SUSTO

Prefeito de Congonhas diz que funcionários da Vale não notaram rompimento

Área de armazenamento de água e sedimentos da Vale se rompeu parcialmente durante a madrugada deste domingo (25). Espaços administrativos da CSN foram alagados

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O rompimento de uma estrutura de armazenamento de água da Mina da Fábrica da Vale, em Ouro Preto, na madrugada deste domingo (25/1), não foi notado por funcionários da mineradora. A informação foi repassada pelo prefeito de Congonhas, Anderson Cabido (PSB), durante coletiva de imprensa. A água, com resíduos, atingiu estruturas administrativas da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Fontes ligadas à empresa informaram que pelo menos 200 funcionários foram evacuados como medida de segurança.

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De acordo com Cabido, o extravasamento só foi percebido pela empresa por volta de 5h, quando uma nova equipe chegou para trabalhar. Ele ainda afirmou que a Defesa Civil de Congonhas não foi acionada pela responsável pela estrutura e sim pela CSN, afetada pelo rompimento.

“Foi uma surpresa para nós o porquê de isso não estar sendo monitorado. Ainda que não seja uma barragem de rejeitos de minério, é uma barragem de água, que comporta um grande volume de água. E que deveria, na nossa avaliação, ser monitorada”, afirmou Cabido.

A reportagem procurou a Vale para se posicionar sobre as afirmações do chefe do executivo de Congonhas, mas não houve resposta. Sobre o rompimento, a mineradora afirmou, em nota, que houve um “extravasamento” de água e sedimentos. A empresa ainda informou que o motivo do transbordamento está sendo apurado, mas garantiu que não há relação com barragens da região.

Confira a nota na íntegra:

“A Vale esclarece que, na madrugada deste domingo (25), houve extravasamento de água com sedimentos de uma cava da mina de Fábrica, em Ouro Preto (MG). O fluxo alcançou algumas áreas de uma empresa. Pessoas e a comunidade da região não foram afetadas. Como é praxe nessas situações, a Vale já comunicou os órgãos competentes e prioriza a proteção das pessoas, comunidades e meio ambiente. As causas do extravasamento de água estão sendo apuradas.

A Vale reforça que o ocorrido não tem qualquer relação com as barragens da empresa na região, que seguem sem alterações nas suas condições de estabilidade e segurança e monitoradas 24 horas por dia, 7 dias por semana”.

Como foi o rompimento do dique?

Durante a madrugada deste domingo (25/1), funcionários da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Ouro Preto, foram surpreendidos com um grande volume de água, misturada com lama, chegando às instalações da empresa. Em um primeiro momento, fontes ligadas à CSN informaram que, pelo menos, 200 funcionários foram evacuados como medida de segurança. Na sequência, eles receberam informações de que a água estava vazando de um dique da Vale, na Mina da Fábrica.

Um funcionário chegou a ficar preso dentro do almoxarifado da empresa durante o rompimento. Em vídeo, a pessoa mostra que a água lamacenta invadiu o espaço administrativo da companhia. Ele ainda afirma que não daria para salvar parte dos materiais que estavam ao nível do chão, já que foram diretamente atingidos. Em seguida, o homem mostra o lado de fora do armazém e afirma que está ilhado no espaço. Nas imagens é possível ver uma grande quantidade de água rodeando o imóvel em forma de correnteza.

Em nota, a CSN informou que o almoxarifado, os acessos internos, as oficinas mecânicas e as áreas de embarque foram atingidos pela água. Além disso, a empresa garantiu que nenhuma estrutura de contenção de sedimentos foi afetada. “A CSN Mineração informa que, desde o primeiro momento, acompanha a situação de forma permanente e que as autoridades competentes já foram comunicadas”.

Durante a tarde, uma fonte ligada à companhia afirmou que parte da água extravasada da cava administrada pela Vale foi retida pelas bacias de contenção da CSN. Imagens, gravadas no momento do rompimento, mostram que uma correnteza lamacenta foi formada e chegou a atingir 1,5 metro de altura. Ainda segundo o funcionário, o plano de ação de emergências interno da empresa foi acionado e os profissionais retirados. Apesar do susto, não houve feridos.

Quais os impactos até o momento?

Segundo Anderson Cabido, prefeito de Congonhas, o rompimento resultou no extravasamento de cerca de 220 mil metros cúbicos de água. A quantidade de água e, eventualmente, resíduos de mineração, expelidos pelo rompimento da estrutura da Vale neste domingo apesar de significativa, representa apenas 1,6% do total vazado durante o rompimento da barragem B3, da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, há sete anos. Na época, de acordo com o Governo de Minas Gerais, foram expelidos cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos.

De acordo com Cabido, a estimativa é de que o extravasamento do dique de contenção não tenha carregado resíduos que estavam dentro da estrutura, mas sim do seu entorno. Além disso, há possibilidade de que a água tenha chegado ao Rio Maranhão, que passa por dentro de Congonhas.

“O que houve foi o carregamento de material solto. Lama e resíduos de minério que estão na estrada. Então, a água levou tudo isso embora. O impacto ambiental é significativo e se soma ao impacto histórico que Congonhas vem sofrendo”, afirmou Cabido.

A Defesa Civil foi acionada?

No início da tarde, as prefeituras de Congonhas e Ouro Preto, na Região Central de Minas, enviaram equipes para confirmar o possível rompimento de um dique, administrado pela Mineradora Vale. Em nota, o Governo de Minas informou, por meio da Defesa Civil estadual, que está atuando com equipes, desde a manhã, para verificar a ocorrência envolvendo a estrutura da empresa Vale.

“As equipes irão permanecer no local até que todos os esclarecimentos sejam prestados para conferência do que motivou tal episódio, bem como possíveis impactos ambientais, humanos e demais”, afirmou o executivo estadual.

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O que se sabe sobre o rompimento?

  • Na madrugada de domingo (25/1) houve vazão excessiva de água com sedimentos em estrutura na mina da Fábrica, em Ouro Preto
  • O fluxo de água, cerca de 220 mil m³, atingiu áreas da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), na unidade Pires, na mesma região
  • A água chegou a cerca de 1,5 m de altura, interrompeu a captação de água e paralisou as operações no local
  • As bacias de contenção do escritório CSN retiveram boa parte da água vazada
  • Ao menos 200 funcionários da CSN tiveram que ser evacuados. Três oficinas e o almoxarifado da CSN foram atingidos pela força da água. Não houve feridos
  • A água turva e com sedimentos atingiu o leito do Rio Goiabeiras
  • A estrutura fica no leito do Córrego Água Santa, um dos formadores do Rio Preto, que desemboca no Rio Maranhão. Esse rio atravessa a cidade de Congonhas
  • A mina de Fábrica está inserida no Complexo Paraopeba, que é composto pelas minas Capão Xavier, Mutuca, Mar Azul, Jangada e Viga, cuja capacidade anual de produção é de 31.4 milhões de toneladas de minério de ferro. As operações de lavra na mina de Fábrica tiveram início no início do século XIX.

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