Cães de cidade histórica de MG são feridos com facão
Entre janeiro e outubro de 2025, mais de 5,5 mil ataques a bichos foram registrados no estado, segundo a Sejusp. Prática é crime em todo o país
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Três cachorros em Mariana (MG), na Região Central do estado, foram feridos por um material cortante, segundo a ONG de defesa dos direitos animais IDDA. Segundo denúncia feita pela entidade, o suspeito é um homem que que tem circulado pelo Centro da cidade com um facão e ameaçado os animais.
Em um alerta feito pelas redes sociais, a ONG informa que este é o terceiro caso em um mês, expressando a gravidade do caso. Todos os animais apresentaram um ferimento semelhante
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“A vida dos animais comunitários está em risco! Eles fazem parte do espaço urbano e merecem respeito, cuidado e proteção. É dever de toda a sociedade agir, denunciar e não se omitir diante de crimes contra os animais”, diz a publicação.
A reportagem do Estado de Minas entrou em contato com a IDDA para saber se a organização está cuidando dos animais e se algum boletim de ocorrência foi feito contra o suspeito, mas aguarda retorno.
Maus-tratos a animais em Minas
Minas Gerais registra uma média de 18 casos de maus-tratos contra bichos por dia, conforme levantamento da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG), entre janeiro e outubro de 2025. Somente nos primeiros dez meses do ano passado, o número de casos consumados levados ao conhecimento das autoridades de segurança chegou a 5.540, contra os 3.750 do mesmo período de 2024 – um aumento de 47,6%.
Em 2020, o pitbull Sansão tornou-se símbolo depois de ter as patas traseiras arrancadas por agressores com o uso de um facão. O crime ocorreu em Vespasiano, na Grande BH. A veterinária que cuidou dele na época afirmou que o cachorro foi amarrado pela boca com arame farpado para que os agressores pudessem cortar suas patas sem que o bicho reagisse.
A história de Sansão causou comoção em todo o país, e foi o mote de um abaixo-assinado que pedia mais rigor contra crimes contra animais. Em cinco dias, mais de 500 mil pessoas pediram justiça pelo crime de maus-tratos denunciado pelo tutor do animal. O cachorro recebeu doações para tratamento, cadeira de rodas e próteses para a readaptação.
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Com a repercussão do crime e o abaixo-assinado, o Congresso Nacional aprovou, em 20 de setembro 2020, o Projeto de Lei (PL) nº 1.095, que tramitava desde 2019. Nove dias depois o projeto foi sancionado pela Presidência da República, transformando na Lei Federal nº 14.064/2020, batizada com o nome do cachorro e que alterou o artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais, que agora inclui um capítulo específico sobre cães e gatos. A pena para crimes contra esses dois animais foi aumentada em relação aos demais e é hoje de dois a cinco anos de reclusão, multa e proibição da guarda.