Carnaval 2026: Banda Mole 'volta às origens' com cortejo pelo Centro de BH
Aos 51 anos, evento retoma o formato de desfile, sem os gradis que, durante as últimas duas décadas, delimitaram o espaço para os foliões
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Já são mais de 50 anos de história: desde 1975, a Banda Mole arrasta foliões pelas ruas no sábado que antecede o Carnaval. Nas décadas de 1990 e 2000, quando a capital mineira ficava praticamente deserta durante o período do festejo, o evento seguiu atraindo milhares de pessoas, sempre com tom irreverente. Por isso, os organizadores têm orgulho em dizer que se trata da atração momesca em atividade contínua mais tradicional de Belo Horizonte. Para 2026, a banda Mole terá uma novidade: voltará ao formato de cortejo, com o qual foi criada.
Músico, produtor e organizador da Banda Mole, Totove Ladeira lembra que, cerca de 20 anos atrás, o local do evento passou a ser delimitado por gradis, por sugestão do Poder Público e da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), como medida de segurança. "Fechamos a avenida, tanto na esquina com a (Rua dos) Guajajaras, quanto na esquina com Rua da Bahia, e ainda tinha uma entrada também pela Álvaro Cabral, onde as pessoas, os foliões que entravam naquele espaço passavam por uma revista policial; tinha um detector de metais", diz. "Depois, a coisa foi tomando uma outra característica, tinha palco, também", complementa.
Ladeira pondera que o renascimento dos blocos caricatos criou uma nova estruturação pública para a folia, o que tornou os gradis desnecessários. "O Carnaval de Belo Horizonte passou a ser um dos maiores do Brasil. Hoje em dia, a polícia domina essa questão de segurança", pontua. "Agora, a gente acha que tem que adequar (a Banda Mole) de novo ao formato dos outros blocos, saindo em cortejo", conclui.
O organizador explica que a ideia de voltar a formar um desfile não é exatamente nova e só não foi implementada em 2025 devido ao jubileu da Banda Mole. "A gente esperou fazer 50 anos, no ano passado, que teve uma programação bem legal, com muitas atrações; mas já com a ideia de, neste ano, a gente ter esse formato de cortejo", destaca.
Apesar de trazer novidades no formato, a Banda Mole continuará ocorrendo no mesmo local das últimas duas décadas: na Avenida Afonso Pena, no hipercentro da capital mineira. Em 2026, a concentração para o início do cortejo ocorrerá em frente à portaria do Parque Municipal, próxima ao cruzamento com a Avenida Álvares Cabral. De lá, os foliões seguirão até a Praça Sete, que marcará a dispersão. Os horários do desfile, porém, ainda não foram divulgados.
Trajetória cinquentenária
A Banda Mole desfilou pela primeira vez em 1975, no Bairro da Lagoinha, na Região Noroeste de Belo Horizonte, por iniciativa de foliões que, até então, integravam o bloco Leões da Lagoinha, então recém-extinto. Posteriormente, o cortejo foi realizado em outros locais, como no Bairro Funcionários e na Savasi, na Região Centro-Sul da capital, até se fixar no Centro. Por cerca de duas décadas, os participantes subiam a Rua da Bahia, a partir do cruzamento com a Rua Goiás.
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A partir da década de 1980, quando a folia na capital mineira passou a sofrer com o esvaziamento, o cortejo era uma das poucas iniciativas que ainda atraía grande público. "Não tinha Carnaval em Belo Horizonte, e a Banda Mole era um evento que foi crescendo muito: chegou a desfilar, já no final dos anos 90, com 500 mil pessoas na rua", rememora Ladeira. "Naquela época não tinha turista: o Carnaval era basicamente local", complementa.
Expectativas
Com o ressurgimento e a criação de outros blocos de rua em Belo Horizonte ao longo dos últimos anos, o cenário mudou. "A gente não está sozinho, graças a Deus: o Carnaval cresceu", opina Ladeira. O resultado foi uma fragmentação dos foliões entre várias atrações, mesmo no fim de semana que antecede os festejos. Nem por isso, porém, a banda Mole deixou de atrair um grande público: a expectativa dos organizadores é repetir os números de 2025.
"No ano passado, a gente teve aproximadamente 50 mil pessoas na avenida, mas não simultaneamente, porque no formato que a gente estava fazendo, o evento era muito longo: começava às 2h da tarde e terminava às 10h da noite. Cada trio elétrico tinha três atrações, ainda tinha o palco com um tanto de atrações. Então, no retorno ao formato cortejo, vai ser um período de tempo menor", prevê o músico e produtor. "A tendência é, assim, que a gente tenha um público parecido com o dos últimos anos, na casa de 40 mil a 50 mil pessoas", projeta.
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Ladeira esclarece que a programação ainda depende de algumas negociações, mas já antecipa algumas das atrações do cortejo. "A ideia é ter a Charanga do Bororó fazendo uma concentração; é a banda que acompanha a Banda Mole desde a inauguração, desde o primeiro desfile, e toca basicamente ritmos carnavalescos, com aquela formação clássica de instrumentos de percussão e de sopro. Então, a Charanga do Bororó faz o aquecimento, sai na frente, um pouco, do trio", revela.