber. Segundo ele, a análise de imagens de câmera de segurança do condomínio mostraram, também, que nenhum estranho passou pelas portarias, reforçando ainda mais a teoria de ser alguém de dentro do empreendimento.
“A investigação demonstrou que apenas alguém com autorização de acesso ao prédio, controle do sistema e conhecimento da rotina poderia cometer o crime sem ser visto”, afirmou.
Apesar da indicação do principal suspeito, a dinâmica do crime ainda não foi totalmente esclarecida. Os investigadores afirmam que a análise de câmeras de segurança mostraram que Daiane foi surpreendida pelo investigado assim que saiu do elevador e teria sido morta em um intervalo de oito minutos. Isso porque uma moradora passou pelo subsolo vinte minutos depois e não notou nenhum movimento suspeito.
“Trabalhamos com as imagens dos elevadores e do acesso ao subsolo, que é restrito a pedestres. Estabelecemos que o crime ocorreu em um intervalo máximo de oito minutos, sem fluxo de terceiros”, explicou Barbosa.
O síndico tinha um álibi?
Durante o cumprimento dos mandados de prisão, Cleber Rosa de Oliveira foi confrontado com o conjunto de provas reunidas pela força-tarefa e, diante dos elementos apresentados, decidiu colaborar com a investigação. Segundo a Polícia Civil, foi nesse momento que o síndico indicou a região onde havia ocultado o corpo da vítima. “Após tomar conhecimento das provas, o síndico entrou em estado de colaboração e indicou a região onde havia ocultado o corpo”, afirmou o delegado responsável pelo caso.
Entre as provas estão imagens que mostram o homem saindo do prédio e voltando 40 minutos depois. O delegado André Luiz explica que ao deixar o residencial a capota da carroceria do veículo estava fechada, mas ao retornar estava aberta. Para ele, isso indica que Daiane estava no porta-malas já morta, já que não conseguiu pedir socorro.
O corpo da corretora de Uberlândia foi encontrado em uma área de mata, em uma vala utilizada para escoamento de água. Devido ao tempo decorrido, já se encontrava em avançado estado de decomposição, restando principalmente ossos, que foram recolhidos para exames no Instituto Médico Legal (IML).
O filho do suspeito, Maykon Douglas de Oliveira, também foi preso temporariamente por obstrução de justiça. Ele seria o responsável por substituir o telefone celular do pai após o crime e alterar imagens de segurança. Procurada pela reportagem, a defesa da dupla iinformou que ainda não teve acesso integral aos autos. O advogado Luiz Fernando Izidoro afirmou que aguarda acesso formal às informações do inquérito para, posteriormente, se manifestar.
Motivação do crime
A Polícia Civil apontou que a motivação do homicídio está ligada a conflitos na administração do condomínio. A família de Daiane é proprietária de seis apartamentos no prédio, cuja administração havia passado do síndico para a corretora. Desde então, surgiram desavenças e ações judiciais.
Daiane venceu processos contra Cleber, incluindo uma decisão proferida em 11 de dezembro de 2025, que garantiu a ela acesso às áreas comuns do edifício e reconheceu abusos administrativos. “Os áudios e as provas apontam para uma motivação ligada a conflitos na administração de imóveis”, afirmou o delegado André Luiz Barbosa.
Cleber está sendo investigado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. O filho dele, Maykon, por obstrução da investigação policial. Segundo a Polícia Civil, a participação do jovem ainda será melhor esclarecida com o avanço das investigações.
A perícia foi realizada no local onde o corpo foi encontrado, e exames técnicos seguem em andamento. A hipótese de premeditação também está sendo investigada, diante do histórico de conflitos que se estendeu por cerca de um ano e meio.
O que aconteceu com Daiane?
No dia em que desapareceu, a mineira foi vista pela última vez às 18h50, quando foi flagrada por câmeras de segurança do edifício. Ela entra em um elevador fazendo um vídeo com seu celular e aperta o botão do térreo e do subsolo. No primeiro andar ela sai, mas dois minutos depois volta.
Familiares explicam que Daiane fazia um vídeo para mostrar que houve um pico de energia no prédio. As imagens foram enviadas a uma amiga da vítima. Na gravação, a corretora diz que vai na recepção perguntar se a concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica em Goiás tinha ido até o prédio, já que suas contas estavam pagas.
De volta no elevador, a vítima aperta o botão para o subsolo. Ela filma que está entrando no pavimento, sai do elevador e não é mais vista. No entanto, as gravações feitas após ela entrar no subsolo não chegaram a ser transmitidas. Segundo familiares, as câmeras de monitoramento do edifício não mostraram a mineira saindo do local e seu carro estava em uma oficina mecânica. Além disso, tirando o celular, a mulher não estava com nenhum pertence pessoal.
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“Ela saiu de casa nitidamente com a intenção de religar a energia. Ela saiu sem óculos e deixou a porta do apartamento aberta. A minha filha desapareceu, literalmente, dentro do prédio”, afirma Niles Alves Pontes, mãe de Daiane.